terça-feira, 13 de agosto de 2019

Dica cultural




VANGUARDA BRASILEIRA DOS ANOS 1960 – COLEÇÃO ROGER WRIGHT

Com curadoria de José Augusto Ribeiro, a exposição conta com 80 obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970, no Brasil, pelos artistas mais representativos da nova figuração, do teor político e da explosão colorida do pop, como Wesley Duke Lee, Claudio Tozzi, Antonio Dias, Cildo Meireles, Nelson Leirner, Raymundo Colares, Rubens Gerchman, Carlos Zilio, entre outros.

Pinacoteca – Praça da Luz, 2, São Paulo, de quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30.
Valor: R$ 10. Gratuito aos sábados. Até 26/08/2020.


JOÃO CARLOS MARTINS E BACHIANA FILARMÔNICA




Considerado mundialmente um dos maiores intérpretes de Johann Sebastian Bach, o maestro João Carlos Martins se eleva a um escalão alcançado por poucos músicos brasileiros. E o público que for apreciar a Temporada 2019 da Bachiana Filarmônica Sesi-SP, poderá ver de perto, além do regente, a qualidade dos músicos de uma das
melhores orquestras brasileiras.

Theatro Municipal de São Paulo –Praça Ramos de Azevedo, s/nº. Dia 17/9: Mozart — Concerto para Piano e Orquestra, regente: João Carlos Martins, solista: Davi Campolongo. Dia 15/10: Concerto de encerramento da temporada: Carl Reinecke (1824-1910) - Concerto para Flauta e Orquestra, regente: Heitor Fujinami, solista: Edson Beltrami. Valores: de R$ 35 a 70.


Dica cultural

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PALIMPSESTO

A exposição do artista Alex Cerveny, com 44 imagens, manifesta as possibilidades da gravura como meio artístico. Em conjunto com as tiragens numeradas, são apresentadas as provas de impressão, revelando os diferentes processos da gravura.

Museu Lasar Segall, Rua Berta 111, São Paulo. De quarta a segunda, das 11h às 19h. Até 21/10.



segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Dossiê: Reprodução Assistida- Vanguarda

Hospital das Clínicas da USP abre novo caminho para a maternidade

 O transplante pioneiro no mundo de útero com doadora falecida resultante em bebê
saudável aconteceu no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e foi publicado em dezembro do ano passado no periódico The Lancet. O estudo em questão acompanhou receptora e sua filha até o sétimo mês de vida, quando ainda era amamentada e apresentava desenvolvimento compatível para a idade, superando dúvidas a respeito da aplicabilidade do procedimento e viabilidade do útero após isquemia prolongada. Realizada em setembro de 2016, a cirurgia – também a primeira bem-sucedida com o órgão, na América Latina – foi liderada pelos médicos Dani Ejzenberg, ginecologista e especialista em Reprodução Assistida (RA) da Disciplina de Ginecologia do HC-FMUSP, e Wellington Andraus, gastrocirurgião e coordenador da unidade de Transplante de Órgãos do Aparelho Digestivo, supervisionados pelos professores titulares Edmund Chada Baracat, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, e Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, do Departamento de Gastroenterologia, com a colaboração de especialistas em Transplantes e Endocrinologia Reprodutiva da Universidade. Conforme a equipe, o resultado da pesquisa “abre caminho para gestações saudáveis em mulheres com fator uterino de infertilidade, sem a necessidade de cirurgias com doadoras vivas”. Para atender aos critérios de admissão no estudo, a receptora deveria ter entre 21 e 38 anos, IMC menor do que 30, infertilidade uterina primária, estar em relacionamento estável por dois anos ou mais e concordar com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). À época, a selecionada tinha 32 anos, era casada há cinco, não apresentava nenhuma malformação cardíaca, renal ou óssea. Como impeditivo à gravidez, era portadora da Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH), anomalia congênita resultante em agenesia de útero, que afeta uma em cada 4.500 mulheres. A doadora – mãe de três crianças, com partos por via vaginal– teve morte encefálica aos 45 anos, em virtude de hemorragia subaracnoide. A família concordou em doar coração, fígado e rins; e decidiu fazer o mesmo com o útero. 
PEPARAÇÃO
A fase pré-operatória envolveu aconselhamento psicológico e social mensal aos futuros pais, bem como sorologias e provas de anticorpos sobre a compatibilidade entre a receptora e a doadora. Uma angiografia por tomografia computadorizada mostrou que a
receptora demonstrava anatomia venosa normal, mas fibroses próximas aos ovários (onde se localizaria o útero). Exames ginecológicos apontaram fibroses a cinco centímetros do introito vaginal. Quatro meses antes do transplante, a receptora passou por fertilização in vitro (FIV) no Centro de Reprodução Humana do HC. Em um único ciclo obtiveram- se 16 óvulos, oito dos quais atingiram a fase de blastocisto e foram criopreservados.
LITERATURA CIENTÍFICA
As evidências obtidas pelos pesquisadores da USP de que se trata do primeiro
transplante de útero com doadora morta partiram de pesquisas sistemáticas da literatura usando PubMed, LILACS, e biblioteca Cochrane, entre o ano de 1956 e maio de 2018, limitando-se a busca a artigos em língua inglesa. Até a publicação do artigo no Lancet, haviam sido descritos nove nascimentos com o uso da técnica, sendo oito em Gothenburg (2015), Suécia, e um em Dallas, EUA, todas com doadoras vivas (número agora maior, ver “Debate” nas págs. 24 a 29 desta edição). Em 2011, uma tentativa de gravidez com útero doado por falecida chegou a ser feita na Turquia, mas culminou em cinco abortamentos no início da gestação.


O TRANSPLANTE
A cirurgia da doadora começou pela dissecção e isolamento de veias ovarianas, artérias e veias uterinas, e secção suficiente da vagina para anastomose com a receptora. Durou 1h30, quando foi retirado um útero pesando 225 gramas. Na sequência, a receptora foi submetida à laparotomia infraumbilical. O implante do órgão durou 10h30 – devido à hemostasia cuidadosa e à dificuldade de sincronização entre a captação e o implante do órgão. Depois da cirurgia, a paciente permaneceu dois dias
em UTI, e seis em enfermaria especial de transplantes. A alta ocorreu após a estabilização dos níveis das medicações imunossupressoras e completa recuperação.
A primeira menstruação aconteceu 37 dias após o transplante; e a segunda, 26 dias após a primeira. Biópsias do colo uterino, para detectar eventual rejeição, foram
realizadas com períodos variados (com mais frequência no início e menos ao final), até a 34ª semana de gestação. A imunossupressão seguiu o protocolo sueco (descrito
por Brännström et al; e Mölne J et al) e foi mantida até o parto. Era intenção do grupo transferir o embrião ao útero seis meses após o transplante, mas o plano foi adiado até o próximo ciclo, pois a espessura endometrial não atingiu o limiar necessário. A implantação de um único embrião concretizou- se com ultrassonografia e dosagens hormonais seriadas que respeitaram o ciclo menstrual espontâneo da receptora. O primeiro teste de gravidez de sangue quantitativo aconteceu dez dias após a transferência do embrião. Em 15 de dezembro de 2017, foi feita a cesariana, próximo das 36 semanas de gestação, seguindo a recomendação de Brännström et al para prevenir riscos à vitalidade fetal. Ao nascimento, o bebê do sexo feminino pesava 2.550 gramas, que é adequado para a idade gestacional.
Fonte: Revista Ser Médico nº 87


Dossiê: Reprodução Assistida - Em foco

Técnicas e dilemas bioéticos frequentes

Por Concília Ortona
O universo dos que procuram por tratamentos contra a infertilidade é significativo no País. Em 2017, foram realizados 36.307 ciclos de reprodução assistida, produzidos 340.458 oócitos, transferidos 68.891 embriões e criopreservados 78.216. O Estado de São Paulo, diga-se, dominava em todas essas categorias, conforme os dados mais recentes dos Bancos de Células e Tecidos Germinativos (BCTGs) − as clínicas de
Reprodução Assistida (RA) −, compilados pelo Sistema Nacional de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os números dão a dimensão de quanto a RA ampliou-se nas últimas quatro décadas, desde o nascimento de Louise Brown, em 1978. Os avanços ocorreram, entre outras razões, pelo uso de drogas para melhorar a captação de oócitos e a qualidade de espermatozoides; e o emprego de técnicas mais detalhadas na aspiração dos gametas femininos, fecundação e acondicionamento dos embriões, em locais livres de bactérias.
Tal conjunto permite, por exemplo, que a implantação do embrião possa ser feita no 5º dia de inseminação (antes era no 3°) já em forma de blastocisto e com desenvolvimento melhor e mais garantido. Estudos de diagnóstico pré-implantacional identificam
malformações embrionárias e alterações cromossômicas capazes de inviabilizar a vida, aumentando as chances de que o embrião se desenvolva no útero.
PERFIL DOS USUÁRIOS
Até pouco tempo atrás, o público majoritário das técnicas de RA era de casais com graus variados de infertilidade primária (sem filhos) ou secundária (já geraram filhos, mas não conseguem nova gravidez). Mudanças sociais e culturais ampliaram o acesso a homoafetivos; solteiros sem parceiros, visando a garantir o futuro reprodutivo; mulheres com impedimentos maternos por doenças genéticas (como por exemplo, Síndrome de Rokitansky, malformação das estruturas que dão origem ao útero); e pacientes oncológicos de ambos os sexos, que podem congelar seus gametas e/ou embriões antes de passar por quimioterapia e radioterapia.
TÉCNICAS EM RA
• Inseminação intrauterina (IUU)
– Considerada técnica de baixa complexidade, é indicada, por exemplo, a mulheres com dificuldade moderada para engravidar; que não apresentarem obstrução tubária ou doenças uterinas que impeçam a implantação de embriões; e a homens com o espermograma com contagem baixa.
Começa com a captação e análise dos espermatozoides do parceiro ou doador, identificando os mais rápidos e mais bem direcionados. Por sua vez, a ovulação é programada com o uso de medicamentos e, no momento ideal, o espermatozoide é aproximado do oócito – e a natureza se encarregará de agir. O método tem baixo custo, mas os índices de sucesso por tentativa são modestos, de 20% a 30%.
• Coito programado
– Antes de partir para a inseminação intrauterina, o ginecologista e obstetra pode sugerir essa técnica, porém é ainda menos eficaz. O coito programado ocorre quando a ovulação é estimulada por medicações e, no período fértil, o casal é incentivado a manter relações sexuais frequentes. É uma opção, desde que não haja fatores impeditivos à gravidez, como muco cervical hostil e vaginose bacteriana causada por clamídia, mycoplasma e ureaplasma – que, por si, levam a quadros de infertilidade.
• Fertilização in vitro
– O índice de sucesso por tentativa – de 40% a 50% – desta técnica é o que mais atrai os pacientes. Ela também parte da estimulação ovariana, com a administração de hormônios. O crescimento dos folículos ovarianos é acompanhado por ultrassom e exame de sangue e, quando atingirem o tamanho adequado (entre 15 mm e 18 mm), o oócito será fecundado fora do corpo. Somente depois que o embrião começar a se formar, será inserido no útero.
• Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI)
– Variação da fertilização in vitro, ocorre quando a inseminação é feita diretamente no oócito II, com o auxílio de microscópio e de uma agulha finíssima. O pré-embrião é mantido em um meio de cultura e, dependendo de sua divisão celular, no quarto ou quinto dia será aproveitado ou não.
• Doação de óvulos
– Faz parte do rol das técnicas de reprodução assistida. Há diversas situações em que a mulher precisa contar com tal apoio por: carregar um mau passado obstétrico; não conseguir engravidar com os métodos disponíveis; apresentar abortos de repetição; tiver falência ovariana congênita ou prematura; ou se a ovulação não for a mais adequada, devido à idade.
Embora existam várias alternativas de cunho médico e técnico, dilemas éticos na área implicam reflexões caso a caso (ver box na pág 19).
REVISÃO DAS NORMAS

Por meio de sua Câmara Técnica de Reprodução Humana e Técnicas de Reprodução
Assistida, o Cremesp contribuiu no texto submetido pelo CFM à consulta pública, ainda
não finalizado, com o objetivo de revisar a Resolução nº 2.168/2017, que traz as normas éticas aos médicos da área.

ICSI é ferramenta contra a infertilidade masculina
Entre as sugestões mais significativas está a que se direciona à cessão temporária de
útero. Além das determinações técnicas e relativas ao grau de parentesco, a voluntária
“deve ter ao menos um filho vivo”, para que ela preserve o direito de ser mãe antes de
ceder o útero, uma vez que há riscos inerentes à gravidez.

No tópico relativo à idade máxima para a doação de gametas – que continua 35
para as mulheres e 50 para homens – a Câmara considera que o limite não deveria
ser aplicado à “doação de embriões testados e euploides”. O grupo aponta ainda
que a resolução não menciona as situações em que todos os embriões devem ser
criopreservados, como hiperestímulo ovariano e endométrio inadequado.

No Cremesp, desde 2008 até maio de 2019, foram autorizadas 178 gestações de
substituição – a grande maioria sem vínculos familiares. A maior parte das solicitações
aconteceu por histerectomia precoce ou condições específicas de um dos parceiros,
como Síndrome de Rokitansky ou Azoospermia total.
* Texto orientado por Mario Antonio Martinez Filho, conselheiro responsável pela Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia; e Lyane Gomes de Matos Teixeira Cardoso Alves, conselheira responsável pela Câmara Técnica de Reprodução Humana e Técnicas de Reprodução Assistida.
Fonte: Revista Ser Médico nº 87 

Dossiê: Reprodução Assistida - História

De Louise Brown ao inédito transplante de útero de doadora falecida

Por Concília Ortona 
Em seu início, na não tão distante década de 1970, as técnicas de Reprodução Humana Assistida (RA) se limitavam a tratar a infertilidade de portadoras de obstrução tubária com idade superior a 30 anos, por meio de métodos como a fertilização in vitro (FIV) clássica. Ao buscar ajuda médica, Lesley Brown de Bristol, Inglaterra, foi galgada à história da área em 25 de julho de 1978, quando deu à luz Louise, o primeiro “bebê de proveta” no mundo. Durante nove anos, ela e o marido John tentaram a gravidez – não obtendo êxito nem com salpingostomia bilateral. Em 1976, procuraram o ginecologista Patrick Steptoe, do Hospital Geral de Oldham, Manchester, que sugeriu o uso de nova técnica, até então experimental. Havia 20 anos o fisiologista Robert Edwards, da Universidade de Cambridge, vinha estudando a fertilização de oócitos humanos em laboratório e se uniu a Steptoe, que desenvolveu um método de coleta dos gametas femininos por via laparoscópica. Assim, Lesley teve seus oócitos coletados cirurgicamente e fertilizados em laboratório, com o esperma de seu esposo John. O embrião de oito células foi, então, implantado na cavidade uterina de Lesley poucos dias após. Em 25 de julho de 1978, o Dr. Steptoe realizou o parto de Louise Brown, fato que ganhou as manchetes dos jornais de todo o mundo e deu início a um novo período
na Medicina. O trabalho de Steptoe e Edwards, no entanto, foi possível somente graças aos avanços no conhecimento sobre a fisiologia hormonal feminina e fertilização de gametas em laboratório obtidos nas décadas anteriores. Já em 1944, o ginecologista americano John Rock, da Universidade de Harvard, havia conseguido produzir o primeiro embrião humano em laboratório e publicou na revista Science, em conjunto com a geneticista Miriam Menkin, imagens do que considerou serem as primeiras divisões celulares de embriões humanos, os quais, contudo, nunca tentaram implantar em pacientes. Posteriormente, na década de 1960, hormônios então denominados gonadotrofinas menopáusicas humanas vinham sendo usados para estimular a ovulação em mulheres que tinham dificuldade de engravidar. O conhecimento que trouxe Louise Brown resultou no nascimento dos compatriotas Courtney Cross, em outubro de 1978, e Alaistair MacDonald, em fevereiro de 1979; antes, portanto, da chegada de Elizabeth Carr, em 1981, a primeira criança norte-americana concebida in vitro. Todas abriram caminho para a concepção de outros oito milhões de bebês pelas técnicas de RA, como estimou, em 2018, o International Committee Monitoring Assisted Reproductive Technologies (Icmart, EUA). Hoje o que parece um procedimento simples é, na verdade, um dos campos de maior destaque técnico da Medicina desde o fim do século passado, impulsionado por um feito pelo qual Edwards foi laureado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 2010. Steptoe não compartilhou a honraria por haver falecido em 1988 – e o Instituto Karolinska não concede o prêmio de forma póstuma.
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Desde a antiguidade, uma grande ansiedade quanto à propagação da raça e à própria sobrevivência acometia os homens. Egípcios, gregos e babilônios já vinculavam relações sexuais aos nascimentos e, por isso, discutiam a etiologia e possíveis tratamentos a casais incapazes de gerar filhos. Séculos se passaram até os cientistas
desenvolverem o processo de fertilização assistida, a fim de contornar obstáculos patológicos femininos e masculinos. Numa visão futurística, o escritor Aldous Huxley abordaria a FIV humana em seu livro de ficção Admirável Mundo Novo, de 1932, prevendo a possibilidade técnica e ideológica de criar “bebês engarrafados” em cerca de um século. Errou apenas na conta: a primeira gravidez com FIV foi informada em 1973 pelos australianos Carl Wood e John Leeton, mas culminou em aborto, uma semana depois. A Austrália foi precursora de vários fatos históricos em RA. Em 1983, nasceu a primeira criança a partir de embriões congelados na Monash University. No ano seguinte, uma mulher que havia sofrido ooforectomia bilateral engravidou com oócitos doados; e outra, com insuficiência ovariana primária, com embrião doado. Também em 1984, nasciam no Royal Women's Hospital, em Melbourne, os primeiros quadrigêmeos de FIV do mundo. 
REFERÊNCIA BIOÉTICA

A primeira referência bioética em RA foi lançada em 1984, quando médicos, biólogos, psicólogos e filósofos britânicos publicaram, com o aval da Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA), o Relatório Warnock (vindo da Baronesa Mary Warnock, chefe da comissão) e inovaram, ao propor a expansão do acesso em RA a solteiros e homossexuais. Discutiu ainda propostas sobre embriões excedentes, como a de doação e congelamento.
NOVOS AVANÇOS

Embora as técnicas iniciais de fertilização in vitro tenham possibilitado que muitas mulheres inférteis pudessem realizar o sonho da maternidade, ainda não contemplavam o tratamento de muitos casais inférteis, principalmente quando o problema tinha origem no homem, o chamado “fator masculino”. Em 1992, no entanto, nasceu a primeira criança concebida pela técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI). O método, desenvolvido pelo médico italiano Gianpiero D. Palermo, consiste na micromanipulação do gameta masculino, que é injetado no citoplasma do gameta feminino por meio de uma micropipeta. Desse modo, permite a fertilização também em casos em que os espermatozoides apresentam, por exemplo, alterações de motilidade
e morfologia. Agora rotina no diagnóstico de alterações genéticas e cromossômicas antes da inseminação, a biópsia pré-implantacional de embriões foi relatada em 1990, em Londres, por Handyside et al –mesmo ano da ocorrência de partos bem sucedidos em gestações cujos embriões haviam sido congelados por vitrificação. Ao longo das décadas agregaram-se outros conceitos importantes, como de hiperestimulação ovariana controlada, para gerar mais de um oócito por ciclo, e métodos para melhorar a qualidade do oócito em mulheres mais velhas. Finalmente, em 2014, aconteceu na Suécia o primeiro transplante bem sucedido de útero com doadoras vivas. Outras três gestações em meio às oito participantes da pesquisa foram anunciadas em 2015. Em setembro de 2016, ocorreu, no Brasil – conforme artigo publicado no The Lancet Journal em 2018 –, o primeiro nascimento de uma criança cuja gestação se deu em um útero transplantado a partir de doadora falecida, o que será abordado na matéria “Vanguarda” desta edição de Ser Médico.
PRIMEIROS PASSOS NO BRASIL

Influenciado pelo êxito de Edwards e, em especial, de Steptoe – com quem estabeleceu contato –, o médico paulista Milton Nakamura, falecido em 1998, iniciou suas próprias pesquisas sobre FIV no início dos anos 1980, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com o apoio de colegas da Universidade de Melbourne, Austrália, selecionou dez mulheres com obstrução tubária e, em um hospital privado em São Paulo, realizou uma série de fertilizações in vitro. A coleta de óvulos por via laparoscópica foi promovida pelo médico, e o monitoramento da estimulação ovariana e  fertilização extracorpórea, pelo embriologista australiano, Alan Trouson, e o ginecologista italiano Luca Giannaroli. No entanto, o experimento foi interrompido e ganhou repercussão pública negativa, por conta de acidente anestésico e morte de uma das participantes, além de dúvidas relativas à decisão autônoma das voluntárias. Dois anos depois, o mesmo grupo retomou o projeto, e efetivou mais duas séries de FIV. Anna Paula Caldeira, o primeiro “bebê de proveta” da América Latina, nasceu em 7 de outubro de 1984, gerada por ovodoação. Aqui, vale uma ressalva: até sua morte em 2015, o ginecologista Nilson Donádio reivindicava para si o primeiro nascimento com o uso de FIV, resultado divulgado em congressos “meses antes de Nakamura”, não difundido em artigo científico devido a um “acordo de confidencialidade” com a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Outros fatos relevantes no Brasil incluem a aprovação da Lei de Biossegurança em 2005 – com a permissão para pesquisas com células-tronco embrionárias –; Resolução CFM Nº 2.013/2013 (substituída pela Resolução CFM Nº 2.168/17), que garante o direito de casais homossexuais ao uso de RA; no mesmo ano em que o País adotou a técnica de vitrificação para congelamento de embriões, que proporciona taxas de sobrevivência após o descongelamento de mais de 95%.
Fonte: Revista Ser Médico nº 87

Dica cultural



MAREPE: ESTRANHAMENTE COMUM

Com curadoria de Pedro Nery, a primeira grande exposição individual do artista baiano em São Paulo traz uma visão ampla de sua trajetória, que teve início nos anos 1990. O conjunto de 30 obras resgata poeticamente uma memória pessoal, que se funde com a cidade onde Marepe (Marcos Reis Peixoto) nasceu, Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, na década de 70. As obras foram organizadas pela curadoria em três verbos: mover, transformar e condensar, os quais o artista recorda constantemente em sua trajetória, permitindo um olhar simbólico aprofundado sobre as obras.

Pina Estação – Largo General Osório, 66, 4º andar, São Paulo. De quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30. Entrada gratuita. Até 28/10.


Dica cultural




MUSEUM OF CONTEMPORARY ART CHICAGO

Ao todo são apresentadas 18 obras do Museum of Contemporary Art Chicago (MCA). A seleção da mostra inclui lacunas históricas da coleção do MASP, como René Margritte,
Roberto Matta e Wifredo Lam, além de obras de artistas ligados à pop art, como Andy Warhol, e mulheres, como Cindy Sherman e Cristina Ramberg.


Museu de Arte de São Paulo (Masp), Av. Paulista, 1578, São Paulo. Terça das 10h às 20h; e de quarta a domingo, das 10h às 18h. Entrada: R$ 40. Até 30/12.


domingo, 11 de agosto de 2019

Estamos em um mundo Linux e não sabemos




Por Lucio Tadeu Figueiredo*

Quando se fala em Linux, a maioria das pessoas sequer o reconhece como sistema operacional. Sugere algo distante, coisa de nerd de computador.
Contudo, já está em toda parte, dos smartphones aos eletrodomésticos, mesmo que não saibamos e sem ter uma marca comercialmente consolidada como o Windows. O Linux é o principal sistema operacional de grandes servidores e é muito utilizado por
supercomputadores de pesquisa. Ele é a plataforma da chamada “internet das coisas”, tecnologia que une tudo ao nosso redor à internet, para que possamos comandar, inclusive, nossas casas, a partir do computador. Não há como fugir do Linux.
O então pequeno sistema operacional de código aberto nasceu em 1991, como projeto pessoal de Linus Torvalds, estudante de engenharia de software finlandês, abrindo caminho para diversos desenvolvedores autônomos, que contribuíram para que seu núcleo ganhasse músculo e se tornasse o queridinho de diversas corporações. Por ser de código aberto, é gratuito, o que permitiu a evolução de diversos softwares em sua
órbita. Atualmente, o mais conhecido é o LibreOffice, um pacote de aplicativos completo para escritório. Mas a infinidade de aplicativos Open Source (código aberto) é absurdamente grande e contempla toda uma gama de necessidades atuais para computador pessoal.
Como tem o código aberto, o Linux, diferentemente do Windows, tem várias distribuições no mercado, tais como o Ubuntu, Red Hat, Debian, Fedora etc. O Ubuntu, é muito fácil de instalar e de usar em português do Brasil. Utilizo o LibreOffice (e antes o OpenOffice, versão mais antiga) há cerca de 20 anos, como suíte de escritório, em que realizo apresentações de slides. Também é a suíte que utilizo em minha clínica,
para impressão, escaneamento de documentos, planilhas etc. A vantagem desses programas é que são intuitivos, ou seja, a adaptação a eles é muito fácil.
Basta uma pesquisa na internet para verificar que praticamente todos os servidores de email utilizam o Linux, por questão de segurança e robustez. O Google o usa em seus servidores; e o sistema Android dos smartphones é baseado nele. Os servidores de grandes empresas como Amazon, IBM, Twitter e Facebook operam com a plataforma Linux. O McDonald's adota a distribuição Ubuntu Linux em seus terminais. Os submarinos americanos contam com o Linux Red Hat. A Nasa também adota o Linux em suas sondas espaciais. Os smartwhatches o utilizam, como, por exemplo, o relógio Garmin, útil para correr, nadar e pedalar, que é Android, e nunca trava.
Vários dispositivos móveis também se servem do Linux, como o Kindle e os tablets. Impressoras IBM o utilizam, assim como as geladeiras com acesso à internet. A Estação Espacial Internacional usa o Linux Debian para prover todo seu funcionamento. Muitas empresas, instituições governamentais e escritórios corporativos recorre às distribuições Linux, pois não é necessário o pagamento de licenças. Na educação,
diversos países instituíram o sistema Linux em escolas e faculdades, tais como Rússia, Alemanha, Filipinas, Suécia, Itália e Finlândia.
É muito Linux para quem nem sabia das aplicações dessa maravilhosa ferramenta. E por ser moldável às mais variadas necessidades humanas, será o futuro dos computadores. O Linux veio para ficar e já não conseguimos mais viver sem ele.
Fonte: REvista Ser Médico nº 87

sábado, 10 de agosto de 2019

Cantarolando




Vídeo do YouTube
Caetano Veloso/Gilberto Gil - Drão

Dica cultural

AINDA HÁ NOITE
A exposição reúne imagens, seja como conceito ou cenário, que recorrem à noite da América Latina. Feita por dez artistas, de diferentes países latino-americanos — Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Peru e Uruguai — e, ainda, do Reino Unido e da Espanha, a mostra busca questionar a ideia de que o dia deixa as coisas mais claras. A exibição apresenta aspectos da noite e são tratados temas como a violência, as cicatrizes dos processos de colonização e os atuais movimentos de negação dos conhecimentos científico e histórico. Os artistas participantes são Alejandro Chaskielberg (Argentina), Alejandro e Cristóbal Olivares (Chile), Cristina de Middel (Espanha), Bruno Morais (Brasil), Gihan Tubbeh (Peru), Ignacio Iturrioz (Uruguai), Jorge Panchoaga (Colômbia), Juan Brenner (Guatemala), Kalev Erickson (Reino Unido), Luisa Dörr (Brasil) e Yael Martínez (México).

Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149, São Paulo. De terça a sexta, das 9h às 20h. Sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h. (Com permanência até as 20h30). Entrada franca. Até 11/8. 

Cantarolando




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Gal Costa - O que é que há

OPEN SOURCE, O NOVO JEITO DE FAZER CIÊNCIA

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Por Vinícius Basseto Félix*, Larissa Bueno Fernandes** e Regina Albanese Pose***
O termo Open Source pode gerar confusão, já que muitos acreditam ser sinônimo de “gratuito”, embora seja bem mais do que isso. O conceito implica código aberto, isto é, há abertura para que todos possam contribuir com seu desenvolvimento, o que fomenta o senso de comunidade.
Dado o fortalecimento deste tipo de tecnologia, algumas áreas aproveitaram melhor o conceito de contribuição, especialmente a de pesquisa. Como os softwares especializados são caros, as alternativas Open Source tornaram mais natural a reprodutibilidade presente na ciência, já que todos possuem acesso.
Um dos expoentes do Open Source na área de pesquisa é a linguagem R, uma ferramenta para trabalhar com dados e análises estatísticas, que se popularizou, por ter sido criada para não programadores e ser gratuita.
Embora os comandos sejam executados por linha de código, a adoção do R tornou-se mais fácil, devido à gratuidade dos materiais disponíveis. Além disso, há integração com softwares comerciais como Excel, Stata, SAS e SPSS; e, também, fontes de dados como o DataSUS.
Open Source tem diversas aplicações na área médica, como em análises epidemiológicas, sequenciamento genético, análise de sobrevivência e até em técnicas de aprendizado de máquina – atualmente muito utilizadas em estudos de neuroimagem – ou, ainda, de inteligência artificial, em que robôs auxiliam médicos e enfermeiros em atividades que vão desde a educação à tomada de decisão.
*Estatístico, mestre em Bioestatística e cientista de dados na H0 Consultoria;
**Estatística, mestre em Bioestatística e diretora de projetos na H0
Consultoria;
***Estatística, mestre em Ciências, professora da Universidade Municipal
de São Caetano do Sul (USCS) e conselheira do Conselho
Regional de Estatística – 3ª Região (SP, PR, MT E MS).
Fonte: Revista Ser Médico nº 87

"CRONÔMETRO” DA FERTILIDADE E CONFLITO DE INTERESSES

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Mulheres de menos de 30 anos devem ser rastreadas como rotina para avaliar a fertilidade como acontece com o câncer de colo de útero, sugere estudo recente divulgado no Australian Journal of Primary Health. Entre as participantes, 74% afirmaram que alterariam seu planejamento de vida reprodutiva se fosse identificada baixa reserva ovariana.
A proposta é usar um teste que mede o hormônio anti-mulleriano (sigla em inglês AMH, conhecido também como “cronômetro da fertilidade”), para avaliar a reserva ovariana e evitar eventuais decepções vinculadas à infertilidade precoce. O principal autor da pesquisa, Kelton Tremellen, da Flinders University, Austrália, considera que “o AMH poderia ser usado por médicos da área para ajudar as mulheres a tomarem decisões informadas”.
Há quem discorde. Karin Hammarberg, do órgão normatizador em RA na província de Victoria, avalia que a pesquisa foi “enganosa e manipulada”, devido ao vínculo não declarado de Tremellen com uma clínica que se beneficiaria com a expansão das testagens. Vai além: “além de possíveis danos psicológicos, testes inadequados podem levar mais mulheres a intervenções dispendiosas e desnecessárias”.
O ponto de vista vem ao encontro da posição da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), segundo a qual a avaliação de reserva ovariana como previsão de longevidade feminina “é arriscada”, pois a maioria dos testes não garante a capacidade reprodutiva dos gametas.
Fontes: ABC News Science, Australian Journal of Primary Health e site da Febrasgo


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Medo e coragem



Vídeo do YouTube
Bráulio Bessa - Medo e Coragem

DNA de três pessoas



Pesquisadores gregos e espanhóis anunciaram o nascimento pioneiro de bebê com o
uso de “transferência de fuso materno”, técnica de Reprodução Assistida (RA) na qual o DNA nuclear da mãe é transferido para uma célula de doadora saudável (cujo núcleo é removido), de modo que a criança resultante tenha DNA nuclear dos pais e DNA mitocondrial da doadora.
A paciente, uma grega de 32 anos, já havia passado por quatro ciclos malsucedidos de
fertilização in vitro e faz parte do grupo de 25 participantes de estudo experimental que vai até 2022, e que já teria produzido oito embriões. Conforme Panagiotis Psathas, presidente do Instituto da Vida, maternidade e centro de pesquisas de Atenas que sediou e financiou o estudo, a intenção é garantir “o direito inalienável de uma mulher se tornar mãe com seu material genético”.
Apesar do entusiasmo, a aplicação da técnica gera controvérsias: da forma com que foi
apresentada e aprovada em 2015 pela Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA) britânica, é restrita à prevenção da transmissão de doenças mitocondriais graves de mãe para filho. Ainda assim, foi pouco usada no país, e, em casos isolados, em Israel e Ucrânia. O ensaio clínico em questão contemplou tal condição, mas incluiu também voluntárias com “múltiplos fracassos de fertilização in vitro”.
A mudança de escopo causou “preocupação” em meio a médicos britânicos, que acham “moralmente muito diferente” o uso para “prevenir doenças” e o destinado a “tratar a fertilidade”.
Fontes: Revista Time, BBC News e CNN

ATENÇÃO AO ESCORPIONISMO



Dados de 2017 – os mais recentes disponíveis – não deixam dúvida sobre a importância do escorpionismo no cenário da saúde pública no país: no ano, 130 mil acidentes foram notificados, com quase 200 mortes – números que confirmam a tendência observada há uma década. Já em 2007, as picadas de escorpião superaram o ofidismo e responderam por 1/3 dos acidentes por animais peçonhentos. A tendência é de crescimento também na incidência, em especial nas regiões Nordeste (97,2 casos por 100 mil habitantes em 2017) e Sudeste (62,7 por 100 mil).
A proliferação dos escorpiões explica o aumento dos casos. A biologia e o comportamento desses aracnídeos facilitam sua sobrevida mesmo em condições adversas. O aumento das temperaturas em anos recentes se tornou mais um fator para o aumento da presença das espécies venenosas. A isto, agrega-se a precariedade dos bolsões urbanos de pobreza, que facilitam a proliferação e dificultam o controle.
Cabe aos serviços públicos de saúde organizar e manter iniciativas para o controle dos escorpiões e prevenção de acidentes. Ao médico, reconhecer os casos de escorpionismo; e, principalmente, distinguir entre os casos leves e os casos com manifestações sistêmicas.
Em geral, os acidentes causam apenas dor local, que ocorre imediatamente após a picada, acompanhada de eritema, sudorese e parestesia. Envenenamento sistêmico, que acomete, na maioria das vezes, crianças abaixo de 12 anos, é muito mais grave. A presença de náuseas e vômitos é sinal premonitório do quadro, que pode evoluir com sudorese profusa, sialorreia, diarreia, dor abdominal, taquidispneia, taquicardia, arritmia cardíaca, convulsão, edema agudo pulmonar, hipotensão e choque. Quando acontecem, esses sintomas são observados já na primeira hora após a picada. Nessas circunstâncias, o tratamento antiveneno é fundamental para neutralizar o veneno circulante.
O Instituto Butantan é o principal produtor de soros hiperimunes no Brasil, incluindo o soro antiescorpiônico, contra o veneno de escorpiões do gênero Tityus, e o soro
antiaracnídico, produto trivalente que, além de neutralizar o veneno do Tityus, é também indicado no tratamento de picadas por aranhas Loxosceles e Phoneutria. Para a produção desses antivenenos, a instituição mantém um biotério de escorpiões com aproximadamente 14 mil exemplares das diversas espécies de interesse para a saúde.
A meta da Secretaria da Saúde do Estado é reduzir a mortalidade por acidentes com animais peçonhentos a zero nos próximos quatro anos.

Fonte: Dimas Tadeu Covas "hematologista e diretor do Instituto Butantan" - Revista Ser Médico nº 87


sábado, 3 de agosto de 2019

Dica cultural

Palacio Boa Vista campos do jordão


Palácio Boa Vista

Inaugurado em 21 de julho de 1964, para servir de residência de inverno do Governo do Estado de São Paulo, com o passar dos anos, o palácio adquiriu também um outro papel, o de museu aberto ao público.
O Palácio Boa Vista abriga um acervo com cerca de duas mil peças, entre mobiliário dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX, porcelanas, peças religiosas, prataria, pinturas e esculturas. Entre as obras destacam-se trabalhos de modernistas como Tarsila do Amaral, Portinari, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Brecheret. Além do expressivo acervo, outras atrações também contribuem para atrair os visitantes, uma delas é a Capela de São Pedro Apóstolo, obra do prestigiado arquiteto Paulo Mendes da Rocha. O Palácio ainda abriga um landscape café cuja vista panorâmica de 360 graus é impressionante.
Avenida Adhemar de Barros, 3.001, Alto da Boa Vista – Campos do Jordão/SPHorário de visitaçãode quarta a domingo e feriados, das 10h às 12h e das 14h às 17h. Telefone: (12) 3668-9759/9700 ou (11) 2193-8282 (às segundas e terças).


Dica cultural

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Acervo do MAM vai à Campinas

A Galeria de Arte do Instituto CPFL, em Campinas, recebe obras da coleção do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. A exposição apresentará uma coleção com 35 pinturas de artistas como Flávio de Carvalho, Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Leda Catunda e Paulo Pasta. 

Você de Campinas e região pode conferir de 07/08 a 30/11, com entrada franca, na Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, no bairro Chácara Primavera.