quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Alta tensão




Vídeo do YouTube
Maria Bethânia interpretando o poema de Bruna Lombardi "Alta Tensão".

O anjo



Vídeo do YouTube
Bruna Lombardi - O anjo

Charge

Imagem relacionada



Fonte: http://tomandjudyonablog.blogspot.com.br/2010/07/technology-overload.html

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Eu não sei!

Resultado de imagem para ponto de interrogação



A vida, as pessoas, a tecnologia, tem nos obrigado a saber de tudo o tempo todo e nos coloca numa posição tragicômica. Já reparou que hoje em dia as pessoas tem vergonha de dizer "eu não sei". As pessoas ficam intimidadas por demonstrar falta de conhecimento com relação a qualquer assunto que seja. A Internet, o estar online o tempo todo, as Redes Sociais, o Google e todas as ferramentas de pesquisa acessadas o tempo todo. Corremos lá, nem digitamos mais, usamos a pesquisa por voz e dá-lhe, lá estamos nós falando de algo que nem achamos interessante e nem trás utilidade para nossas vidas. As pessoas estão ficando bitoladas, paranoicas e sufocadas com tanta informação, que às vezes, nem lhes é pertinente.

Há algumas semanas, deixei meu filho de queixo caído porque disse a ele que não sabia a resposta para uma pergunta que ele me fez, ele ficou olhando para mim chocado. Eu disse a ele: - Por que você acha que eu tenho que ter resposta para tudo? Eu sou uma pessoa, um ser humano como outro qualquer. Ele se sentiu aliviado por saber que sou uma pessoa comum, percebi isso no rosto dele. Às vezes, ele começa a fazer birra no meio da tarefa e fala que eu não entendo nada, ele não sabe de nada e eu sei tudo. Expliquei a ele, que não é exatamente assim que a coisa funciona, que ele sabe muitas coisas que eu não sei e que eu sei muitas coisas que ele não sabe e assim a gente vai vivendo, um ensinando o outro e ele ficou feliz em ouvir aquilo. 

Eu não quero ser "onisciente, onipresente e onipotente". Isso eu deixo para DEUS!

Eu quero, inclusive, poder ser um ser humano que não sabe de tudo! Um ser humano normal!

Ah, me desculpem se escrevi algo errado ou não usei a pontuação corretamente, rs.

By Mari Martins


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Eu ando pelo mundo...




Vídeo do YouTube
Adriana Calcanhotto - Esquadros

Atenção dos pais pode reduzir risco de abuso de drogas na adolescência

Atenção dos pais pode reduzir risco de abuso de drogas na adolescência


Pais que exigem o cumprimento de regras e que monitoram constantemente as atividades dos filhos – buscando saber onde estão, com quem e o que fazem – correm menor risco de enfrentar problemas relacionados ao abuso de álcool e de outras drogas quando as crianças entram na adolescência.
A probabilidade torna-se ainda menor quando, além de monitorar e cobrar, os pais também abrem espaço para o diálogo, explicam o motivo das regras e se mostram presentes no dia a dia dos filhos, dispostos a acolher suas dificuldades – característica parental que especialistas chamam de “responsividade”.
A conclusão é de uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 6.381 jovens de seis cidades brasileiras. Os resultados acabam de ser publicados na revista Drug and Alcohol Dependence.
“A principal conclusão do estudo é que o estilo parental, ou seja, o modo como os pais educam seus filhos, pode ser um fator de proteção ou de risco para o consumo de álcool e outras drogas na adolescência. Isso significa que os programas escolares de prevenção devem, além de conscientizar as crianças, também se preocupar em treinar habilidades parentais”, disse Zila Sanchez, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenadora da pesquisa apoiada pela FAPESP.
Os dados foram coletados em 62 escolas públicas das cidades de Tubarão (SC), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Fortaleza (CE) e Brasília (DF). Participaram do levantamento estudantes de 7º e 8º anos do ensino fundamental. A idade média dos entrevistados foi de 12,5 anos.
“Optamos por trabalhar com jovens que haviam acabado de entrar na adolescência para avaliar se, nessa fase, o estilo parental já estava influenciando o consumo de substâncias. Entretanto, como ainda são muito jovens, a prevalência de consumo ainda é baixa. Por esse motivo, consideramos no questionário quem havia feito uso ao menos uma vez no último ano”, explicou Sanchez.
Os questionários foram preenchidos pelos próprios adolescentes, sem a presença do professor, e depositados anonimamente em envelopes pardos – de modo a evitar inibição e constrangimento. Além de perguntas sobre o uso de drogas, também foram incluídas questões sobre o estilo parental (como os jovens percebiam os pais), condições socioeconômicas, comportamento sexual e violência escolar, entre outras.
A análise das respostas foi feita durante o doutorado de Juliana Valente, com Bolsa da FAPESP e orientação de Sanchez.
Por meio de um modelo estatístico conhecido como análise de classes latentes, foi possível dividir os entrevistados em três grupos de uso de drogas. A mais prevalente, com 81,54%, foi a classe dos “abstinentes/usuários leves”. Em seguida, com 16,65%, vieram aqueles considerados “usuários de álcool/bebedores pesados”. Por último, com 1,8%, os “poliusuários”, ou seja, aqueles que, além de álcool, usaram no último ano substâncias como tabaco, maconha, cocaína, crack ou inalantes (benzina e cola de sapateiro, por exemplo).
“O passo seguinte foi avaliar se os estilos parentais estavam associados a algum desses três perfis de consumo. Para isso, os pais também foram classificados em quatro tipos diferentes – segundo a avaliação dos adolescentes e critérios estabelecidos na literatura científica”, explicou Sanchez.
Com base em uma escala de avaliação consagrada em estudos internacionais e validada no Brasil, os perfis parentais foram classificados de acordo com dois domínios principais: “exigência” – o quanto os pais monitoram as atividades dos filhos e demandam o cumprimento de regras – e “responsividade” – o quanto são sensíveis às demandas dos filhos e abertos ao diálogo.
Pais com escore alto nos dois domínios foram classificados como “autoritativos”. Aqueles com escore alto apenas no domínio da exigência foram classificados como “autoritários”. Pais responsivos, mas que não monitoram as atividades dos filhos ou não se apegam a regras foram considerados “indulgentes”. Por último, aqueles com escore baixo nos dois domínios foram classificados como “negligentes”.
De modo semelhante ao observado em estudos internacionais, o estilo “autoritativo” foi o mais protetor, seguido pelo “autoritário” e, na sequência, pelo “indulgente”. Como ressaltaram os pesquisadores no artigo, os pais “negligentes” são os que colocam os adolescentes em maior risco de pertencer às duas classes de usuários de drogas encontradas no estudo: usuários de álcool/bebedores pesados e poliusuários.
“O fato de o ‘autoritativo’ ser o mais protetor e o ‘negligente’ o de maior risco já era esperado. Porém, ainda havia na literatura científica uma discussão em relação aos estilos ‘autoritário’ e ‘indulgente’. Não estava claro qual deles seria melhor. Os achados deste estudo reforçam a função protetora que a dimensão da exigência, composta por monitoramento parental e estímulo ao cumprimento de regra, desempenha na prevenção do consumo de drogas na adolescência”, disse Valente.
Ricos bebem mais
Um dado que chamou a atenção do grupo da Unifesp foi que, quanto mais alta era a classe social do entrevistado, maior era a probabilidade de pertencer aos grupos de bebedores pesados ou poliusuários. De acordo com Sanchez, o achado contraria dados de estudos norte-americanos e europeus, onde a pobreza é considerada um fator de risco para o uso de álcool e drogas na adolescência. Porém, vai ao encontro de dados brasileiros anteriores para a mesma faixa etária.
“Esse dado é bem curioso e mostra que não podemos simplesmente importar dados relacionados a fatores de risco e proteção para programas de prevenção de uso de drogas, sem considerar diferenças culturais”, disse Sanchez.
Segundo Valente, as análises estatísticas não permitiram associar os diferentes modelos de educação a uma classe social específica, ou seja, houve uma distribuição homogênea dos estilos parentais entre as diferentes faixas de renda.
A coleta dos dados ocorreu no fim de 2014, no âmbito de um projeto financiado pelo Ministério da Saúde. A equipe da Unifesp foi escalada pelo órgão governamental para avaliar nas 62 escolas selecionadas a efetividade de um programa de prevenção ao uso de drogas intitulado #Tamojunto.
“Esse programa foi trazido da Europa, onde apresentou bons resultados, e adaptado pelo Ministério da Saúde. Além de passar conhecimentos sobre as drogas para os jovens, buscava trabalhar o desenvolvimento de habilidades pessoais e interpessoais. Porém, aqui no Brasil, não observamos efetividade para as mesmas medidas europeias”, contou Valente.
Como explicou Sanchez, os dados analisados durante o doutorado de Valente, que embasam o artigo agora publicado, foram coletados antes da aplicação do programa #Tamojunto e não têm relação com seus resultados.
O artigo Gradient of association between parenting styles and patterns of drug use in adolescence: A latent class analysis, de Juliana Y.Valente, Hugo Cogo-Moreira e Zila M. Sanchez, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0376871617304465?via%3Dihub
Fonte: Agência Fapesp

Tempo na UTI neonatal pode ter impacto no comportamento de bebês prematuros



O bebê nasceu antes do esperado. É preciso ir imediatamente para a UTI neonatal, pois só assim ele sobreviverá. Como o pulmão ainda não está completamente formado, em minutos ele é entubado. O equipamento indica que o coração bate forte, mas ainda é preciso uma série de procedimentos, alguns dolorosos, para que ele ganhe peso e sobreviva.
A cena é muito comum, ainda mais no Brasil que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, é o 10º país com a maior taxa de nascimento prematuro. Mas a cena revela também a existência de um paradoxo: ao mesmo tempo que a UTI neonatal é altamente estressante para o bebê, é somente nesse ambiente e com o apoio da equipe multiprofissional especializada em recém-nascidos que ele pode sobreviver.
De acordo com estudo realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), apoiado pela FAPESP, independentemente do nível de prematuridade e da presença de displasia pulmonar e retinopatia da prematuridade, é o tempo de internação na UTI neonatal que impacta nos problemas de comportamento relacionados ao eixo de regulação emocional dos bebês.
Para os pesquisadores, o achado confirma a necessidade de programas de cuidados do desenvolvimento na estrutura das UTIs neonatais, tanto para reduzir experiências estressantes e dolorosas como para melhorar as estratégias de proteção durante o desenvolvimento inicial do bebê.
O estudo examinou efeitos das características neonatais e sociodemográficas sobre o temperamento e o comportamento na infância em 100 bebês prematuros de 18 a 36 meses de idade com diferentes níveis de prematuridade.
Todos os bebês participaram do programa de atendimento da UTI Neonatal do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da FMRP-USP, local onde foram aplicadas a escala de temperamento, que avalia o perfil de temperamento dessas crianças, e uma escala de indicadores e problemas de comportamento.
As mães dos bebês que preencheram os critérios de inclusão no estudo – entendimento de como funcionam os instrumentos usados para a avaliação do temperamento – participaram com entrevistas e respondendo a questionários.
Crianças com malformação, grau três de hemorragia intracraniana e com aparente problema cognitivo não participaram do estudo. Trinta e seis crianças participantes apresentaram displasia broncopulmonar e 63, retinopatia severa da prematuridade, as doenças mais comuns entre prematuros.
“Estudos anteriores compararam crianças nascidas pré-termo e a termo, visto que as pré-termo têm maior propensão a apresentar problemas de comportamento. No nosso estudo, avançamos no entendimento do desenvolvimento dos prematuros. O risco existe, mas é identificando esses riscos que podemos elaborar estratégias de proteção, prevenção e intervenção para melhorar o desenvolvimento dessas crianças”, disse Rafaela Guilherme Monte Cassiano, psicóloga, doutoranda do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP-USP e uma das autoras do estudo, publicado na revista Early Human Development.
De acordo com o estudo, as experiências estressantes relacionadas à dor neonatal podem causar danos ao desenvolvimento da criança tanto no início da vida como em etapas posteriores.
“Além disso, o ambiente da UTI neonatal tem outros fatores que podem prejudicar o desenvolvimento infantil, como o alto nível de ruído, a alta luminosidade, estímulos tácteis repetitivos e a separação materna”, escreveram os pesquisadores.
Janela de oportunidade
Maria Beatriz Martins Linhares, professora associada da FMRP-USP e orientadora do estudo, explica que a fase inicial é uma espécie de janela de oportunidade para o desenvolvimento ao longo de toda a vida do indivíduo.
“A regulação fisiológica inicial e emocional é uma precursora para a série de processos de regulação de comportamento. Por isso, é importante lembrar que a partir de problemas de comportamento nessa idade é possível identificar indicadores de risco de problemas de comportamento na vida adulta. Até os seis anos de idade temos um potencial de prevenção desses problemas”, disse.
O processo de autorregulação se completa aos cinco anos de idade. No entanto, com cerca de 18 meses, a regulação emocional é aprimorada, com a subsequente regulação de comportamento.
“O autocontrole emerge em torno de três ou quatro anos de idade com o desenvolvimento do sistema de atenção, que é relevante para controle voluntário, aumentando o potencial de regulação do comportamento”, escreveram os autores.
Já o temperamento da criança geralmente muda ao longo de seu desenvolvimento. “Portanto, com o desenvolvimento típico da criança, os sistemas reativos iniciais tornam-se cada vez mais regulados na medida em que os sistemas de controle de inibição direcionados ao medo e controle de atenção amadurecem”, disseram.
Porém, ao estudar os 100 bebês prematuros, foi observado que aqueles que precisaram permanecer mais tempo nas UTIs demonstraram indicadores de problemas comportamentais.
“O desenvolvimento envolve o crescimento físico, as habilidades – nas áreas de linguagem, locomoção, motora – e também os aspectos afetivos, sociais e comportamentais. Portanto, da mesma forma que o desenvolvimento motor precisa ser acompanhado, os indicadores do comportamento e traços do temperamento também devem ser”, disse Linhares.
Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Estudo brasileiro poderá tornar óleo de soja mais saudável

Estudo brasileiro poderá tornar óleo de soja mais saudável



Um dos fatores que conferiram ao azeite de oliva a fama de “gordura do bem” foi sua alta concentração de ácido oleico (até 84% do total de ácidos graxos do produto). Também conhecido como ômega 9, trata-se de um ácido graxo monoinsaturado ao qual têm sido atribuídas propriedades anti-inflamatórias e a capacidade de reduzir o colesterol ruim (LDL).
No óleo de soja, esse nutriente também está presente, mas em quantidades mais modestas – em média 23% do total de ácidos graxos do produto. Mas esse número poderá se tornar significativamente maior no futuro, se depender dos esforços de pesquisadores da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).
“Aumentar o teor de ácido oleico no óleo de soja seria interessante não apenas para o consumo humano como também para a produção de biodiesel. Por esse motivo, nosso projeto busca marcadores genéticos que possibilitem, por meio da seleção genômica, modificar o perfil de ácidos graxos do óleo de soja”, disse Regina Priolli, professora da Unisanta.
A investigação conta com apoio da FAPESP e é conduzida no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN). Resultados recentes foram apresentados em Campos do Jordão durante a terceira edição da Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference (BBEST).
Como explicou Priolli, além do ácido oleico, outros quatro ácidos graxos são encontrados no óleo de soja. O ácido palmítico (11% em média) e o ácido esteárico (4%) são gorduras saturadas – consideradas ruins para o sistema cardiovascular. Já o ácido linoleico ou ômega 6 (54%) e o ácido linolênico ou ômega 3 pertencem ao grupo das gorduras poli-insaturadas – também consideradas boas para a saúde – e estão associados às características de sabor do óleo de soja.
“Por meio de melhoramento genético poderíamos, por exemplo, diminuir o teor de ácido palmítico e aumentar o de ácido oleico. Mas é preciso encontrar uma proporção ideal, pois teores desbalanceados destes ácidos graxos fariam com que o óleo endurecesse em temperaturas baixas”, disse.
Mapeamento genômico
Com o objetivo de encontrar as regiões do genoma da soja que controlam a produção dos cinco ácidos graxos encontrados na planta, o grupo coordenado por Priolli conduziu um estudo de associação do genoma (GWAS, na sigla em inglês).
Para isso, o grupo buscou em bancos de germoplasma – plataformas dedicadas à conservação do patrimônio genético das espécies – do Brasil e do exterior material de 96 diferentes acessos (linhagens), com teor total de óleo que variava de 10% a 30%.
“Para esse tipo de análise precisamos ter o material genético mais diverso possível. Por esse motivo, também trouxemos 56 acessos do exterior. Acesso é cada indivíduo de uma espécie registrado no banco de germoplasma. Pode ser uma cultivar selecionada ou uma linhagem não melhorada”, explicou Priolli.
Essas plantas foram cultivadas durante dois anos na Esalq-USP, durante o pós-doutorado de Priolli. Após a colheita, os pesquisadores analisaram o teor de óleo e o perfil de ácidos graxos de cada um dos 96 acessos por um método conhecido como cromatografia gasosa.
O passo seguinte foi comparar os dados obtidos no campo com dados de marcadores moleculares do tipo polimorfismo de base única (SNPs, na sigla em inglês).
Essa análise revelou 54 SNPs associados à síntese de ácido palmítico, 14 SNPs para ácido oleico, 2 SNPs para ácido linoleico e 2 SNPs associados ao teor total de óleo no grão.
“Após esse mapeamento, comparamos os resultados com dados de bancos genômicos públicos de soja. O objetivo era ver se os marcadores que encontramos estavam perto de algum gene ou já tinham alguma associação descrita com o ácido oleico”, disse Priolli.
De acordo com a pesquisadora, o projeto busca, além de alterar o perfil de ácidos graxos, aumentar o teor total de óleo encontrado no grão de soja. Contudo, as técnicas de melhoramento convencionais mostraram que, quando se aumenta o teor de óleo no grão (que em média é 20%), ocorre diminuição na quantidade de proteína (40% em média), o que não é desejável.
“A soja é uma das principais fontes de proteína e óleo vegetal do mundo. A correlação negativa entre esses dois nutrientes no grão dificulta o aumento simultâneo de ambos. Por esse motivo, elevar a qualidade do óleo modulando a composição de ácidos graxos pode ser a saída para o melhoramento da soja”, afirmou Priolli. 
Fonte: Agência Fapesp


Bisfenol pode desregular hormônios tireoidianos mesmo em dose baixa

Bisfenol pode desregular hormônios tireoidianos mesmo em dose baixa


A ideia de que um dos conceitos-chave da toxicologia, “a dose faz o veneno”, pode não valer no caso dos desreguladores endócrinos foi reforçada por uma pesquisa feita na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Presentes na água, no ar, nos plásticos, alimentos, cosméticos, remédios e em muitos outros lugares, esses compostos químicos interferem no funcionamento dos hormônios humanos e de animais, prejudicando funções importantes para o organismo, como metabolismo energético, imunidade, desenvolvimento neurológico e sexual.
Em experimentos com ratos, o grupo da Unifesp observou que, mesmo em doses bem inferiores às consideradas seguras pelas agências reguladoras, dois conhecidos disruptores endócrinos – o bisfenol A e um herbicida à base de glifosato – podem alterar a regulação dos hormônios tireoidianos se a exposição ocorrer durante o período da gestação e do aleitamento ou durante a puberdade.
Os resultados do trabalho, realizado com apoio da FAPESP, foram apresentados em setembro por Maria Izabel Chiamolera na 32ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Campos do Jordão.
“Estudos recentes sugerem que, no caso dos desreguladores endócrinos, nem sempre a dose mais baixa é a mais segura, pois ela pode passar despercebida pelos mecanismos de defesa das células. Por outro lado, a janela de exposição parece realmente fazer diferença, sendo mais críticas as fases de desenvolvimento embrionário e aleitamento, bem como a puberdade, quando há grandes alterações hormonais ocorrendo no organismo”, explicou Chiamolera.
Na avaliação da pesquisadora, as decisões dos órgãos que regulam o uso dessas substâncias devem passar a considerar também os princípios da endocrinologia – não apenas os da toxicologia.
Os experimentos com ratos que baseiam essa afirmação foram realizados em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) interessados em estudar os efeitos dessas substâncias em órgão sexuais de animais do sexo masculino.
No primeiro modelo, ratas prenhes receberam na água de beber pequenas quantidades de um herbicida à base de glifosato – o tipo mais usado na agricultura brasileira – desde a metade da gestação até o quinto dias após o parto. Os filhotes do sexo masculino foram avaliados quando completaram 90 dias de vida e já eram considerados adultos.
O grupo da Unifesp avaliou a dosagem de hormônios tireoidianos no sangue e não observou diferença significativa em comparação ao grupo controle (formado por animais não expostos). No entanto, a expressão de genes-chave para a regulação tireoidiana estava alterada tanto no hipotálamo quanto na hipófise e também em órgãos como fígado e coração, que são bastante suscetíveis à ação dos hormônios da tireoide.
Entre os genes avaliados estava o que codifica a enzima desiodase do tipo 2 (DIO2), que converte o hormônio T4 em sua forma ativa T3, e o da proteína MCT8, que atua como transportadora de hormônio tireoidiano permitindo sua entrada nas células.
“O padrão de desregulação dos genes que observamos lembra o de uma condição de hipotireoidismo, embora com alguns elementos diferentes. E o mais interessante é que, ao avaliar os metabólitos presentes no sangue – os aminoácidos e os lipídeos de diferentes tamanhos –, também notamos um padrão condizente com o de hipotireoidismo, mostrando que essa alteração na expressão gênica estava se refletindo no fenótipo metabólico”, disse Chiamolera.
Já os pesquisadores da Unioeste observaram no sangue elevação nos níveis de testosterona e de gonadotrofinas (hormônios que atuam nas gônadas estimulando a produção dos hormônios sexuais). Notaram ainda que os animais expostos ao herbicida entraram na puberdade mais cedo que os não expostos e apresentaram, na vida adulta, comportamento hipersexuado (eram mais interessados na cópula), compatível com a testosterona elevada.
A exposição de ratos machos ao herbicida à base de glifosato no período da puberdade, por outro lado, reduziu os níveis de testosterona no sangue, atrasou a maturação sexual e alterou a estrutura dos túbulos seminíferos (por onde os passam os espermatozoides).
Bisfenol A
No segundo estudo, foi testado também em ratos o efeito da exposição ao bisfenol A, composto presente na formulação de plásticos duros do tipo policarbonato e que pode ser transferido para os alimentos caso ocorra mudança brusca na temperatura (aquecimento ou congelamento).
Ratos machos foram expostos a um décimo da dose considerada segura durante a fase da puberdade (23º a 58º dia de vida) e avaliados com 108 dias de vida. O grupo da Unifesp observou no sangue desses animais elevação do hormônio tireoestimulante (TSH), que é secretado na hipófise, cai na corrente sanguínea e estimula na tireoide a secreção dos hormônios T3 e T4. Observaram ainda, em amostras de sangue, diminuição no nível de T4 e um aumento em T3.
“É um padrão estranho, pois, normalmente, T3 e T4 ou estão ambos aumentados ou diminuídos. É um perfil hormonal que lembra o de pessoas com mutação no gene que codifica a proteína transportadora MCT8. E esses pacientes têm alterações neurológicas graves”, contou Chiamolera.
Já no modelo perinatal – em que a exposição ocorreu na mesma janela que no experimento com glifosato e com doses de bisfenol A ainda mais baixas que no modelo peribuberal – foi observada na prole adulta redução no nível de TSH e aumento nos níveis de T3 e T4 no sangue – um padrão hormonal semelhante ao do hipertireoidismo.
“As análises de expressão gênica e de metabólitos foram compatíveis com as alterações hormonais observadas no sangue: lembram o hipotireoidismo no modelo peribuberal e o hipertireoidismo no modelo perinatal”, disse Chiamolera.
O grupo do Paraná notou alterações nos espermatozoides nos ratos expostos ao bisfenol A na puberdade, bem como alterações similares às observadas em pessoas com hipogonadismo – condição em que as gônadas não produzem quantidades adequadas de hormônios sexuais. Portadores dessa disfunção apresentam redução da libido, prejuízos na fertilidade, perda de massa muscular e ganho de massa gorda, entre outros sintomas.
Os resultados completos dos experimentos podem ser encontrados em artigos publicados na revista Reproductive Toxicology em 2010 e em 2012, bem como na revista Toxicology em 2015 e em 2017.
“Nosso próximo passo é tentar entender por que esses animais que só foram expostos indiretamente e só no início da vida apresentam alteração na expressão gênica quando adultos. Será que o padrão de regulação foi alterado em definitivo? Será que a prole desses animais também vai herdar essa alteração? São perguntas que pretendemos investigar agora”, disse Chiamolera.
Fonte: Agência Fapesp

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Livros infantis velhos e esquecidos

Livros infantis velhos e esquecidos


 “Livros Infantis, Velhos e Esquecidos” é uma exposição pensada para adultos e crianças de todas as idades. Reúne exemplares dos primeiros livros infantis publicados no Brasil, no século XIX e princípios do século XX, entre eles clássicos, romances adaptados, contos populares, revistas, almanaques, álbuns ilustrados e publicações de difusão científica.
São obras de literatura universal, traduzidas ou adaptadas para o público brasileiro, assim como obras de autores nacionais, que estarão na mostra da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, com inauguração para esta terça-feira (03/10) e visitação de 4 a 30 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30. Haverá atividades especiais para escolares e o agendamento de monitoria deve ser feito pelo e-mail educativo@bbm.usp.br. 


As publicações estão expostas em vitrines e poderão ser consultadas em iPads distribuídos em vários pontos da sala. A curadoria é de Patrícia Tavares Raffaini, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) na área de História da Cultura, e Gabriela Pellegrino Soares, professora livre-docente do Departamento de História da USP na área de História da América Latina nos séculos XIX e XX e autora do livro Semear horizontes – uma história da formação de leitores na Argentina e no Brasil1915 a 1954.

Para elas, crianças e adultos que visitarem a exposição vão perceber que a infância leitora daquela época era muito diferente da de hoje, afinal vivia-se em outro contexto social e cultural, não existia TV, rádio, internet e, portanto, o livro tinha finalidade educativa e recreativa.
“Se muitos desses livros foram também comprados para uso escolar, não se limitaram a finalidades pedagógicas. Dos contos de fadas aos romances de aventuras, das historietas divertidas à sedução para as ciências, foram livros que ajudaram a construir repertórios culturais e olhares para o mundo das crianças de outra época. E embora estivessem ao alcance de poucos, é verdade, suas narrativas encontraram surpreendentes caminhos de circulação”, disse Pellegrino. 


Busca pelos livros esquecidos

A exposição é uma amostra do que Raffaini encontrou durante três anos de investigação em seu pós-doutorado, concluído em 2016, com apoio da FAPESP
A história dos livros analisados corresponde à trajetória das primeiras casas editoras sediadas no país, especialmente nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, a publicarem coleções voltadas para crianças.
“Eram coleções com frequência lindamente encadernadas, ilustradas com gravuras em branco e preto, algumas poucas coloridas, em que se guardavam tesouros para a imaginação e o conhecimento dos jovens leitores”, disse Raffaini.
O período do estudo também corresponde à infância das gerações de dois escritores brasileiros, Monteiro Lobato e Olavo Bilac. Eles dedicaram parte de sua produção literária às crianças e jovens e são conhecidos por declarações apaixonadas pelos livros que leram na infância e juventude.
Bilac, que viveu de 1865 a 1918 e, entre outras obras, dedicou-se a livros escolares e à tradução de alguns clássicos infantis, falava da importância da obra de Jules Verne para ele: “O que mais desenvolveu minha imaginação e o que consolou as vagas e indefinidas tristezas da minha adolescência foi a leitura de Verne”.
Lobato, que viveu de 1882 a 1948 e é reconhecido por ter modernizado a literatura infantil brasileira, declarava que “gostaria de criar livros nos quais as crianças pudessem morar como ele havia morado no Robinson Crusoé e nos Filhos do Capitão Grant” na sua infância.
Diferentes versões das obras mencionadas por eles estão expostas. “Muitas obras lidas pelas gerações desse período eram provenientes da França e da Alemanha e eram traduzidas cerca de dois anos depois de terem sido lançadas em seus países de origem”, explicou Raffaini.
Esses títulos chegavam ao país por intermédio de várias editoras, entre elas duas estabelecidas no Rio de Janeiro: a Garnier, filial carioca da editora francesa de mesmo nome, e Laemmert, que editou boa parte das obras provenientes de regiões germânicas.
Seguindo as pistas iniciais dadas por Pellegrino, Raffaini encontrou catálogos da Garnier de 1903 a 1912 no acervo da Biblioteca Brasiliana, assim como alguns exemplares de obras adaptadas por Carlos Jansen para a editora Laemmert, entre eles o Robinson Crusoé na edição que Lobato provavelmente havia lido quando criança.
A partir daí, foram três anos de pesquisa que iniciou com a localização de 20 títulos e finalizou com 106 exemplares que representam uma diversidade considerável de títulos e formatos à disposição do público leitor infanto-juvenil brasileiro.
No entanto, a localização desses exemplares não foi tarefa fácil. “Tanto a infância era curta quanto a vida dos livros. Era comum os livros passarem de um irmão para o outro até se desgastarem e sumirem. Como nesse período não existia biblioteca pública infantil, a busca foi feita em sebos, acervos pessoais e alguns públicos”, disse Raffaini. Sendo assim, parte deles, 54, foi adquirida com recursos de Reserva Técnica Institucional concedida pela FAPESP e outros 52 foram localizados em acervos públicos.
O que ver
Quatro vitrines estão dedicadas a títulos relacionados nos catálogos da Garnier nas seções Álbuns Ilustrados e Biblioteca da Juventude. Entre os Álbuns Ilustrados estão: Os últimos empregos de Maria dos Tamancos (Jordic), A viagem do alto Mandarim Ka-li-kó e de seu fiel secretário Pa-tchu-li (Eugene le Mouel), Os amores do Sr. Jacarandá (Rudolf Toffler), Escutem!, O Fundo do Sacco e Scenas da Vida Privada dos Animaes (os três de Benjamin Rabier).
A Biblioteca da Juventude está composta com obras clássicas como Fábulas de La Fontaine, Contos do Doutor Sam (Henry Berthoud), O Bazar das Creanças (Mme Leprince Beumont), Os noivos (Manzoni), A cruz de madeira e o menino perdido (Cônego Schmid), Contos do Cônego Schmid, Contos das Fadas (1893), Contos dos Irmãos Grimm (1926), As aventuras de Robinson Crusoé (Daniel Defoe), Aventuras de João Choppart (Luiz Desnoyers), História de um Bocadinho de Pão (provavelmente traduzido por Visconde de Taunay), A Novena da candelária (Carlos Nodier), entre outros.
Dos catálogos da Laemmert estão expostos títulos que circulavam pela Europa como Contos selectos das mil e uma noites, que tem prefácio de Machado de Assis. Também foram selecionados exemplares de obras que foram lidas por Lobato, como Aventuras do Barão de Munchhausen e o já citado Robinson Crusoé.
Estão expostas ainda versões em alemão de Crusoé, Don Quixote e Gulliver, todos da editora Thiennemans, que possibilitam a comparação entre a edição alemã e a que circulava no Brasil, sem distinção no cuidado com o acabamento gráfico.
No centro da exposição está uma vitrine com a coleção Thesouro da Juventude, com exemplares que ajudam a entender a origem da coleção e como ela chegou ao Brasil. Conforme explica Gabriela Pellegrino, que tem um projeto de pesquisa apoiado pelo CNPq sobre a Thesouro da Juventude nas Américas, essa coleção surgiu na Inglaterra, foi muito lida nos Estados Unidos e, além de um conteúdo científico, ela incorpora um conceito de enciclopédia.
Como não poderia deixar de ser, há uma vitrine dedicada exclusivamente a Jules Verne: um exemplar de 1879 de Grandes Viagens e dos Grandes ViajantesOs filhos do capitão GrantDa Terra à LuaDescobrimento prodigiosoVolta ao Mundo em 80 dias e Vinte mil léguas submarinas.
Livros divertidos
Muitas das obras expostas usam a fórmula “instruem enquanto divertem” e outras, de muito sucesso, fogem do padrão de livros com moralidades, repletos de bons exemplos e doçura e retratam crianças nada boazinhas, obedientes e piedosas. É o caso de João Felpudo, escrito pelo médico Heirinch Hoffmann para seu filho de três anos. Lançado na Alemanha em 1844, ficou conhecido como o livro predileto de meninos e de meninas. Chegou ao Brasil pela Laemmert em 1860, e por aqui também fez muito sucesso.
Essa data foi descoberta por Raffaini enquanto pesquisava jornais antigos e encontrou um anúncio publicado na edição de 4 de dezembro de 1860 do Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, que dizia: “João Felpudo – Histórias alegres para crianças travessas com vinte e quatro pinturas esquisitas”.
O anúncio de lançamento revelou que, ao contrário do que dizia a bibliografia, a tradução não era de 1890 nem de Olavo Bilac e, sim, de 1860 e do desembargador Henrique Velloso de Oliveira. Outra curiosidade é que na tradução literal do alemão o nome Der Struwwelpeter seria Pedro descabelado. Raffaini acredita que o Brasil seja o único país que trocou o nome original para João, para evitar associar o nome do imperador com o de um menino controverso.
Nacionais
Entre os destaques brasileiros estão exemplares da coleção de José Mindlin das revistas para crianças O Tico Tico, publicadas de 1905 a 1950, que traziam     contos, narrativas sobre ciência, brinquedos de papel para recortar e histórias ilustradas, chamadas posteriormente de quadrinhos.
Da coleção de Mindlin também estão expostos quatro exemplares das primeiras edições de Lobato dos anos 1920: Jeca TatuzinhoFábulas,Narizinho arrebitado e a versão fac-similar de Narizinho arrebitado na edição escolar.
Outros escritores brasileiros estão representados na vitrine que reúne obras publicadas pela editora Francisco Alves, que era mais voltada ao mercado escolar.
“Havia uma linha tênue entre a literatura escolar e a literatura infantil. Na verdade, todos desejam vender para escolas, mas a Francisco Alves reunia parte da intelectualidade brasileira que estava preocupada com a formação da Nação e da identidade nacional, identificada em títulos como contos pátrios, e obras que exibiam a bandeira nacional na capa, por exemplo”, disse Raffaini.
Os visitantes poderão ver obras como Álbum das Crianças (Figueiredo Pimentel), Era uma vez (Julia Lopes de Almeida), Era uma vez (Viriato Correa e João do Rio), Juca e Chico (Olavo Bilac), Theatro Infantil (Olavo Bilac e Coelho Netto), Histórias do reino encantado (Grimaldi), Contos infantis em verso e prosa e Galleria pittoresca dos homens célebres de todas as nações e épocas.
A curadoria também quis estabelecer uma relação entre obras iniciais de Lobato, incluindo traduções e adaptações feitas por ele com obras que eram alvos de sua crítica como as que compunham a chamada Biblioteca Infantil, da editora Melhoramentos.
Segundo as pesquisadoras, eram adaptações bem simplificadoras de contos de fada, fábulas, entre outros. Essa coleção está representada na exposição por diversos livrinhos, com destaque para uma versão fac-similar do Patinho feio, de 1915.
“Acredito que pode haver um estranhamento por parte das crianças em relação aos temas, às ilustrações, talvez haja uma sensação de distância temporal, mas também de aproximação com a identificação com os almanaques e histórias em quadrinhos e uma percepção de que histórias de personagens como Gulliver estão ali, em livros de capas formais, mas também estão no cinema e continuam sendo contadas em outros formatos”, disse Raffaini.
Território imaginário
Para as pesquisadoras, os livros para crianças delimitam um território imaginário onde adultos e crianças podem jogar juntos. É claro que cada idade tem uma recepção da obra. O conhecimento e as experiências pelas quais já passou o adulto faz com que a recepção de um e outro sejam diferentes.
Mas a recepção de um não é melhor do que a do outro, são somente diferentes. A criança ao ler se entrega ao jogo de forma muito mais plena que o adulto, enquanto o adulto consegue manter distância do que está lendo. No entanto, o próprio objeto material, o livro, coloca crianças e adultos em contato próximo.
A leitura entre gerações possibilita que os livros sejam apreendidos pela audição, pela visão e pelo tato. Mesmo que alguns livros infantis não tenham grandes ambições estéticas eles possuem o mérito de oferecer um grande prazer ao leitor.
“A exposição é uma forma de recompor o que era o repertório cultural daquele período, quais eram os temas, as narrativas, quais eram os suportes. Há elementos importantes na exposição para perceber que conteúdos imaginários eram esses com os quais as pessoas se nutriam”, disse Pellegrino.
Exposição Livros Infantis Velhos e Esquecidos

Biblioteca Brasiliana Guita e José  Mindlin (BBM): Rua da Biblioteca, sem número, Cidade Universitária, USP, próximo ao prédio da Faculdade de História
Abertura: 3 de outubro, das 17h às 18h30
Visitação: 4 a 30 de outubro, segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30
Gratuito. 
Monitoria: agendamento pelo e-mail educativo@bbm.usp.br 
Mais informações: https://www.bbm.usp.br/node/272 e 2648-0310

Leia também:



Fonte: Agência Fapesp