sexta-feira, 26 de maio de 2017

Você está sendo vigiado!

Por mais simples que sejam as fotos postadas nas redes sociais, algoritmos podem extrair delas informações importantes, principalmente se forem adicionados dados de smartphones, câmeras de segurança, GPS e microfones.
Por meio de metadados, é possível descobrir onde você esteve, com quem e em qual horário. Até mesmo placas de restaurantes ou detalhes ao fundo da foto podem ser pistas, assim como o horário pode ser descoberto pela posição das sombras.
Algoritmos são capazes de identificar indivíduos em vídeos de câmeras de segurança até mesmo pelo modo de andar. E não para por aí: pesquisadores do Instituto Nacional de Informática do Japão anunciaram que copiaram a impressão digital de uma pessoa, por meio de uma foto de câmera digital comum, a três metros de distância.

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 79



Proliferação de fake news


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A proliferação de notícias falsas na internet – as chamadas fake news – vêm sendo motivo de preocupação e debate em todo o mundo. Contudo, o Wikitribune promete ajudar a reverter a situação. Criado pelo fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, o site colaborativo será lançado com o objetivo de conter a difusão cada vez maior de notícias falsas, reunindo jornalistas e uma comunidade de voluntários para produzir reportagens, com acesso gratuito e sem propagandas. Por isso, dependerá dos leitores para se financiar. Segundo Wales, a veracidade das reportagens poderá ser facilmente verificada porque será publicado o material usado como fonte.

Imagem by Google

sábado, 13 de maio de 2017

Nos bosques...



NOS BOSQUES, perdido, cortei um ramo escuro
e aos lábios, sedento, levantei seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino fendido ou um coração cortado.


Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um grito ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida escuridão das folhas.


Por ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
e seu vagante olor subiu por meu critério.


como se me buscassem de repente as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e me detive ferido pelo aroma errante.


Poema by Pablo Neruda
Foto by Mari Martins



quinta-feira, 11 de maio de 2017

Te amo!



Vídeo do YouTube
Pablo Neruda - Te amo

Neruda




RECORDARÁS aquela quebrada caprichosa
onde os aromas palpitantes subiram,
de quando em quando um pássaro vestido
com água e lentidão: traje de inverno.


Recordarás os dons da terra:
irascível fragrância, barro de ouro,
ervas do mato, loucas raízes,
sortílegos espinhos como espadas.


Recordarás o ramo que trouxeste,
ramo de sombra e água com silêncio,
ramo como uma pedra com espuma.


E aquela vez foi como nunca e sempre:
vamos ali onde não espera nada
e achamos tudo o que está esperando.


Poema by Pablo Neruda
Foto by Mari Martins



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Trem-Bala



Vídeo do YouTube
Trem-Bala - Ana Vilela

Novo chip para detectar vírus da dengue é desenvolvido


Resultado de imagem para chip para detectar vírus da dengue

Estatísticas epidemiológicas de doenças transmitidas por mosquitos impressionam. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em 2016 foram notificados cerca de 1,5 milhão de casos de dengue, 272 mil de febre chikungunya e 215 mil de febre Zika. Em 2015, foram 143 mil casos de malária.
Estratégias de combate a essas epidemias incluem prevenção – por meio do combate às diversas espécies de mosquitos transmissores –, desenvolvimento de vacinas, vigilância epidemiológica com rápido diagnóstico dos doentes e tratamento clínico e ambulatorial.
No quesito da vigilância epidemiológica, grupos em universidades brasileiras pesquisam o desenvolvimento de biossensores de baixo custo para acelerar o diagnóstico. Um exemplo é o imunochip para detecção de doença da dengue que está em desenvolvimento no grupo BioPol dos Departamentos de Química e de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.
“No nosso sensor, a detecção da doença da dengue é indireta. O que se detecta não é o vírus, mas um antígeno característico da infecção. Essa detecção se dá através de anticorpos ancorados no biossensor, que detectam rapidamente a presença do antígeno no soro e, indiretamente, nos dá a resposta de infecção”, disse o doutorando em bioquímica Cleverton Pirich, um dos autores do estudo.
O imunochip é capaz de detectar a presença de moléculas do antígeno (NS1) para a dengue em soro sanguíneo, fornecendo um resultado positivo ou negativo de forma rápida. Resultados do trabalho foram publicados no periódico Biosensors and Bioelectronics.
O sensor é baseado na tecnologia das microbalanças de cristal de quartzo (MCQ). O termo microbalança se refere à capacidade desses dispositivos detectarem quantidades de uma molécula, a exemplo de uma proteína, na ordem de nanogramas (bilionésimos de grama).
Isso é possível devido a uma propriedade eletroquímica chamada efeito piezoelétrico. Piezoeletricidade é a capacidade de alguns cristais gerarem tensão elétrica como resposta a uma pressão mecânica.
Os sensores piezoelétricos são dispositivos que usam o efeito piezoelétrico para medir pressão, aceleração, tensão ou força, convertendo-os em sinal elétrico.
Para validar os resultados e a eficiência do imunochip desenvolvido em Curitiba, Pirich e sua orientadora, a professora Maria Rita Sierakowski, contaram com a colaboração do professor Roberto Manuel Torresi, do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo, quanto ao funcionamento e interpretação de resultados em uma microbalança com dissipação de energia (MCQ-D).
“A microbalança utiliza o efeito piezoelétrico reverso. No caso específico do novo imunochip, um sinal elétrico é aplicado ao cristal e a frequência desse sinal muda quando algumas moléculas de antígeno (NS1) para a dengue presentes em uma amostra se depositam sobre o cristal”, disse Torresi.
No laboratório coordenado pelo professor Torresi há uma das mais sofisticadas e precisas microbalanças de cristal de quartzo em operação no Brasil. O equipamento foi adquirido com apoio da FAPESP.
Assim como o imunochip, a microbalança MCQ-D também baseia sua operação na detecção utilizando efeito piezoelétrico reverso. Só que sua precisão é de outra ordem de grandeza, além de detectar também mudanças reológicas.
“A microbalança do nosso laboratório é muito mais sofisticada que outras existentes no país”, disse Torresi, que também assina o artigo publicado na Biosensors and Bioelectronics e coordena o Projeto Temático “Otimização das propriedades físico-químicas de materiais nanoestruturados e suas aplicações em reconhecimento molecular, catálise e conversão/armazenamento de energia".
A microbalança do IQ (MCQ-D) e as do BioPol (MCQ, adquirida com apoio da Capes, e MCQ-D, com apoio da Finep) confirmaram a presença do antígeno NS1 para a doença da dengue em todas as amostras de soro que foram contaminadas por acréscimo desse antígeno, para as quais o imunochip havia sido produzido contendo o anticorpo NS1, resultando num resultado positivo de detecção.
Aplicações ambientais
“O imunochip foi desenvolvido para detectar moléculas do antígeno da doença da dengue em qualquer material em meio líquido. Mas o princípio pode ser aplicado na detecção de outras doenças, assim como em aplicações ambientais e saúde para detectar moléculas contaminantes presentes em água, alimentos e meio ambiente, por exemplo”, disse Sierakowski.
A base do imunochip é um cristal de quartzo importado, sobre a qual são depositados os demais componentes em finas camadas. A primeira, logo acima do cristal, é de ouro. Imediatamente acima está uma película de um polímero chamado polietilenimina.
Por fim, sobre o polímero é colocado um nanofilme de nanocristais de celulose, oriundo de tratamento químico de resíduos industriais de celulose bacteriana, preparado para reagir quimicamente na presença do antígeno da dengue. A reação química acarreta uma mudança de resposta dos nanocristais, que é refletida pela alteração dos seus padrões de frequência e de dissipação de energia.
É a mensuração precisa da mudança desses padrões de frequência e de dissipação de energia que indicará a presença ou não do antígeno para a doença da dengue e, por consequência, se o paciente de quem aquela amostra foi obtida está ou não infectado pelo vírus da dengue.
O processo pode parecer longo, mas, após o desenvolvimento do biossensor, a resposta é praticamente imediata. Pinga-se a amostra sobre o biossensor e se obtém o resultado com precisão. A presença do antígeno (NS1) para a dengue é determinada a partir de quantidades de 0,03 micrograma por mililitro.
“O mais importante para um paciente no diagnóstico não é saber quantas moléculas de antígeno há na amostra. O que interessa para ele é saber se está ou não infectado e, caso esteja, começar o mais rápido possível o tratamento correto. Visando somente um diagnóstico qualitativo, ou seja, com uma resposta positiva ou negativa, isso abre margem para o desenvolvimento de equipamentos mais simples, baratos e acessíveis que cumpram esse propósito”, disse Pirich.
“Como foi discutido e demonstrado em nosso trabalho, um imunochip desse, se desenvolvido e comercializado, poderá ser uma ferramenta de diagnóstico em tempo real, capaz de fornecer resultados em aproximadamente 15 minutos”, disse.
O artigo  Piezoelectric immunochip coated with thin films of bacterial cellulose nanocrystals  for  dengue  detection  (doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.bios.2017.01.068),  de Cleverton Luiz Pirich,  Rilton Alves de Freitas,  Roberto Manuel Torresi,  Guilherme Fadel Picheth e Maria Rita Sierakowski, pode ser lido em:  www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0956566317300684
Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 9 de maio de 2017

O poder da respiração




Respire fundo, expandindo a barriga. Dê uma pausa. Solte o ar lentamente contando até cinco. Repita quatro vezes. Parabéns, você acabou de acalmar o seu sistema nervoso. Isso porque a respiração controlada (há várias técnicas) reduz o estresse, melhora o sistema imunológico, reduz a insônia, a depressão e o déficit de atenção. Mudar conscientemente a respiração pode mandar sinais para o cérebro ajustar o ramo parassimpático do sistema nervoso, diminuindo a frequência cardíaca e a velocidade da digestão, promovendo uma sensação de calma, e também do sistema simpático, que controla a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol, explicou Richard Brown, professor clínico associado de Psiquiatria da Universidade de Colúmbia e coautor do estudo O Poder de Cura da Respiração.

Fonte: Revista Ser Médico nº 78


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Contato imediato




Vídeo do YouTube
Arnaldo Antunes - Contato imediato

Robo detecta Sepses




Uma nova tecnologia desenvolvida por um analista de sistemas brasileiro está ajudando médicos e enfermeiros do Paraná a salvar vidas e a reduzir os casos de sepse, uma das principais causas de morte hospitalar. A missão do robô, denominado Laura, é detectar, a cada 3,8 segundos, qual paciente está em estado mais crítico em todo o hospital. Em sua tela são indicadas as alterações nos dados vitais dos pacientes e nos exames laboratoriais, alertando, quando é o caso, as equipes do pronto socorro. Em dois meses de funcionamento do robô foi observada uma redução de 63% nos casos de sepse entre os pacientes.

Fonte: Revista Ser Médico nº 78






quinta-feira, 4 de maio de 2017

Adorei essa novidade!



Um grupo de brasileiros, que reúne desenvolvedores de softwares e um sociólogo, resolveu combater a corrupção criando uma plataforma, apelidada de Rosie (inspirado no desenho “Os Jetsons”), para identificar como os deputados federais utilizam a verba pública. A iniciativa – financiada por crowdfunding (financiamento coletivo) – analisa, por exemplo, pagamentos feitos em curto prazo em cidades muito distantes, compras feitas fora de Brasília enquanto o deputado discursava em plenário, valores considerados acima do normal e outras contradições. Em novembro último, no primeiro teste, Rosie identificou 40 anomalias, das quais nove foram reconhecidas pela Câmara como mau uso de verba, como 13 almoços no mesmo dia reembolsados a um deputado de Santa Catarina.

Fonte: Revista Ser Médico nº 78



Adeus computador?!




São raras as pessoas que ainda utilizam o computador para acessar as redes sociais após a revolução tecnológica proporcionada por smartphones e tablets, que possibilitaram o acesso mais rápido à informação, conteúdos e filmes, entre outros. O computador ficou restrito a algumas atividades específicas. E, se depender do novo processador Snapdragon 835, a transição de praticamente todas as atividades para o celular está próxima.  O aparelho, desenvolvido por uma empresa norte-americana, tem chip de 10 nanômetros (tamanho equivalente a 0,000001 cm), octa-core (oito núcleos) e velocidade máxima de 2,45 GHz. Traduzindo: a mudança significa, entre outras possibilidades, um processador 35% menor, que usa 25% menos energia, roda novos programas e consegue carregar cinco horas de bateria em cinco minutos.

Fonte: Revista Ser Médico nº 78


domingo, 30 de abril de 2017

Dica cultural



Você pode assistir Claude Monet (1840-1926) pintando suas Ninfeias (plantas aquáticas), na famosa casa em Giverny, França, onde viveu 43 anos, até sua morte. A internet pode nos proporcionar experiências incríveis, até, mesmo, coisas que parecem fora de cogitação. O YouTube, torna isso possível. O raríssimo vídeo do pintor impressionista, foi gravado em 1915. Atualmente, a antiga residência de Monet é um museu dedicado a ele, e abriga a Fundação Monet. Confira em: https://www.youtube.com/watch?v=Mt17zgixo78

Imagem by Google


Eles não brincam em serviço!

Tianhe 2, tem uma velocidade de processamento de pico de 33,86 quatrilhões de operações de ponto flutuante por segundo (petaflops), derivado de 16.000 nós de computador, enquanto tem um poder de processamento máximo teórico de 54.9 petaflops.





A China, agora, está empenhada em produzir um supercomputador com capacidade igual à do cérebro humano. Previsto para 2020, o Exascale 10 – que será mais potente do que qualquer máquina já existente – trará notáveis avanços para a chamada “supercomputação”, que utiliza processamento de grandes volumes de dados e computação em nuvem. Prevê-se que ele será 10 vezes mais potente que os atuais líderes, o Sunway TaihuLight e o Tianhe-2, também chineses. O terceiro lugar fica com o computador do Departamento de Energia dos Estados Unidos, o Titan.  E,  como  se  não  bastasse,  o  Exascale  10  será  o  primeiro supercomputador chinês que não utilizará nenhuma tecnologia norte-americana.

Imagem by Google


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lispector por Bethânia



Vídeo do YouTube
Poesia & Prosa - Maria Bethânia - Episódio: Clarice Lispector

Remanso



Quero me deitar no colo do silêncio
e criar pros meus ouvidos, somente,
sons que embalam a alma
na harmonia das coisas simples e calmas.


Texto e foto: Mari Martins




sexta-feira, 17 de março de 2017

Mãos dadas



Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade (poema do livro Sentimento do mundo)
Foto by Mari Martins


Aids: novos e velhos desafios




Há três décadas, a Aids era uma sentença de morte. Hoje, é considerada uma doença crônica. Os progressos da ciência nos campos do diagnóstico e tratamento da doença, aliados a políticas públicas no País, vêm possibilitando melhor qualidade de vida às pessoas que vivem com HIV.
Os dados estatísticos confirmam uma melhoria no diagnóstico e tratamento precoces, melhor adesão e retenção das pessoas vivendo com HIV em nosso Estado. Atualmente, a morte por Aids ocorre devido ao diagnóstico tardio ou falência terapêutica. As pessoas vivendo com HIV, com seguimento adequado em serviços especializados, podem ter qualidade de vida por tempo indeterminado.
No mundo e no Brasil, a tuberculose é a principal causa de morte entre pacientes com Aids. Dos casos diagnosticados, cerca de 10% são de pacientes também infectados pelo HIV. Todas as pessoas com tuberculose devem ter acesso a esse diagnóstico.
O desafio atual reside, sem dúvida, no campo da promoção dos direitos humanos e prevenção a novas infecções junto a jovens HSH (homens que fazem sexo com homens). Não é mais possível contar com insumos isolados. É preciso uma estratégia ampliada, capaz de dar conta em especial de populações mais vulneráveis.
Desde o início da epidemia de Aids, a promoção do uso do preservativo tem sido a principal estratégia empregada para a prevenção da infecção pelo HIV no Brasil. Esse cenário vem se modificando ao longo do tempo à medida que outras estratégias comportamentais e tecnologias biomédicas de prevenção começam a se mostrar efetivas e disponíveis para a população.
Prevenção Combinada
Entende-se por Prevenção Combinada um conjunto de medidas e estratégias que ajudam as pessoas a evitar a infecção pelo HIV: testagem, camisinha, Profilaxia pré-exposição (PrEP), Profilaxia pós-exposição (PEP), tratamento como prevenção e práticas de menor risco.
A Prevenção Combinada deve ser vista sob três aspectos: como uma combinação de diversas estratégias comportamentais e/ou biomédicas em diferentes momentos da vida de uma pessoa; a partir da sua realidade e dentro das suas possibilidades, num processo de aconselhamento dialogado e não prescritivo, orientado pelo respeito aos direitos humanos e à autonomia das pessoas; e por políticas públicas que garantam acolhimento, informação e acesso aos serviços de saúde e aos insumos de prevenção, principalmente para as pessoas mais vulneráveis. Combinar as diferentes estratégias aumenta a chance de êxito técnico da prevenção, mas também é fundamental que essas façam sentido para quem vai utilizá-las no dia a dia para, assim, aumentar o seu sucesso na prática.
Diante desse contexto, estamos investindo em três grandes frentes – campanhas publicitárias voltadas ao diagnóstico precoce, atividades de incentivo a testagem e prevenção combinada.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que os médicos ofereçam aos pacientes, em consulta médica – considerando a conveniência e a oportunidade –, a solicitação de testes sorológicos para o HIV, sífilis, hepatites B e C, bem como a orientação sobre a prevenção dessas infecções. Essa iniciativa, publicada em 15 de março do ano passado, por meio da “Recomendação nº 2/2016”, pode ajudar a ampliar o diagnóstico da infecção pelo HIV em nosso meio.
A ampliação do acesso ao teste depende da implantação de diferentes estratégias que, ao final, são complementares, como oferta na rotina de atendimento ambulatorial independentemente da especialidade, nas unidades de atendimento de Urgência e Emergência, nos Centros de Testagem e Aconselhamento, em campanhas e mobilizações de testagem em datas estratégicas, e ações de testagem focadas em grupos de pessoas mais vulneráveis, realizadas por profissionais de saúde e por agentes da sociedade civil organizada (por meio de ONGs). Para a realização do diagnóstico do HIV dispomos do método sorológico e do teste rápido, que são complementares.
Cidadania e direitos humanos
Para além da tecnologia, percebemos a necessidade de continuar investindo no combate ao preconceito e à discriminação em relação às pessoas vivendo com HIV e populações mais vulneráveis (HSH, travestis e transexuais, profissionais do sexo).
Pesquisa realizada pelo CRT DST/Aids-SP, em parceira com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em 2011, na cidade de São Paulo, aponta que gays, HSH e transgêneros (travestis e transexuais) ainda sofrem sérios preconceitos e discriminação. Entre 1.217 participantes, 33,5% declararam ter sofrido abuso, 15,1% sofreram agressões físicas e 62,3% ofensa verbal. As agressões ocorreram na escola, em casa, no trabalho e por policiais em espaços públicos.
É importante ressaltar que até o surgimento da Aids, o acesso de transgêneros aos serviços públicos de saúde no Estado de São Paulo era praticamente nulo, circunscrito a situações de urgência ou de emergência. Para melhor atender essa população foi criado, em 2009, o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do CRT DST/Aids-SP. O serviço é considerado uma referência para o País em termos de assistência e direitos humanos. Pesquisas têm sido realizadas, em parceria com universidades, para identificar as barreiras de acesso dessa população aos serviços de saúde.
Meta 90-90-90
A ambiciosa meta 90-90-90, do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), aponta a necessidade de avançarmos nas estratégias de prevenção, acesso ao diagnóstico e tratamento. Espera-se, com essa meta, que, até 2020, 90% de todas as pessoas com HIV saberão que têm o vírus, 90% de todas as pessoas com infecção pelo HIV diagnosticadas receberão terapia antirretroviral, ininterruptamente, e 90% de todas as pessoas recebendo terapia antirretroviral terão supressão viral. Com isso, poderíamos vislumbrar, em 2030, o fim da epidemia de Aids no mundo.
Para que isso seja possível, nas próximas décadas, é indispensável continuar investindo na melhoria da qualidade dos serviços e na capacitação dos profissionais de saúde. E, sobretudo, criar mecanismos para reduzir o preconceito e a discriminação em relação às pessoas vivendo com HIV/Aids e populações mais vulneráveis, para que essas tenham pleno direito à saúde e ao exercício de sua cidadania.

Revista Ser Médico - Edição 78



segunda-feira, 13 de março de 2017

Na padaria inglesa




Quando o Zeluiz Franchini Ribeiro mudava de casa, o primeiro item da nova moradia era: uma padaria na esquina. Tendo uma padaria por perto, o resto era lucro. Tamanho, número de quartos e de vagas na garagem, silêncio, etc., era o de menos. O Zeluiz não conseguia viver sem uma padaria logo ali.
Era ali, no balcão, que ele era mais ele. Aquelas conversas com o bêbado anônimo de cotovelo amassado. Zeluiz chegava ao cúmulo de classificar as padarias por coxinhas. Quando a padaria era ótima, era uma cinco coxinhas. Zeluiz subiu na vida, mas nunca abandonou uma boa padaria. Sem um balcão ele não vivia.
Foi quando foi mandado, pela Globo, para uma convenção em Londres. Nem bem se instalou no hotel e já foi dar a volta, procurando a padaria. Primeira viagem ao exterior mal sabia ele que padaria, enquanto padaria, só mesmo no Brasil. Nem mesmo em Portugal, matriz de todas as nossas padarias, tinha padaria como no Brasil. Em Portugal temos a original pastelaria. Mas não é como a nossa. Imagine, então, em Londres.
Zeluiz não falava inglês. Nem arranhava. Lembrava de alguma coisa do tempo do ginásio. Mesmo assim descolou algo parecido com uma padaria, lá na Inglaterra.
Na primeira noite, depois daquela convenção chata, padaria. Sabia pedir uma cerveja. One beer! E sabia pedir mais cerveja: one more! Pois já estava lá pela quarta, certo que dominava etilicamente o inglês, quando um ilustre britânico acotovelou-se ao seu lado. Cumprimentos com as cabeças, sem texto. Mas o inglês era chegado num papo. Afinal, ninguém vai a uma padaria impunemente.
Começou a falar, o inglês. O Zeluiz não entendia nada. Só balançava a cabeça. Dava para entender alguma coisa. O inglês, pelo o que o Zé ia entendendo, estava falando da vida de merda dele, da mulher dele. O cara estava mal mesmo. Mas o Zé, por mais que tentasse articular uma frase inteira na cabeça, logo se perdia nos verbos. Ficava calado. Não tinha a mínima ideia de qual era o problema real do gordo e ruivo súdito de sua majestade. Mas existe a solidariedade da padaria. Ele tinha que ouvir.
O inglês já estava no terceiro uísque, quando começou a chorar. O inglês já estava quase que abraçado naquele amigo que não entendia nada. Resumindo, os dois já estavam meio bêbados, como convém a frequentadores de uma honesta padaria, mesmo que falsa e inglesa.
Até que chegou uma hora, o inglês parou de falar e ficou olhando para o Zeluiz. Estava claro que era a vez do nosso personagem falar, dar uma força, uma direção para a vida do sujeito. Eles estavam ali, lado a lado, há mais de duas horas. Eram velhos amigos. Mais do que isso. Eram cúmplices. Zeluiz pediu uma saideira e the bill. O inglês também. Zeluiz tinha que dizer alguma coisa. Mas o que? Em que língua? Se ele falasse, àquela altura da amizade, que não tinha entendido porra nenhuma, era bem capaz de levar uma surra. O cara tinha contado a vida toda para ele, ele imaginava. O cara olhando, esperando. E o Zeluiz, com a maior cara de pau do mundo, colocou a mão no ombro dele e disse tudo que sabia, em inglês:
– My friend, yesterday is yesterday. Today is today. And, tomorrow is tomorrow!
Mágica. Aquilo era tudo que o inglês queria e precisava ouvir. O Zeluiz tinha resolvido o problema da vida dele. O inglês beijou o Zeluiz entre lágrimas e dizia:
– Wonderfull! Wonderfull! The best! The best!
Zeluiz pagou a conta e foi embora. Afinal, tomorrow is tomorrow e padaria inglesa nunca mais.

*Mario Prata é escritor, dramaturgo, jornalista e cronista. Tem mais de 80 títulos publicados, entre romances, contos, roteiros e peças teatrais.
Fonte: Revista Ser Médico - Edição 78




Leonardo da Vinci estava certo!



Leonardo da Vinci, mais uma vez, estava certo. Foi identificado um “novo órgão”, conhecido como mesentério, cuja primeira menção, publicamente conhecida, foi feita pelo gênio italiano em um de seus escritos sobre a anatomia humana, no início do século 16. Até pouco tempo atrás considerado como um ligamento do aparelho digestivo, o “novo órgão” passou por uma reclassificação a partir de um estudo em que cientistas concluíram que a estrutura é, na verdade, um órgão único e contínuo. O mesentério é uma dobra dupla do peritônio que une o intestino com a parede do abdômen e permite que ele se mantenha no lugar. O estudo das funções do novo órgão pode abrir caminho para novos métodos cirúrgicos do aparelho digestivo. A reclassificação foi publicada em artigo da revista The Lancet Gastroenterology & Hepatology.

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 78