quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Um absurdo

900 mil pedidos á espera de cirurgias no Brasil. Dados apurados pelo CFM em 16 estados e 10 capitais, referente a cirurgias eletivas até junho de 2017.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Centrinho-USP de Bauru recebe inscrições para diversos cursos gratuitos



O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru está com processos seletivos abertos que oferecem um total de 127 vagas para cursos de pós-graduação stricto sensulato sensu e de extensão na área da saúde.
Em 2018, o HRAC oferecerá o inédito Programa de Residência Médica em Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial. Além dessa nova residência, há cursos de mestrado e doutorado, especializações, aprimoramento profissional, práticas profissionalizantes e atualização, todos gratuitos. Os cursos são voltados a graduados em Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Pedagogia, Serviço Social, Terapia Ocupacional e áreas afins.
Com apenas uma vaga, a residência médica em Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial terá duração de um ano, com início em 1º de março. O pré-requisito para ingresso é ter concluído residência médica nas áreas de Cirurgia Plástica, Otorrinolaringologia e/ou Cirurgia de Cabeça e Pescoço. As inscrições serão recebidas até o dia 19 de janeiro.
Já o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, área de concentração em Fissuras Orofaciais e Anomalias Relacionadas, oferece 27 vagas, 17 para mestrado e 10 para doutorado, com início em 5 de março. Os candidatos devem ter formação superior compatível com as linhas de pesquisa do programa. As inscrições estão abertas e serão recebidas em dias úteis, até o dia 26 de janeiro.
As Especializações em Odontologia contam com 72 vagas para graduados em Odontologia. Os cursos são nas áreas de Dentística, Endodontia, Odontopediatria, Ortodontia, Periodontia, Prótese Dentária e Radiologia Odontológica e Imaginologia.
As especializações têm dois anos de duração, de 1º de março de 2018 a fevereiro de 2020, e as cargas horárias variam de 20 a 40 horas semanais, conforme o curso. As inscrições para as especializações serão recebidas no período de 15 a 26 de janeiro.
Mais informações: http://hrac.usp.br/processos-seletivos/mestrado-doutorado/ e http://hrac.usp.br/processos-seletivos/extensao/ ou pelos telefones (14) 3235-8434 (seção de pós-graduação) e (14) 3235-8420 (seção de apoio acadêmico). 
Fonte: Agência Fapesp

 

O mundo correu tanto que parou



E  eis você aqui, minha cara editora, 60 anos depois, ou seja, desde 1957, querendo saber sobre as mudanças ocorridas de lá pra cá. E me dá uma dica: “na cultura, nos costumes, tecnologia, ciência, medicina, etc. No Brasil e no mundo – ou só no Brasil”.
– Isso tudo nem no gugo.
E quer que eu coloque isso em 4.000 caracteres (se possível 3.500 “pra podermos abrir mais a ilustração”).
Só aqui na enrolação inicial já se foram 408 caracteres (com espaços).
O papa ainda era o Pio XII e o Brasil nunca tinha sido campeão do mundo.
Eu tinha onze anos, dormia no quarto da frente e ouvi claramente um cavalo se aproximando, o trotar nos paralelepípedos, um sujeito apear e a campainha soar. Depois soube que eram duas e meia da manhã.
Era um peão de uma fazenda meio próxima que veio avisar o meu pai que a enfermeira da dona Cacilda – que beirava os noventa (a dona Cacilda, a enfermeira devia ter uns oitenta) – não estava conseguindo pegar a veia da véia (desculpe, não resisti ao trocadilho e o acento que não existe mais) e só o meu pai era capaz.
Parênteses: ainda não havia telefone na cidade onde morávamos. E o meu pai era médico. Então teve que ir um sujeito num cavalo chamar o meu pai, que teve que ir com o jipe dele até a Fazenda Capirava para aplicar a injeção. Dona Cacilda, com o braço todo cutucado, furado e sangrado, gritava que só o meu pai era capaz de pegar a veia dela, fininha, azulzinha e fazendo hora pra morrer.
Meu pai foi, acertou a veia, voltou, deitou e dormiu.
E agora você me pergunta o que mudou de lá pra cá... Não existia nem a década de sessenta: Beatles, Gagárin, minissaia, pílula, Brigite Bardot e James Dean, feminismo, festivais de música da Record, a Globo, o Chacrinha, o homem pisando na lua. E o grande medo do homem era a gonorreia. Saudades da gonorreia. Um Tetrex e pimba!, né, doutor? 
1750 dígitos. Metade já foi, mas cheguei aonde queria: se há 60 anos usava-se um cavalo para se chamar um médico, como se faz hoje? Taí o aparelhinho bem ao seu lado: iPhone ou Samsung, não importa.
E ele é o problema. Ele corre mais rápido do que o cavalo. Muito, mas muito mesmo. Vou dar um exemplo. Apenas um, uma pequena troca de informação entre o meu filho e eu: para ele me informar o código de uma passagem para São Paulo/Lisboa. Como foi ele que marcou a passagem, eu só podia mexer no meu ticket com o tal código (existiam códigos em 1957?).
Eu, em casa, esperando e nada. Comecei a ficar aflito. Mandei um Whatsapp: “E então?”. Ele estava fora do ar, mandei então um e-mail, com a mesma mensagem. Recado do celular. Nada. Daí uns vinte minutos chega a resposta pelo e-mail: “Já mandei”. E eu fiz a pergunta que bagunçou tudo: “por onde?”, pelo Whats­app.
– Não foi por aqui?
– Não. Onde você está? Eu estou no zapzap.
Ele, pelo Messenger?
– Ih... Tenho certeza que mandei. Será que foi pelo...? Deixa eu olhar.
Eu também fui olhar. Nada. Voltamos ao zap.
Ele: 
– Então só pode ter sido pelo Skype. Vou abrir. Ih, diz que está fazendo uma renovação do aplicativo. Please wait... No seu e-mail do gmail, será que não foi por lá?
Será que não mandou para o grupo da família dos Prata? Ou dos Góes?
Aí, eu, sem ficar nervoso, peço:
– Antonio, pode me telefonar?
– Acho que vai ser melhor, senão tu vai perder o voo. Me lembro que começava com GO...
Me telefonou. E nem começava com GO. Era X5.
Perdemos mais de meia hora com isso. Do Orkut e do MSN (lembra?) pra cá a coisa acelerou. Mentira. O mundo tá parado na cara da gente. O mundo correu tanto que parou.
Talvez o rapaz que tenha ido chamar o meu pai, hoje com uns 80 anos, esteja contando para os netos o dia que ele foi buscar o doutor Prata para achar a veia da véia.
– Mas nem esses telefones com fio na parede tinha, Bizo?
– Nada!!! E era tudo mais rápido.
– E a velha, morreu?
– Nada, me lembro dela ouvindo uns anos depois um major russo e comunista, chamado Gagárin, dizer lá do céu: “a terra é azul”. Comecinho dos anos 60. Ninguém sabia que a terra era azul. Ninguém tinha visto ainda, né? Hoje deve estar meio cinza. Não a véia, a Terra. Acho que a dona Cacilda chegou até à minissaia!!! Ô Nenzica, tu lembra o ano que a dona Cacilda morreu?
– Pedi prus mininu olhá no gugo. Foi quando o Brasil foi bicampeão no Chile.
Todos, em dois toques.
– Sessenta e dois!
– A gente era novinho, né, meu capiau?

Crônica de Mario Prata, escritor, dramaturgo, jornalista e cronista. Tem mais de 80 títulos publicados, entre romances, contos, roteiros e peças teatrais.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Pensante

Minha cabeça
Pensante
De vento
Quebra mar
Dói
No peito.

Texto e foto: Mari Martins

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Inquietude



Eu, gosto de silêncio, mas, ultimamente, sinto minha alma inquieta e barulhenta. Creio que seja a menopausa ou influência do meu signo ascendente, rs. Talvez seja a inquietação do "envelhecer" ou o fato de resolver ser mãe tardiamente e "temer" falhar  na educação do meu filho.
Texto e foto: by Mari Martins


domingo, 31 de dezembro de 2017

Vá se benzer!

https://youtu.be/ihvcLS68be8

Vídeo do YouTube
Preta Gil e Gal Costa - Vá se benzer

sábado, 30 de dezembro de 2017

Crença

As pessoas acham que "temem" a infelicidade, mas no fundo, elas "temem" a felicidade.
Texto e foto: Mari Martins



Quebra mar

Minha cabeça 
Pensante
De vento
Quebra mar
Dói 
No peito.


Texto e foto: Mari Martins



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Alta tensão




Vídeo do YouTube
Maria Bethânia interpretando o poema de Bruna Lombardi "Alta Tensão".

O anjo



Vídeo do YouTube
Bruna Lombardi - O anjo

Charge

Imagem relacionada



Fonte: http://tomandjudyonablog.blogspot.com.br/2010/07/technology-overload.html

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Eu não sei!

Resultado de imagem para ponto de interrogação



A vida, as pessoas, a tecnologia, tem nos obrigado a saber de tudo o tempo todo e nos coloca numa posição tragicômica. Já reparou que hoje em dia as pessoas tem vergonha de dizer "eu não sei". As pessoas ficam intimidadas por demonstrar falta de conhecimento com relação a qualquer assunto que seja. A Internet, o estar online o tempo todo, as Redes Sociais, o Google e todas as ferramentas de pesquisa acessadas o tempo todo. Corremos lá, nem digitamos mais, usamos a pesquisa por voz e dá-lhe, lá estamos nós falando de algo que nem achamos interessante e nem trás utilidade para nossas vidas. As pessoas estão ficando bitoladas, paranoicas e sufocadas com tanta informação, que às vezes, nem lhes é pertinente.

Há algumas semanas, deixei meu filho de queixo caído porque disse a ele que não sabia a resposta para uma pergunta que ele me fez, ele ficou olhando para mim chocado. Eu disse a ele: - Por que você acha que eu tenho que ter resposta para tudo? Eu sou uma pessoa, um ser humano como outro qualquer. Ele se sentiu aliviado por saber que sou uma pessoa comum, percebi isso no rosto dele. Às vezes, ele começa a fazer birra no meio da tarefa e fala que eu não entendo nada, ele não sabe de nada e eu sei tudo. Expliquei a ele, que não é exatamente assim que a coisa funciona, que ele sabe muitas coisas que eu não sei e que eu sei muitas coisas que ele não sabe e assim a gente vai vivendo, um ensinando o outro e ele ficou feliz em ouvir aquilo. 

Eu não quero ser "onisciente, onipresente e onipotente". Isso eu deixo para DEUS!

Eu quero, inclusive, poder ser um ser humano que não sabe de tudo! Um ser humano normal!

Ah, me desculpem se escrevi algo errado ou não usei a pontuação corretamente, rs.

By Mari Martins


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Eu ando pelo mundo...




Vídeo do YouTube
Adriana Calcanhotto - Esquadros

Atenção dos pais pode reduzir risco de abuso de drogas na adolescência

Atenção dos pais pode reduzir risco de abuso de drogas na adolescência


Pais que exigem o cumprimento de regras e que monitoram constantemente as atividades dos filhos – buscando saber onde estão, com quem e o que fazem – correm menor risco de enfrentar problemas relacionados ao abuso de álcool e de outras drogas quando as crianças entram na adolescência.
A probabilidade torna-se ainda menor quando, além de monitorar e cobrar, os pais também abrem espaço para o diálogo, explicam o motivo das regras e se mostram presentes no dia a dia dos filhos, dispostos a acolher suas dificuldades – característica parental que especialistas chamam de “responsividade”.
A conclusão é de uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 6.381 jovens de seis cidades brasileiras. Os resultados acabam de ser publicados na revista Drug and Alcohol Dependence.
“A principal conclusão do estudo é que o estilo parental, ou seja, o modo como os pais educam seus filhos, pode ser um fator de proteção ou de risco para o consumo de álcool e outras drogas na adolescência. Isso significa que os programas escolares de prevenção devem, além de conscientizar as crianças, também se preocupar em treinar habilidades parentais”, disse Zila Sanchez, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenadora da pesquisa apoiada pela FAPESP.
Os dados foram coletados em 62 escolas públicas das cidades de Tubarão (SC), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Fortaleza (CE) e Brasília (DF). Participaram do levantamento estudantes de 7º e 8º anos do ensino fundamental. A idade média dos entrevistados foi de 12,5 anos.
“Optamos por trabalhar com jovens que haviam acabado de entrar na adolescência para avaliar se, nessa fase, o estilo parental já estava influenciando o consumo de substâncias. Entretanto, como ainda são muito jovens, a prevalência de consumo ainda é baixa. Por esse motivo, consideramos no questionário quem havia feito uso ao menos uma vez no último ano”, explicou Sanchez.
Os questionários foram preenchidos pelos próprios adolescentes, sem a presença do professor, e depositados anonimamente em envelopes pardos – de modo a evitar inibição e constrangimento. Além de perguntas sobre o uso de drogas, também foram incluídas questões sobre o estilo parental (como os jovens percebiam os pais), condições socioeconômicas, comportamento sexual e violência escolar, entre outras.
A análise das respostas foi feita durante o doutorado de Juliana Valente, com Bolsa da FAPESP e orientação de Sanchez.
Por meio de um modelo estatístico conhecido como análise de classes latentes, foi possível dividir os entrevistados em três grupos de uso de drogas. A mais prevalente, com 81,54%, foi a classe dos “abstinentes/usuários leves”. Em seguida, com 16,65%, vieram aqueles considerados “usuários de álcool/bebedores pesados”. Por último, com 1,8%, os “poliusuários”, ou seja, aqueles que, além de álcool, usaram no último ano substâncias como tabaco, maconha, cocaína, crack ou inalantes (benzina e cola de sapateiro, por exemplo).
“O passo seguinte foi avaliar se os estilos parentais estavam associados a algum desses três perfis de consumo. Para isso, os pais também foram classificados em quatro tipos diferentes – segundo a avaliação dos adolescentes e critérios estabelecidos na literatura científica”, explicou Sanchez.
Com base em uma escala de avaliação consagrada em estudos internacionais e validada no Brasil, os perfis parentais foram classificados de acordo com dois domínios principais: “exigência” – o quanto os pais monitoram as atividades dos filhos e demandam o cumprimento de regras – e “responsividade” – o quanto são sensíveis às demandas dos filhos e abertos ao diálogo.
Pais com escore alto nos dois domínios foram classificados como “autoritativos”. Aqueles com escore alto apenas no domínio da exigência foram classificados como “autoritários”. Pais responsivos, mas que não monitoram as atividades dos filhos ou não se apegam a regras foram considerados “indulgentes”. Por último, aqueles com escore baixo nos dois domínios foram classificados como “negligentes”.
De modo semelhante ao observado em estudos internacionais, o estilo “autoritativo” foi o mais protetor, seguido pelo “autoritário” e, na sequência, pelo “indulgente”. Como ressaltaram os pesquisadores no artigo, os pais “negligentes” são os que colocam os adolescentes em maior risco de pertencer às duas classes de usuários de drogas encontradas no estudo: usuários de álcool/bebedores pesados e poliusuários.
“O fato de o ‘autoritativo’ ser o mais protetor e o ‘negligente’ o de maior risco já era esperado. Porém, ainda havia na literatura científica uma discussão em relação aos estilos ‘autoritário’ e ‘indulgente’. Não estava claro qual deles seria melhor. Os achados deste estudo reforçam a função protetora que a dimensão da exigência, composta por monitoramento parental e estímulo ao cumprimento de regra, desempenha na prevenção do consumo de drogas na adolescência”, disse Valente.
Ricos bebem mais
Um dado que chamou a atenção do grupo da Unifesp foi que, quanto mais alta era a classe social do entrevistado, maior era a probabilidade de pertencer aos grupos de bebedores pesados ou poliusuários. De acordo com Sanchez, o achado contraria dados de estudos norte-americanos e europeus, onde a pobreza é considerada um fator de risco para o uso de álcool e drogas na adolescência. Porém, vai ao encontro de dados brasileiros anteriores para a mesma faixa etária.
“Esse dado é bem curioso e mostra que não podemos simplesmente importar dados relacionados a fatores de risco e proteção para programas de prevenção de uso de drogas, sem considerar diferenças culturais”, disse Sanchez.
Segundo Valente, as análises estatísticas não permitiram associar os diferentes modelos de educação a uma classe social específica, ou seja, houve uma distribuição homogênea dos estilos parentais entre as diferentes faixas de renda.
A coleta dos dados ocorreu no fim de 2014, no âmbito de um projeto financiado pelo Ministério da Saúde. A equipe da Unifesp foi escalada pelo órgão governamental para avaliar nas 62 escolas selecionadas a efetividade de um programa de prevenção ao uso de drogas intitulado #Tamojunto.
“Esse programa foi trazido da Europa, onde apresentou bons resultados, e adaptado pelo Ministério da Saúde. Além de passar conhecimentos sobre as drogas para os jovens, buscava trabalhar o desenvolvimento de habilidades pessoais e interpessoais. Porém, aqui no Brasil, não observamos efetividade para as mesmas medidas europeias”, contou Valente.
Como explicou Sanchez, os dados analisados durante o doutorado de Valente, que embasam o artigo agora publicado, foram coletados antes da aplicação do programa #Tamojunto e não têm relação com seus resultados.
O artigo Gradient of association between parenting styles and patterns of drug use in adolescence: A latent class analysis, de Juliana Y.Valente, Hugo Cogo-Moreira e Zila M. Sanchez, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0376871617304465?via%3Dihub
Fonte: Agência Fapesp

Tempo na UTI neonatal pode ter impacto no comportamento de bebês prematuros



O bebê nasceu antes do esperado. É preciso ir imediatamente para a UTI neonatal, pois só assim ele sobreviverá. Como o pulmão ainda não está completamente formado, em minutos ele é entubado. O equipamento indica que o coração bate forte, mas ainda é preciso uma série de procedimentos, alguns dolorosos, para que ele ganhe peso e sobreviva.
A cena é muito comum, ainda mais no Brasil que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, é o 10º país com a maior taxa de nascimento prematuro. Mas a cena revela também a existência de um paradoxo: ao mesmo tempo que a UTI neonatal é altamente estressante para o bebê, é somente nesse ambiente e com o apoio da equipe multiprofissional especializada em recém-nascidos que ele pode sobreviver.
De acordo com estudo realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), apoiado pela FAPESP, independentemente do nível de prematuridade e da presença de displasia pulmonar e retinopatia da prematuridade, é o tempo de internação na UTI neonatal que impacta nos problemas de comportamento relacionados ao eixo de regulação emocional dos bebês.
Para os pesquisadores, o achado confirma a necessidade de programas de cuidados do desenvolvimento na estrutura das UTIs neonatais, tanto para reduzir experiências estressantes e dolorosas como para melhorar as estratégias de proteção durante o desenvolvimento inicial do bebê.
O estudo examinou efeitos das características neonatais e sociodemográficas sobre o temperamento e o comportamento na infância em 100 bebês prematuros de 18 a 36 meses de idade com diferentes níveis de prematuridade.
Todos os bebês participaram do programa de atendimento da UTI Neonatal do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da FMRP-USP, local onde foram aplicadas a escala de temperamento, que avalia o perfil de temperamento dessas crianças, e uma escala de indicadores e problemas de comportamento.
As mães dos bebês que preencheram os critérios de inclusão no estudo – entendimento de como funcionam os instrumentos usados para a avaliação do temperamento – participaram com entrevistas e respondendo a questionários.
Crianças com malformação, grau três de hemorragia intracraniana e com aparente problema cognitivo não participaram do estudo. Trinta e seis crianças participantes apresentaram displasia broncopulmonar e 63, retinopatia severa da prematuridade, as doenças mais comuns entre prematuros.
“Estudos anteriores compararam crianças nascidas pré-termo e a termo, visto que as pré-termo têm maior propensão a apresentar problemas de comportamento. No nosso estudo, avançamos no entendimento do desenvolvimento dos prematuros. O risco existe, mas é identificando esses riscos que podemos elaborar estratégias de proteção, prevenção e intervenção para melhorar o desenvolvimento dessas crianças”, disse Rafaela Guilherme Monte Cassiano, psicóloga, doutoranda do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP-USP e uma das autoras do estudo, publicado na revista Early Human Development.
De acordo com o estudo, as experiências estressantes relacionadas à dor neonatal podem causar danos ao desenvolvimento da criança tanto no início da vida como em etapas posteriores.
“Além disso, o ambiente da UTI neonatal tem outros fatores que podem prejudicar o desenvolvimento infantil, como o alto nível de ruído, a alta luminosidade, estímulos tácteis repetitivos e a separação materna”, escreveram os pesquisadores.
Janela de oportunidade
Maria Beatriz Martins Linhares, professora associada da FMRP-USP e orientadora do estudo, explica que a fase inicial é uma espécie de janela de oportunidade para o desenvolvimento ao longo de toda a vida do indivíduo.
“A regulação fisiológica inicial e emocional é uma precursora para a série de processos de regulação de comportamento. Por isso, é importante lembrar que a partir de problemas de comportamento nessa idade é possível identificar indicadores de risco de problemas de comportamento na vida adulta. Até os seis anos de idade temos um potencial de prevenção desses problemas”, disse.
O processo de autorregulação se completa aos cinco anos de idade. No entanto, com cerca de 18 meses, a regulação emocional é aprimorada, com a subsequente regulação de comportamento.
“O autocontrole emerge em torno de três ou quatro anos de idade com o desenvolvimento do sistema de atenção, que é relevante para controle voluntário, aumentando o potencial de regulação do comportamento”, escreveram os autores.
Já o temperamento da criança geralmente muda ao longo de seu desenvolvimento. “Portanto, com o desenvolvimento típico da criança, os sistemas reativos iniciais tornam-se cada vez mais regulados na medida em que os sistemas de controle de inibição direcionados ao medo e controle de atenção amadurecem”, disseram.
Porém, ao estudar os 100 bebês prematuros, foi observado que aqueles que precisaram permanecer mais tempo nas UTIs demonstraram indicadores de problemas comportamentais.
“O desenvolvimento envolve o crescimento físico, as habilidades – nas áreas de linguagem, locomoção, motora – e também os aspectos afetivos, sociais e comportamentais. Portanto, da mesma forma que o desenvolvimento motor precisa ser acompanhado, os indicadores do comportamento e traços do temperamento também devem ser”, disse Linhares.
Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 6 de novembro de 2017