segunda-feira, 7 de maio de 2012

Decepção




DECEPÇÃO


Quem de nós não sofreu uma decepção?
Mesmo depois de muito tempo, podemos ainda estar sofrendo consequências de fatos passados sem sabermos disso conscientemente. Embora isso aconteça, nosso corpo registra esses efeitos através de sintomas, sejam eles em forma de tensões, dores e rigidez pelo corpo, seja em forma de mal-estar ao falarmos sobre um determinado assunto, ou ainda em estágios mais graves, através da manifestação de sérias doenças e complicações que se instalam no corpo do indivíduo.
Quem nunca teve a impressão de que o coração estava literalmente partido diante da perda de um amor ou de uma decepção amorosa? Saiba que não é só impressão. Segundo a medicina, o coração realmente sofre, e muito, quando acabamos um relacionamento ou perdemos um ente querido, por exemplo. Essa dor não é apenas uma metáfora, simbólica, é sentida e pode trazer riscos à saúde física. É a chamada Síndrome do coração partido.
"A Síndrome do coração partido, ou Takotsubo, foi descrita por pesquisadores japoneses no início da década de 90. É uma cardiopatia induzida pelo estresse, depois de emoções intensas, onde o coração apresenta movimento anormal da parede do ventrículo esquerdo (principal câmara cardíaca que ejeta sangue para todo o organismo), levando a sintomas semelhantes aos do infarto e com características transitórias. É temporária e reversível", segundo o cardiologista Hélio Castello.
Os sintomas são semelhantes ao infarto do miocárdio, com dor no peito, falta de ar e alterações do eletrocardiograma. Apenas 20% podem evoluir de forma grave e uma vez revertido o quadro, não há sequelas ao coração.
Se do ponto de vista clínico a decepção faz mal ao coração, do ponto de vista psicológico também, e por isso é importante refletir sobre o que aconteceu.
Muitas vezes, a pessoa que te causou a decepção, pode ter feito e pensado não estar fazendo qualquer maldade pelo que fez ou pelo que falou. O problema está em nossos valores e na forma de como queremos que as pessoas sejam ou nos vejam de acordo com os nossos valores, por acharmos que estamos sempre certos.
Trata-se da quebra de um conceito ou crença criada pela nossa mente, invariavelmente não verdadeira. Fomos nós que construímos os valores e o rótulo que colocamos nas outras pessoas. São os nossos conceitos que pautam o caminho, o amor e a amizade. Ninguém é igual a nós.
O outro fez a parte dele e como desejou agir. Na realidade a pessoa sempre foi o que demonstrou naquele momento, mas éramos nós que não fazíamos a leitura correta de como ela realmente é em seu interior. As adversidades da vida nos mostram outras realidades com as quais não tínhamos contato, por isso este sentimento tão forte de decepção.
Normalmente você sofre porque espera demais das pessoas. Elas são elas, e têm seus conceitos e valores, você é você. Cada ser humano é diferente e vê a vida com sua exclusiva evolução e entendimento.
As verdades são singulares. Nas dificuldades as pessoas mudam. As pessoas dão o que podem dar. Nós é que temos expectativas diferentes em relação a elas e queremos sempre mais.
Temos que analisar as atitudes alheias e policiarmos a nunca esperarmos das pessoas aquilo que elas não conseguem nos dar. Muitas vezes somos nós quem nos ferimos. Nunca foram as pessoas. Elas, na realidade, não nos prometeram nada. Nós é que esperávamos mais delas.
É uma terrível batalha entre nossos conceitos passados, nossa cegueira e a verdade que se pode encontrar em cada relação com o ser humano. Por isso, nunca devemos considerar uma verdade como eterna. Ela simplesmente espelha um momento, uma fração de segundo. Depois, tudo tende a se modificar porque as energias se transformam.
Pense em tudo que está em sua volta e irá perceber que muitas verdades estão escancaradas à nossa frente, mas insistimos em não vê-las simplesmente porque não conseguimos "decifrar a verdade pelos conceitos ultrapassados que insistimos em adotar em nossas vidas". Nem tudo se pode ver. O que se sente sempre supera o que se vê.

 
Coluna No Diva - assinada pela Dra. Marisa Martins - Psicóloga - CRP: 06/30413-0
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