segunda-feira, 21 de agosto de 2017

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Fome é o fator que leva a célula tumoral a migrar pelo corpo, diz pesquisador

Fome é o fator que leva a célula tumoral a migrar pelo corpo, diz pesquisador

O pesquisador britânico Colin Goding está convencido de que o mesmo fator que motivou o primeiro ser vivo unicelular a se movimentar pela Terra – há mais de 3 bilhões de anos – também é a razão pela qual algumas células tumorais se separam do tumor primário para colonizar outras partes do corpo: a busca por comida.
Em seu laboratório, situado no Instituto Ludwig de Pesquisa do Câncer, vinculado à Universidade de Oxford, no Reino Unido, ele demonstrou em experimentos com culturas de melanoma humano que a falta de nutrientes desativa o maquinário de proliferação celular e faz com que as células tumorais adquiram um fenótipo invasivo.
“Nossa estimativa é que a mesma lógica funcione para a maioria dos tipos de câncer e, talvez, possamos encontrar meios de manipular esse mecanismo de sobrevivência celular para obter benefícios terapêuticos”, disse Goding em entrevista à Agência FAPESP.
De passagem por São Paulo, onde proferiu no dia 10 de agosto a palestra de abertura do 8º Workshop on Melanoma Models, Goding contou que seu grupo tem usado o melanoma como um modelo para entender a progressão do câncer como um todo.
“É um ótimo modelo porque conseguimos visualizar todos os estágios da doença. Podemos perceber quando as células produtoras de pigmento começam a invadir outros tecidos e formar metástases. Já em outros tipos de tumor, como pulmão ou pâncreas, quando o paciente apresenta sintomas e procura um médico a doença já se espalhou”, comentou.
Outro fator que tornou o melanoma um modelo interessante para o estudo do câncer, segundo Goding, foi a identificação, há mais de uma década, de um gene chamado BRAF, que se encontra alterado em metade dos casos da doença – emitindo estímulos para a proliferação descontrolada das células.
“Em poucos anos surgiram drogas capazes de inibir especificamente essa forma ativa do gene BRAF com efeitos dramáticos. Pacientes com múltiplas metástases respondiam muito bem. Porém, após alguns meses, as células se tornavam resistentes. Nossa pergunta então foi: por que essa resistência surge e o que podemos fazer a respeito?”
Transformação do fenótipo
De acordo com Goding, estudo recentes têm mostrado que a resistência do melanoma ao tratamento está relacionada com a existência, dentro de um mesmo tumor, de subpopulações de células com fenótipos diferentes. Ou seja, embora possuam o mesmo background genético, se comportam de forma distinta.
“Algumas podem estar mais diferenciadas e se comportar como o tecido de origem [células produtoras de melanina], outras podem estar se proliferando rapidamente e fazendo o tumor crescer, outras podem estar com o ciclo mais lento e fenótipo invasivo e outras se tornam dormentes e permitem que, mesmo após uma terapia bem-sucedida, a doença reapareça muitos anos depois”, explicou Goding.
Um dos objetivos do grupo britânico, portanto, tem sido compreender os fatores que levam ao surgimento desses diferentes fenótipos. Segundo Goding, aspectos do microambiente tumoral, como a disponibilidade de nutrientes, oxigênio e a interação com sinais emitidos pelo sistema imune, são fundamentais para a transformação.
A hipótese levantada pelo britânico é que, diante de uma situação de escassez de nutrientes, ativa-se em parte das células tumorais um mecanismo de sobrevivência que as faz migrar para procurar comida em outro local.
“Além disso, acreditamos que determinados sinais emitidos por células do sistema imune – como as citocinas TNF-α [Fator de necrose tumoral alfa] e TGF-β [Fator de transformação do crescimento beta] – podem induzir um estado de pseudodesnutrição. Nesse caso, mesmo havendo abundância de nutrientes, esses sinais imunes associados à inflamação acionam o mesmo mecanismo induzido pela fome e fazem a célula migrar”, explicou o cientista.
Experimentos feitos por Goding com leveduras e também com células de melanoma confirmaram que existe um mecanismo de sobrevivência celular conservado ao longo da evolução. Quando passa fome, a célula reduz sua demanda por nutrientes para se adequar à oferta. Isso significa desativar os processos biológicos necessários para a síntese de proteínas e para a formação de novas células.
Porém, quando a célula tumoral consegue migrar para um novo ambiente, onde há abundância de nutrientes e ausência dos sinais imunes que induzem a pseudodesnutrição, ela volta a se proliferar para formar uma nova colônia.
“Se conseguirmos enganar as células para fazer com que acreditem que os sinais de estresse já foram embora, o maquinário de fazer novas células volta a ficar ativo e elas vão morrer porque a demanda por nutrientes vai exceder a oferta”, avaliou.
A manipulação do estado fenotípico da célula tumoral, segundo Goding, poderia, em teoria, evitar tanto a formação de metástase como a ocorrência de futuras recaídas da doença.
“O processo de formação de metástase é muito ineficiente. Deve haver centenas de milhares de células tumorais circulando e algumas poucas conseguem estabelecer uma nova colônia com sucesso. Parte dessas células morre e parte se torna dormente para sobreviver ao estresse associado com a fuga do tumor primário. Se encontrarmos um mecanismo para eliminar a dormência, poderemos reduzir ainda mais o porcentual de células que consegue escapar do tumor primário, sobreviver e formar metástase. Isso é algo que buscamos em meu laboratório, em colaboração com grupos do mundo todo, inclusive o de Silvya Stuchi, no Brasil”, contou.
Fonte: Agência Fapesp


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Teste rápido do HIV vendido em farmácias



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Teste rápido do HIV vendido em farmácias - Bioeasy
www.telelab.aids.gov.br


Diagnóstico do HIV




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Diagnóstico do HIV - www.telelab.aids.gov.br

Dr. Drauzio Varella - Depressão na adolescência



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Dr. Drauzio Varella
Tema: Depressão na adolescência e antidepressivos

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Quem de nós dois?!



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Ana Carolina - Quem de nós dois

HPV e câncer masculino

HPV e câncer masculino


O sistema público de saúde brasileiro iniciou em janeiro deste ano a imunização de garotos com 12 e 13 anos de idade contra o vírus do papiloma humano, o HPV. Até o início de junho, porém, apenas 595 mil adolescentes (16,5% da população nessa faixa etária) haviam recebido a primeira das duas doses de uma vacina importada que protege contra a infecção por quatro tipos desse vírus.
Transmitido pelo contato de pele e mucosas durante o sexo, o HPV está associado nos homens ao desenvolvimento de verrugas genitais e anais, além de tumores de pênis, ânus, boca e garganta. Como o uso de preservativos nem sempre evita a transmissão do vírus, especialistas em saúde afirmam que a melhor forma de combater a disseminação é vacinar a população não contaminada. No final de junho, o ministério recomendou a imunização de meninos de uma faixa etária mais ampla, dos 11 aos 14 anos, o que torna mais desafiadora a meta de terminar 2017 com 80% deles imunizados – a vacina está disponível há mais tempo para as meninas, mas nem entre elas esse índice tem sido alcançado.
Os sinais de que será preciso redobrar os esforços para proteger os meninos surgem pouco após a publicação de estudos que começam a desvendar como e por quanto tempo a infecção pelo vírus progride até gerar verrugas genitais e lesões precursoras do câncer no sexo masculino. “Há muito se sabe que o HPV leva ao desenvolvimento de verrugas e tumores também na região genital masculina, mas não havia trabalhos que medissem a probabilidade de a infecção gerar lesões nem o tempo que demora para isso acontecer”, conta a bioquímica Luisa Lina Villa, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).
Ela foi uma das primeiras pesquisadoras brasileiras a identificar a presença do HPV em tumores de pênis, ainda nos anos 1980, e há quase uma década coordena a parte nacional do estudo epidemiológico “HPV infection in men (HIM)”. Financiado pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, pela FAPESP e pela empresa farmacêutica Merck Sharp & Dohme, fabricante da vacina tetravalente Gardasil, o estudo acompanhou por quase cinco anos a saúde sexual de 4,1 mil homens com idade entre 18 e 73 anos no Brasil, no México e nos Estados Unidos.
O HIM já gerou dezenas de artigos científicos. Três deles, publicados entre 2015 e 2017, trazem uma análise mais detalhada da história natural da infecção por HPV. Em dois papers, o grupo da epidemiologista Anna Giuliano, do Moffitt Cancer Center, na Flórida, coordenadora geral do HIM, relata os resultados da avaliação de cerca de 3 mil desses homens. No início da pesquisa, nenhum deles tinha doença sexualmente transmissível nem infecção por HPV. Com o tempo, uma parte contraiu o vírus, identificado a partir de testes genéticos feitos no material coletado do pênis e da bolsa escrotal. Aproximadamente 72% dos brasileiros estiveram infectados com HPV em algum momento do estudo, uma proporção significativamente maior do que a de mexicanos (62%) e a de norte-americanos (61%). Dos 37 tipos de HPV investigados, foram encontrados com mais frequência quatro: dois considerados de baixo risco para causar tumores (HPV6 e HPV11) e dois de alto risco (HPV16 e HPV18), os mesmos contra os quais a vacina disponível gratuitamente no sistema de saúde brasileiro produz imunidade.
Uma das avaliações levou em consideração os dados de 3.033 participantes dos três países. Desse total, 1.788 apresentaram infecção por ao menos um tipo de HPV e 86 deles (5% dos infectados) desenvolveram verrugas genitais (condiloma). Só 9 dos homens com HPV tiveram lesões pré-tumorais: as neoplasias intraepiteliais penianas.
Um em cada quatro casos de infecção por HPV6 ou por HPV11 gerou condilomas contendo os mesmos vírus. O tempo entre a infecção e o surgimento da verruga foi de quase oito meses para o primeiro vírus e de quatro para o segundo. Quase 60% das lesões pré-cancerígenas continham o HPV16, de alto risco. Na maioria das vezes, quase dois anos se passaram entre a infecção e o desenvolvimento da neoplasia, segundo artigo publicado em 2015 na revista European Urology.
A análise dos dados brasileiros foi publicada em abril deste ano na revista Brazilian Journal of Infectious Diseases. Dos 1.118 participantes de São Paulo, 815 tiveram HPV e 35 desenvolveram lesão nos genitais. Durante o acompanhamento, 16% das pessoas com HPV6 e 16% das infectadas pelo HPV11 desenvolveram verrugas genitais, respectivamente, em nove meses e em sete meses, em um ritmo mais lento do que o identificado no estudo com mexicanos e norte-americanos. Na amostra brasileira, 1% dos indivíduos com HPV16 desenvolveram lesão pré-tumoral em 25 meses.
Em sua conclusão, o estudo brasileiro chama a atenção para o fato de que os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, contra os quais a vacina tetravalente oferece proteção, foram encontrados em 80% dos condilomas e das lesões pré-tumorais. E indica que seria recomendável adotar uma política ampla de vacinação para os meninos, uma vez que os homens continuam a se infectar com o vírus ao longo da vida e a transmiti-lo para seus parceiros – homens ou mulheres. Em um dos artigos do HIM, os pesquisadores lembram o caso bem-sucedido da Austrália, o primeiro país a implantar um programa nacional de imunização contra o HPV. Lá, a cobertura vacinal supera os 80% e houve uma redução de 70% a 90% na frequência de verrugas genitais entre as mulheres.
Fonte: Agência Fapesp


sábado, 12 de agosto de 2017

A paz



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Zizi Possi - A paz

Medicamento que previne HIV será incorporado ao SUS



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O Ministério da Saúde (MS) irá ofertar no Sistema Único de Saúde (SUS) o antirretroviral emtricitabina + tenofovir (Truvada) para reduzir o risco da infecção pelo HIV antes da exposição ao vírus. A ideia é utilizar o medicamento em pessoas não infectadas pelo HIV e que mantêm relações de risco com maior frequência.
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) passou a ser distribuída em até 180 dias, após a publicação do Protocolo Clínico e das Diretrizes Terapêuticas (PCDT),  em 29 de maio.
A incorporação do medicamento foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Com a nova medida, o Brasil se torna o primeiro país da América Latina a utilizar essa estratégia de prevenção como política de saúde pública.

Fonte: Jornal do Cremesp - nº 349
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Síndrome Alcoólica Fetal

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O Cremesp homologou a Resolução nº 305, de 23 de junho de 2017, que obriga a "sinalização nos hospitais e clínicas no Estado de São Paulo, alertando para os perigos e danos decorrentes da ingestão de bebida alcoólica por gestante e o risco de desenvolvimento da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF)". Médicos devem alertar suas pacientes para que evitem o consumo de álcool e outras drogas em qualquer período da gestação.

A SAF não tem cura e pode causar danos irreversíveis à saúde da criança. Não existem níveis seguros para o consumo de álcool durante a gravidez.


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Fonte: Jornal do Cremesp nº 349
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Fadas




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Luiz Melodia - Fadas

Charge

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Tempo perdido

Estudo associa esquizofrenia a defeito no processamento do RNA mensageiro na célula

Estudo associa esquizofrenia a defeito no processamento do RNA mensageiro na célula


No organismo humano, um único gene pode dar origem a diferentes proteínas de acordo com a necessidade do momento e os estímulos ambientais.
Para isso, o RNA mensageiro – molécula que é expressa pelo gene e depois é transcrita como uma proteína – passa por um processo de “edição” (splicing) dentro no núcleo celular.
Esse processamento é feito por um complexo proteico conhecido como spliceossoma. Consiste em remover da molécula precursora do RNA mensageiro os chamados íntrons (porções que não contêm informações para a produção de proteínas) e unir os éxons (as partes codificantes do código genético). A proteína formada no final do processo vai depender de como a montagem dos éxons será feita pelo spliceossoma.
Um estudo brasileiro apoiado pela FAPESP e divulgado recentemente na revista Molecular Neuropsychiatry sugere que esse maquinário celular de processamento do RNA mensageiro pode estar alterado em pacientes com esquizofrenia.
Segundo os autores, esse defeito no spliceossoma poderia ser a gênese de boa parte das alterações cerebrais observadas nos portadores da doença.
“Uma alteração no sistema de processamento do RNA mensageiro poderia comprometer a expressão de inúmeras proteínas – muitas delas com papel-chave em processos biológicos importantes, como o metabolismo de ácidos nucleicos, gerando um efeito cascata. Mas isso é algo que ainda precisa ser confirmado em estudos futuros”, disse Daniel Martins-de-Souza, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e coordenador da pesquisa.
A hipótese apresentada pelo grupo de Martins-de-Souza está baseada na análise do tecido cerebral post mortem de 12 pacientes com esquizofrenia e de oito pessoas sem doença mental (grupo controle). O trabalho teve como foco duas regiões cerebrais que estudos anteriores mostram estar morfologicamente e funcionalmente alteradas em portadores da doença: o lobo temporal anterior e o corpo caloso.
“O lobo temporal anterior está envolvido no processamento auditivo e visual e, portanto, tem muita relação com sintomas como psicose e alucinação. Já o corpo caloso é a região do cérebro que mais contém células da glia [astrócitos, micróglias e oligodendrócitos]. Em trabalhos anteriores, mostramos que pacientes com esquizofrenia apresentam disfunções nos oligodendrócitos”, contou Martins-de-Souza.
Como explicou o pesquisador, os oligodendrócitos são as células responsáveis pela produção de mielina, uma substância lipídica fundamental para a troca de informação entre neurônios. Estudos de imagem feitos por volta dos anos 2000 mostraram que o cérebro de portadores de esquizofrenia tem uma quantidade reduzida de oligodendrócitos quando comparado ao de pessoas sadias. Por volta de 2005, o grupo de Martins-de-Souza apontou que algumas proteínas produzidas pelos oligodendrócitos – particularmente as que fazem parte da família hnRNP [Ribonucleoproteínas Nucleares Heterogêneas, na sigla em inglês] – também se apresentavam com a expressão alterada nesses pacientes.
“Estudos subsequentes feitos por outros grupos com base em nossos achados mostraram, em modelos animais e celulares, que a alteração nas hnRNPs de fato interfere no processo de mielinização dos neurônios, podendo prejudicar a conectividade cerebral. Por isso decidimos estudar melhor o papel dessas proteínas nucleares na doença”, explicou Martins-de-Souza.
Proteínas do núcleo
Com auxílio de um espectrômetro de massas e apoio da FAPESP, os pesquisadores mapearam todo o conjunto de proteínas (proteoma) encontrado no núcleo das células dessas duas regiões cerebrais selecionadas para a análise – excluindo, portanto, as proteínas encontradas nas demais organelas e no citoplasma.
“O proteoma total dessas células já havia sido analisado em pesquisas anteriores. Porém, dada a complexidade desse tipo de análise, não tinha sido possível avaliar a diferença na expressão das proteínas menos abundantes. Com esse objetivo, decidimos focar apenas no proteoma nuclear”, explicou Verônica Saia-Cereda, primeira autora do artigo e doutoranda do IB-Unicamp.
Ao comparar o resultado do grupo controle com o de portadores de esquizofrenia, foi possível identificar quais moléculas estavam com a expressão alterada na condição patológica.
No corpo caloso foram encontradas 119 proteínas diferencialmente expressas – sendo 24 consideradas proteínas nucleares. De acordo com Saia-Cereda, a maioria está envolvida na sinalização celular mediada por cálcio, que é importante tanto para o metabolismo das mitocôndrias (organelas que produzem energia para a célula) quanto para a retirada do excesso do neurotransmissor dopamina na fenda sináptica (local onde ocorre a troca de informação entre os neurônios).
“Alterações no nível de dopamina no cérebro estão associadas aos sintomas mais característicos do transtorno, como delírios e alucinações”, comentou Saia-Cereda.
Já no lobo temporal anterior, 224 proteínas estavam diferencialmente expressas na doença, sendo 76 delas proteínas nucleares. Dessas, oito estão envolvidas no funcionamento do spliceossoma.
“Entre essas oito estão as hnRNPs, que desempenham papel central tanto na função do spliceossoma como dos oligodendrócitos. Aqui, portanto, pode estar a gênese das disfunções na mielinização associadas à esquizofrenia. Nosso trabalho é o primeiro a relacionar o spliceossoma com a doença”, contou Martins-de-Souza.
Segundo Saia-Cereda, o mau funcionamento do maquinário de processamento do RNA mensageiro pode fazer com que determinadas proteínas não sejam traduzidas corretamente e passem a ter expressão alterada no organismo como um todo, com consequências ainda desconhecidas. “A relação disso com a esquizofrenia pouco se sabe. É algo que ainda precisa ser estudado”, afirmou.
Desdobramentos
Em um outro trabalho que vem sendo realizado com apoio da FAPESP, a pós-doutoranda Mariana Fioramonte investiga no IB-Unicamp quais proteínas atuam em parceria com as hnRNPs no processamento do RNA mensageiro.
Como explicou Martins-de-Souza, supervisor da pesquisa, o objetivo é verificar se em pacientes com esquizofrenia e em pessoas sem doença mental as proteínas que se associam para essa função são diferentes.
“O passo seguinte será tentar modular em laboratório a expressão dessas moléculas e observar como o spliceossoma passa a funcionar quando algumas delas são inibidas. O objetivo é tentar encontrar a causa dessa desregulação do spliceossoma. Dependendo dos resultados, é possível que algumas dessas proteínas possam ser testadas como alvos terapêuticos”, disse o pesquisador.
Segundo os pesquisadores, a esquizofrenia acomete cerca de 1% da população mundial e é a principal causa de incapacitação psiquiátrica. Apesar da alta prevalência e da severidade dos sintomas, ainda pouco se sabe sobre os mecanismos bioquímicos envolvidos no desenvolvimento e na progressão da doença. Esse tipo de conhecimento, afirmam, é necessário para melhorar os métodos de diagnóstico e de tratamento.
O artigo The Nuclear Proteome of White and Gray Matter from Schizophrenia Postmortem Brains pode ser lido em https://www.karger.com/Article/Abstract/477299.
Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Pérola negra



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Luiz Melodia - Pérola Negra


Sentado à beira do caminho



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Erasmo Carlos - Sentado à beira do caminho


Estudo investiga envolvimento de bactérias intestinais no câncer de reto

Estudo investiga envolvimento de bactérias intestinais no câncer de reto



Estudos recentes sugerem que o desequilíbrio entre as bactérias benéficas e as patogênicas que compõem a flora intestinal – condição conhecida como disbiose – pode ter relação com o surgimento de tumores no trato digestivo. Ainda não está claro, porém, se o câncer é causa ou consequência dessa alteração no microbioma.
Com o objetivo de avançar nesse entendimento, pesquisadores do A.C. Camargo Cancer Center e da Universidade de São Paulo (USP) compararam o conjunto de bactérias presente em amostras de tumores de reto com o encontrado no tecido sadio dessa porção do intestino.
O resultado da investigação – apoiada pela FAPESP – foi divulgado no periódico Frontiers in Cellular and Infection Microbiology.
“O que mais nos chamou a atenção foi a maior presença da espécie Bacteroides fragilis nas amostras tumorais. Trabalhos anteriores indicaram que determinadas cepas dessa bactéria produzem uma toxina capaz de induzir a formação de tumores em ratos”, contou Andrew Maltez Thomas, doutorando do Instituto de Química (IQ) da USP e primeiro autor do artigo.
O trabalho foi orientado pelo professor João Carlos Setubal, do Departamento de Bioquímica do IQ-USP, e pelo coordenador do Laboratório de Genômica do A.C. Camargo Cancer Center, Emmanuel Dias-Neto.
O grupo analisou, ao todo, 36 amostras de tecido retal humano – sendo 18 de indivíduos saudáveis submetidos a exame de colonoscopia e 18 de pacientes com câncer operados no A.C. Camargo sem antes ter passado por tratamentos como radio ou quimioterapia, que poderiam alterar o perfil da flora bacteriana.
Foram incluídos nos dois grupos de estudo o mesmo número de homens e mulheres, com exposição semelhante a fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool. Além disso, foram avaliadas apenas amostras da mesma região do reto. Como explicam os autores, o controle dessas variáveis foi importante para se obter um cenário real da variação microbiana em função do câncer, sem a interferência de outros fatores.
“Nosso trabalho se diferencia de outros nessa área por dois aspectos. Primeiro porque não tratamos o câncer de cólon e de reto como uma única doença, uma vez que há diferença na sobrevida, no potencial metastático e também diferenças embriológicas nos tecidos dessas regiões. Segundo porque as análises não foram feitas com amostras fecais, pois já foi demonstrado que a microbiota vai se modificando ao longo do trato intestinal e, portanto, o que encontramos nas fezes não reflete necessariamente o conjunto bacteriano aderido ao tecido do reto”, disse Thomas.
Como contou o pesquisador, todo o DNA contido nas 36 amostras foi extraído – tanto o humano como também o de microrganismos. Em seguida, por uma técnica conhecida como PCR (reação em cadeia da polimerase, na sigla em inglês), foram amplificadas apenas as informações genéticas contidas em uma região onde se encontra um gene específico de bactérias.
“Sequenciamos a região V4-V5 do gene 16S rRNA e, dessa forma, conseguimos determinar as bactérias presentes nas amostras”, explicou Thomas.
Principais achados
Como relatam os pesquisadores no artigo, o tecido tumoral apresentou uma maior riqueza de espécies bacterianas e maior abundância dos gêneros BacteroidesPhascolarctobacteriumParabacteroidesDesulfovibrio e Odoribacter.
Já no tecido sadio foram mais abundantes os gêneros PseudomonasEscherichiaAcinetobacterBacillus e Lactobacillus, sendo este último considerado benéfico à saúde humana.
“Observamos que os tumores tinham um menor número de bactérias formadoras de biofilme, ou seja, espécies capazes de se agregar e formar uma unidade coesa que inibe a sobrevivência de agentes patogênicos. Isso mostra que há de fato uma disbiose”, comentou Thomas.
Duas unidades taxonômicas operacionais (OTU, na sigla em inglês, termo que define grupos cuja sequência de DNA é parecida) da Bacteroides fragilis foram mais abundantes nas amostras tumorais. Segundo Thomas, esse achado reforça evidências de estudos anteriores que apontaram o envolvimento do patógeno no desenvolvimento do câncer colorretal.
“Sabemos que essa bactéria é capaz de induzir uma resposta imune importante na mucosa do cólon e do reto. No entanto, ainda não sabemos se ela é a causa do câncer ou se estaria em maior quantidade no local como uma consequência da lesão maligna”, afirmou Thomas.
Na avaliação de Dias-Neto, também é possível que esse microrganismo tenha um papel benéfico na doença, atraindo células de defesa para a lesão e, assim, tornando o câncer mais visível para o sistema imune.
“Há trabalhos mostrando que, se você trata um animal com antibióticos e depois induz a formação de um tumor, o sistema imune não responde, não combate o câncer, diferentemente do que ocorre em animais com a microbiota preservada. A ativação imunológica induzida por bactérias é necessária para uma resposta eficaz à quimioterapia”, afirmou Dias-Neto.
Segundo o pesquisador, uma das hipóteses a ser investigada em trabalhos futuros do grupo é se a presença da B. fragilis e de outras espécies encontradas mais abundantemente no tecido tumoral influencia na resposta dos pacientes ao tratamento.
“Estamos começando a conhecer quais grupos bacterianos estão em quais locais tanto num intestino saudável como em uma situação patológica. O próximo passo é fazer correlações, por exemplo, com a presença de uma determinada espécie com pacientes que respondem muito bem ou a ausência de uma bactéria com pessoas que estão desenvolvendo a doença. Uma terceira etapa seria começar a intervir nesse processo”, disse Dias-Neto.
Atualmente, com apoio da FAPESP, Thomas investiga na Universitá degli Studi di Trento, na Itália, a existência de marcadores microbianos que possam ajudar no diagnóstico e na avaliação do prognóstico de pacientes com câncer intestinal.
“A ideia é descobrir, por exemplo, se a presença de determinadas enzimas bacterianas nas fezes permite distinguir se o indivíduo possui um adenoma, um pólipo intestinal ou uma microbiota saudável. Esse tipo de exame é factível e vai estar disponível no futuro”, disse Thomas
O artigo Tissue-Associated Bacterial Alterations in Rectal Carcinoma Patients Revealed by 16S rRNA Community Profiling pode ser lido em: http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fcimb.2016.00179/full
Fonte: Agência Fapesp



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Beto Guedes - Sol de primavera

Plataforma para a saúde





Depois de ganhar um prêmio de um milhão de dólares, um médico da Libéria pretende criar uma plataforma digital global para treinar, apoiar e conectar trabalhadores da área da saúde, a Academia de Saúde Comunitária. Raj Panjabi – vencedor do prêmio TED Prize, que prestigia projetos com potencial de resolver grandes problemas envolvendo comunidades em todo o mundo – foi, também, o fundador da Last Mile Health, Organização Não Governamental que, em 10 anos, atendeu dezenas de milhares de pacientes e ajudou a treinar 1.300 pessoas para acabar com o ebola. Se quiser conhecer mais a respeito da ONG, acesse:  http://lastmilehealth.org

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 79


Criando...




Você consegue me dizer algo sobre como esse efeito foi criado? O que você acha? As imagens são muito interessantes e parecem efeito de computação gráfica. Algumas chegam a parecer tão reais quanto uma foto captada pela Nasa. Mas, surpreenda-se, muitas são feitas apenas com materiais orgânicos ou com objetos diversos e inusitados – como tintas mergulhadas na água –, além da utilização de lentes fotográficas macro de alta resolução.
Os vídeos são criados e disponibilizados pelos youtubers do MacroRoom. Confira em: http://macroroom.com/news/