quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Livros infantis velhos e esquecidos

Livros infantis velhos e esquecidos


 “Livros Infantis, Velhos e Esquecidos” é uma exposição pensada para adultos e crianças de todas as idades. Reúne exemplares dos primeiros livros infantis publicados no Brasil, no século XIX e princípios do século XX, entre eles clássicos, romances adaptados, contos populares, revistas, almanaques, álbuns ilustrados e publicações de difusão científica.
São obras de literatura universal, traduzidas ou adaptadas para o público brasileiro, assim como obras de autores nacionais, que estarão na mostra da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, com inauguração para esta terça-feira (03/10) e visitação de 4 a 30 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30. Haverá atividades especiais para escolares e o agendamento de monitoria deve ser feito pelo e-mail educativo@bbm.usp.br. 


As publicações estão expostas em vitrines e poderão ser consultadas em iPads distribuídos em vários pontos da sala. A curadoria é de Patrícia Tavares Raffaini, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) na área de História da Cultura, e Gabriela Pellegrino Soares, professora livre-docente do Departamento de História da USP na área de História da América Latina nos séculos XIX e XX e autora do livro Semear horizontes – uma história da formação de leitores na Argentina e no Brasil1915 a 1954.

Para elas, crianças e adultos que visitarem a exposição vão perceber que a infância leitora daquela época era muito diferente da de hoje, afinal vivia-se em outro contexto social e cultural, não existia TV, rádio, internet e, portanto, o livro tinha finalidade educativa e recreativa.
“Se muitos desses livros foram também comprados para uso escolar, não se limitaram a finalidades pedagógicas. Dos contos de fadas aos romances de aventuras, das historietas divertidas à sedução para as ciências, foram livros que ajudaram a construir repertórios culturais e olhares para o mundo das crianças de outra época. E embora estivessem ao alcance de poucos, é verdade, suas narrativas encontraram surpreendentes caminhos de circulação”, disse Pellegrino. 


Busca pelos livros esquecidos

A exposição é uma amostra do que Raffaini encontrou durante três anos de investigação em seu pós-doutorado, concluído em 2016, com apoio da FAPESP
A história dos livros analisados corresponde à trajetória das primeiras casas editoras sediadas no país, especialmente nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, a publicarem coleções voltadas para crianças.
“Eram coleções com frequência lindamente encadernadas, ilustradas com gravuras em branco e preto, algumas poucas coloridas, em que se guardavam tesouros para a imaginação e o conhecimento dos jovens leitores”, disse Raffaini.
O período do estudo também corresponde à infância das gerações de dois escritores brasileiros, Monteiro Lobato e Olavo Bilac. Eles dedicaram parte de sua produção literária às crianças e jovens e são conhecidos por declarações apaixonadas pelos livros que leram na infância e juventude.
Bilac, que viveu de 1865 a 1918 e, entre outras obras, dedicou-se a livros escolares e à tradução de alguns clássicos infantis, falava da importância da obra de Jules Verne para ele: “O que mais desenvolveu minha imaginação e o que consolou as vagas e indefinidas tristezas da minha adolescência foi a leitura de Verne”.
Lobato, que viveu de 1882 a 1948 e é reconhecido por ter modernizado a literatura infantil brasileira, declarava que “gostaria de criar livros nos quais as crianças pudessem morar como ele havia morado no Robinson Crusoé e nos Filhos do Capitão Grant” na sua infância.
Diferentes versões das obras mencionadas por eles estão expostas. “Muitas obras lidas pelas gerações desse período eram provenientes da França e da Alemanha e eram traduzidas cerca de dois anos depois de terem sido lançadas em seus países de origem”, explicou Raffaini.
Esses títulos chegavam ao país por intermédio de várias editoras, entre elas duas estabelecidas no Rio de Janeiro: a Garnier, filial carioca da editora francesa de mesmo nome, e Laemmert, que editou boa parte das obras provenientes de regiões germânicas.
Seguindo as pistas iniciais dadas por Pellegrino, Raffaini encontrou catálogos da Garnier de 1903 a 1912 no acervo da Biblioteca Brasiliana, assim como alguns exemplares de obras adaptadas por Carlos Jansen para a editora Laemmert, entre eles o Robinson Crusoé na edição que Lobato provavelmente havia lido quando criança.
A partir daí, foram três anos de pesquisa que iniciou com a localização de 20 títulos e finalizou com 106 exemplares que representam uma diversidade considerável de títulos e formatos à disposição do público leitor infanto-juvenil brasileiro.
No entanto, a localização desses exemplares não foi tarefa fácil. “Tanto a infância era curta quanto a vida dos livros. Era comum os livros passarem de um irmão para o outro até se desgastarem e sumirem. Como nesse período não existia biblioteca pública infantil, a busca foi feita em sebos, acervos pessoais e alguns públicos”, disse Raffaini. Sendo assim, parte deles, 54, foi adquirida com recursos de Reserva Técnica Institucional concedida pela FAPESP e outros 52 foram localizados em acervos públicos.
O que ver
Quatro vitrines estão dedicadas a títulos relacionados nos catálogos da Garnier nas seções Álbuns Ilustrados e Biblioteca da Juventude. Entre os Álbuns Ilustrados estão: Os últimos empregos de Maria dos Tamancos (Jordic), A viagem do alto Mandarim Ka-li-kó e de seu fiel secretário Pa-tchu-li (Eugene le Mouel), Os amores do Sr. Jacarandá (Rudolf Toffler), Escutem!, O Fundo do Sacco e Scenas da Vida Privada dos Animaes (os três de Benjamin Rabier).
A Biblioteca da Juventude está composta com obras clássicas como Fábulas de La Fontaine, Contos do Doutor Sam (Henry Berthoud), O Bazar das Creanças (Mme Leprince Beumont), Os noivos (Manzoni), A cruz de madeira e o menino perdido (Cônego Schmid), Contos do Cônego Schmid, Contos das Fadas (1893), Contos dos Irmãos Grimm (1926), As aventuras de Robinson Crusoé (Daniel Defoe), Aventuras de João Choppart (Luiz Desnoyers), História de um Bocadinho de Pão (provavelmente traduzido por Visconde de Taunay), A Novena da candelária (Carlos Nodier), entre outros.
Dos catálogos da Laemmert estão expostos títulos que circulavam pela Europa como Contos selectos das mil e uma noites, que tem prefácio de Machado de Assis. Também foram selecionados exemplares de obras que foram lidas por Lobato, como Aventuras do Barão de Munchhausen e o já citado Robinson Crusoé.
Estão expostas ainda versões em alemão de Crusoé, Don Quixote e Gulliver, todos da editora Thiennemans, que possibilitam a comparação entre a edição alemã e a que circulava no Brasil, sem distinção no cuidado com o acabamento gráfico.
No centro da exposição está uma vitrine com a coleção Thesouro da Juventude, com exemplares que ajudam a entender a origem da coleção e como ela chegou ao Brasil. Conforme explica Gabriela Pellegrino, que tem um projeto de pesquisa apoiado pelo CNPq sobre a Thesouro da Juventude nas Américas, essa coleção surgiu na Inglaterra, foi muito lida nos Estados Unidos e, além de um conteúdo científico, ela incorpora um conceito de enciclopédia.
Como não poderia deixar de ser, há uma vitrine dedicada exclusivamente a Jules Verne: um exemplar de 1879 de Grandes Viagens e dos Grandes ViajantesOs filhos do capitão GrantDa Terra à LuaDescobrimento prodigiosoVolta ao Mundo em 80 dias e Vinte mil léguas submarinas.
Livros divertidos
Muitas das obras expostas usam a fórmula “instruem enquanto divertem” e outras, de muito sucesso, fogem do padrão de livros com moralidades, repletos de bons exemplos e doçura e retratam crianças nada boazinhas, obedientes e piedosas. É o caso de João Felpudo, escrito pelo médico Heirinch Hoffmann para seu filho de três anos. Lançado na Alemanha em 1844, ficou conhecido como o livro predileto de meninos e de meninas. Chegou ao Brasil pela Laemmert em 1860, e por aqui também fez muito sucesso.
Essa data foi descoberta por Raffaini enquanto pesquisava jornais antigos e encontrou um anúncio publicado na edição de 4 de dezembro de 1860 do Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, que dizia: “João Felpudo – Histórias alegres para crianças travessas com vinte e quatro pinturas esquisitas”.
O anúncio de lançamento revelou que, ao contrário do que dizia a bibliografia, a tradução não era de 1890 nem de Olavo Bilac e, sim, de 1860 e do desembargador Henrique Velloso de Oliveira. Outra curiosidade é que na tradução literal do alemão o nome Der Struwwelpeter seria Pedro descabelado. Raffaini acredita que o Brasil seja o único país que trocou o nome original para João, para evitar associar o nome do imperador com o de um menino controverso.
Nacionais
Entre os destaques brasileiros estão exemplares da coleção de José Mindlin das revistas para crianças O Tico Tico, publicadas de 1905 a 1950, que traziam     contos, narrativas sobre ciência, brinquedos de papel para recortar e histórias ilustradas, chamadas posteriormente de quadrinhos.
Da coleção de Mindlin também estão expostos quatro exemplares das primeiras edições de Lobato dos anos 1920: Jeca TatuzinhoFábulas,Narizinho arrebitado e a versão fac-similar de Narizinho arrebitado na edição escolar.
Outros escritores brasileiros estão representados na vitrine que reúne obras publicadas pela editora Francisco Alves, que era mais voltada ao mercado escolar.
“Havia uma linha tênue entre a literatura escolar e a literatura infantil. Na verdade, todos desejam vender para escolas, mas a Francisco Alves reunia parte da intelectualidade brasileira que estava preocupada com a formação da Nação e da identidade nacional, identificada em títulos como contos pátrios, e obras que exibiam a bandeira nacional na capa, por exemplo”, disse Raffaini.
Os visitantes poderão ver obras como Álbum das Crianças (Figueiredo Pimentel), Era uma vez (Julia Lopes de Almeida), Era uma vez (Viriato Correa e João do Rio), Juca e Chico (Olavo Bilac), Theatro Infantil (Olavo Bilac e Coelho Netto), Histórias do reino encantado (Grimaldi), Contos infantis em verso e prosa e Galleria pittoresca dos homens célebres de todas as nações e épocas.
A curadoria também quis estabelecer uma relação entre obras iniciais de Lobato, incluindo traduções e adaptações feitas por ele com obras que eram alvos de sua crítica como as que compunham a chamada Biblioteca Infantil, da editora Melhoramentos.
Segundo as pesquisadoras, eram adaptações bem simplificadoras de contos de fada, fábulas, entre outros. Essa coleção está representada na exposição por diversos livrinhos, com destaque para uma versão fac-similar do Patinho feio, de 1915.
“Acredito que pode haver um estranhamento por parte das crianças em relação aos temas, às ilustrações, talvez haja uma sensação de distância temporal, mas também de aproximação com a identificação com os almanaques e histórias em quadrinhos e uma percepção de que histórias de personagens como Gulliver estão ali, em livros de capas formais, mas também estão no cinema e continuam sendo contadas em outros formatos”, disse Raffaini.
Território imaginário
Para as pesquisadoras, os livros para crianças delimitam um território imaginário onde adultos e crianças podem jogar juntos. É claro que cada idade tem uma recepção da obra. O conhecimento e as experiências pelas quais já passou o adulto faz com que a recepção de um e outro sejam diferentes.
Mas a recepção de um não é melhor do que a do outro, são somente diferentes. A criança ao ler se entrega ao jogo de forma muito mais plena que o adulto, enquanto o adulto consegue manter distância do que está lendo. No entanto, o próprio objeto material, o livro, coloca crianças e adultos em contato próximo.
A leitura entre gerações possibilita que os livros sejam apreendidos pela audição, pela visão e pelo tato. Mesmo que alguns livros infantis não tenham grandes ambições estéticas eles possuem o mérito de oferecer um grande prazer ao leitor.
“A exposição é uma forma de recompor o que era o repertório cultural daquele período, quais eram os temas, as narrativas, quais eram os suportes. Há elementos importantes na exposição para perceber que conteúdos imaginários eram esses com os quais as pessoas se nutriam”, disse Pellegrino.
Exposição Livros Infantis Velhos e Esquecidos

Biblioteca Brasiliana Guita e José  Mindlin (BBM): Rua da Biblioteca, sem número, Cidade Universitária, USP, próximo ao prédio da Faculdade de História
Abertura: 3 de outubro, das 17h às 18h30
Visitação: 4 a 30 de outubro, segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30
Gratuito. 
Monitoria: agendamento pelo e-mail educativo@bbm.usp.br 
Mais informações: https://www.bbm.usp.br/node/272 e 2648-0310

Leia também:



Fonte: Agência Fapesp


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Não mexe comigo!



Vídeo do YouTube
Maria Bethânia - Não mexe comigo

Gestantes devem ser testadas mais de uma vez para a presença do Zika

Gestantes devem ser testadas mais de uma vez para a presença do Zika


Testes moleculares para detecção do vírus Zika – que permitem identificar o material genético do patógeno em fluidos como sangue, urina, sêmen e saliva durante a fase aguda da infecção – têm sido usados rotineiramente no pré-natal de gestantes com sintomas da doença.
Apesar disso, um novo estudo sugere que o resultado negativo obtido em um único exame pode não ser suficiente para tranquilizar familiares e médicos. Feito no Brasil, o trabalho será publicado em novembro na revista Emerging Infectious Diseases.
“Acompanhamos um grupo de gestantes com diagnóstico confirmado de Zika e testamos sua urina ao longo de vários meses – com intervalos de aproximadamente uma semana. Em algumas dessas mulheres, a carga viral na urina sumia e depois voltava a aparecer”, disse Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e coordenador da pesquisa apoiada pela FAPESP.
O trabalho incluiu 13 mulheres em diferentes estágios da gestação (de 4 a 38 semanas), atendidas no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de São José do Rio Preto, interior de São Paulo.
Segundo Nogueira, em uma das voluntárias foi possível detectar o vírus na urina por até sete meses. Em cinco mulheres, o resultado voltou a dar positivo para a presença do vírus mesmo após a carga ter zerado em exames anteriores. Em todos os casos, o patógeno desapareceu do organismo logo após o parto.
“Esses dados sugerem que, durante a gravidez, o vírus continua se replicando na criança ou na placenta – que servem de reservatório para o patógeno. Porém, a carga viral nos fluidos maternos é intermitente e muito baixa, quase no limiar da detecção”, disse Nogueira.
De acordo com o pesquisador, nos casos em que o resultado do teste molecular dá negativo, o ideal seria repetir o exame pelo menos mais duas vezes, com intervalos não inferiores a uma semana.
“Costumamos fazer esse tipo de exame com amostras de urina por ser mais fácil de obter e também porque no sangue a carga viral é ainda mais baixa e desaparece mais rapidamente”, disse.
Três das mulheres acompanhadas no estudo tiveram bebês com complicações provavelmente causadas pelo Zika – dois apresentaram alterações nos testes de audição e um nasceu com um cisto no cérebro.
Não foi possível estabelecer uma correlação entre o número de vezes que o vírus foi detectado na mãe e a ocorrência de desfechos adversos. “Para isso serão necessários novos estudos com um número maior de participantes”, disse Nogueira.
Teste polivalente
Um novo teste rápido que permite identificar em amostras de sangue tanto o vírus Zika como os quatro sorotipos do vírus da dengue durante a fase aguda da infecção foi descrito por um grupo internacional em artigo publicado recentemente na revista Science Translational Medicine, com coautoria de Nogueira.
Segundo os autores, o método tem baixo custo e não oferece risco de reação cruzada como outros testes. Composto por uma fita com anticorpos que muda de cor na presença de uma proteína viral conhecida como NS1, o teste imunocromatográfico foi desenvolvido no Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos.
A validação do método contou com a colaboração de instituições de pesquisa de diversos países, entre elas a Famerp. “Testamos em amostras de sangue de pacientes com diagnóstico confirmado tanto de dengue como de Zika atendidos no Hospital de Base de São José do Rio Preto”, disse Nogueira.
O trabalho foi conduzido no âmbito dos projetos "Estudo epidemiológico da dengue (sorotipos 1 a 4) em coorte prospectiva de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil, durante 2014 a 2018" e "Estudo clínico epidemiológico em coorte prospectiva de gestantes infectadas pelo vírus Zika em São José do Rio Preto", apoiados pela FAPESP. Também colaboraram cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal de Sergipe, da Fiocruz e do Instituto Evandro Chagas. 
Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Balada do louco







Vídeo do YouTube
Ney Matogrosso - Balada do louco

Estou cada dia mais louca, mas tudo bem...

Foto by Mari Martins - Praça do pôr-do-sol - São Paulo/SP



As pessoas, quando me conhecem, logo de primeira, sempre me acham uma pessoa "estranha" e conforme vão me conhecendo melhor, acabam me confessando, que a primeira imagem foi essa. Sempre ouvi isso. Elas dizem que tenho cara de brava, sou quieta e não falo muito sobre mim ou pergunto nada sobre a pessoa, mas no fundo, isso é uma defesa, sempre acho que a reserva me preserva e me protege. Sou comunicativa, engraçada, perspicaz e ao mesmo tempo, extremamente reservada. Eu sou realmente "estranha" e demorei muito tempo tentando, inclusive, me entender e me conhecer. Eu sou tímida, introspectiva, gosto do silêncio, não gosto de conversar muito, por mais que eu tenha um problema, não procuro ninguém para conversar, tenho uma certa dificuldade em pedir ajuda e costumo me isolar. Não gosto de falar ao telefone, prefiro escrever ao falar, não procuro muito as pessoas e, às vezes, pareço um "ermitão". Sempre fui assim e as pessoas acabam achando que não ligo para ninguém, mas isso não é verdade. Eu sou uma pessoa intensa e que ama muito, só não fico alisando, afagando, abraçando e beijando o tempo todo, eu sou do tipo que prepara uma comidinha gostosa para a família, que cuida, que zela e o meu carinho vem mais em gestos e não fisicamente. As pessoas podem me achar fria, mas a minha vida é um turbilhão, penso o tempo todo e sou muito intensa, sou perfeccionista e tenho mania de arrumação, bem, resumindo, além de tudo, sou chata, rs.

O tempo vai passando e vamos nos descobrindo. Eu realmente sempre fui "estranha". Eu fui aquela criança mimada, que brincava sem se sujar, que nunca apanhou porque se policiava o tempo todo para não fazer nada de errado, eu sempre tive medo de tudo, medo de aborrecer minha mãe que vivia doente, sempre tive medo de que ela morresse, porque sempre ouvi que ela era muito doente e ia morrer, cresci dentro de hospitais e isso me trouxe várias fobias. Sempre tive medo de subir em árvore, nunca subi em nenhuma, medo de não ser perfeita. Que loucura! Assim, com o passar dos anos, fui adquirindo TOC, Síndrome do Pânico e fui saber sobre a Misantropia.

Você deve estar pensando que sou uma pessoa muito complicada e fraca, que estou paralisada perante a vida. Errou! Eu dou a minha cara a tapa o tempo todo, me ponho à prova o tempo todo e me lanço em provações e Deus sabe como. Eu chuto pra longe as pedras que encontro no meu caminho, caio às vezes, vou lá no fundo e me levanto e sigo...

Sou uma rocha! Mesmo tendo TOC "moderado" e sempre usei de muito humor e meus amigos sabem disso, para lidar com a situação. Tive Síndrome do Pânico aos 45 anos e consegui e consigo até hoje controlar meus pensamentos e a respiração à ponto de parar a crise e descobri como fazer isso sozinha, por ter bom conhecimento das minhas limitações e capacidades e o Misantropismo "moderado", também encaro com bom humor. Então, não se aborreça comigo se eu não sou aquela pessoa presente, eu simplesmente sou assim, mas isso não que dizer que eu não "AME".

Por que estou escrevendo sobre isso e me expondo tanto? Porque todos nós temos várias patologias psíquicas, ninguém é perfeito e todos temos que aprender a nos conhecer e tentar viver da melhor forma possível. Não tenha medo, se não consegue enfrentar os problemas sozinho, procure ajuda de um profissional, faça Yoga, aprenda a respirar, faça meditação, mas faça alguma coisa por você! Eu me exponho porque já não tenho mais medo, nem do que as pessoas pensam ou vão pensar sobre mim. Preocupe-se em viver bem! Só isso! Não tenha vergonha!

Ah, pelo amor de Deus, quando escrevem sobre Misantropia, usam termos e palavras muito radicais. Eu não tenho "AVERSÃO AO SER HUMANO". Isso tem que ser revisto.

Bem, você aí que põe a cabeça no travesseiro e fica chorando, levanta e vai contemplar algo belo que a vida é linda e curta, então, não podemos perder tempo. Lembre-se de que: de "Médico e de louco, todo mundo tem um pouco".

Vai na FÉ!


Crônica: Mari Martins
Foto: Mari Martins






quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Feliz aniversário! Envelheço na cidade...




Vídeo do YouTube
Ira - Envelheço na cidade

Grupo da USP testa estratégia de tratamento tópico contra o câncer de pele

Grupo da USP testa estratégia de tratamento tópico contra o câncer de pele



Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão testando em camundongos uma técnica que associa corrente elétrica de baixa intensidade a uma formulação contendo quimioterápicos nanoencapsulados para o tratamento de câncer de pele.
Resultados preliminares do estudo foram apresentados nos Estados Unidos, durante a FAPESP Week Nebraska-Texas, realizada entre os dias 18 e 22 de setembro.
“Um dos desafios para esse tipo de tratamento tópico é fazer com que o fármaco consiga atravessar o estrato córneo – a camada mais superficial da pele, composta basicamente de células mortas. Essa é uma importante barreira do tecido contra a entrada de microrganismos, mas também dificulta a penetração de medicamentos”, explicou Renata Fonseca Vianna Lopez, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP).
Aplicar uma corrente unidirecional de baixa intensidade é uma das formas de fazer com que substâncias químicas atravessem a pele, sendo empurradas até a circulação pelo campo elétrico. Essa técnica é conhecida como iontoforese.
No caso do câncer de pele, porém, a intenção não é que o fármaco atravesse todo o tecido e chegue ao sangue e sim que ele se concentre na região abaixo do estrato córneo que precisa de tratamento. Essa é a razão pela qual, no trabalho coordenado por Lopez, optou-se por colocar o quimioterápico dentro de nanopartículas.
O trabalho vem sendo realizado no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP. Os primeiros testes in vivo foram feitos durante o doutorado de Raquel Petrilli.
Os pesquisadores induziram, nos animais, a formação de um tumor do tipo carcinoma de células escamosas – um dos tipos mais frequentes de câncer de pele – por meio de uma injeção subcutânea de células tumorais humanas que superexpressam o gene EGFR (receptor do fator de crescimento epidérmico, na sigla em inglês). A presença dessa proteína, explicou Lopez, torna o tumor mais agressivo.
A terapia foi feita com uma formulação contendo o quimioterápico 5-fluorouracil encapsulado em uma nanopartícula (lipossoma) funcionalizada com um anticorpo anti-EGFR. As células malignas são capazes de capturar maior quantidade do fármaco encapsulado nesses lipossomas.
Parte dos roedores recebeu a formulação no tumor por meio de injeções subcutâneas e parte por aplicação tópica associada à iontoforese.
O grupo que recebeu a formulação associada à iontoforese apresentou uma redução tumoral significativamente maior do que o que recebeu por via injetável.
“Além de reduzir o tamanho do tumor, o tratamento tópico o deixou menos agressivo. Acreditamos que esse método associado à iontoforese permite que o fármaco se disperse por toda a área tumoral, enquanto na aplicação subcutânea ele fica concentrado em um só local”, avaliou Lopez.
Técnica versátil
Em outro trabalho, o grupo de Lopez usou um tipo de nanopartícula polimérica – mais rígida – contendo o anti-inflamatório dexametasona associado à iontoforese para o tratamento de uveíte – inflamação no tecido ocular. Os resultados, divulgados em 2015 no Journal of Controlled Release , foram obtidos na tese de doutorado de Joel Gonçalves Souza, trabalho que venceu o prêmio Capes de Tese da área de Farmácia em 2015.
“Quando aplicamos o medicamento diretamente no olho, ele é eliminado rapidamente pelos mecanismos de defesa, como a drenagem lacrimal. Com o método de aplicação associado à iontoforese conseguimos maior penetração e melhores resultados”, comentou Lopez.
Atualmente, durante o doutorado de Camila Lemos, o grupo pretende testar um método que usa a iontoforese no tratamento de feridas crônicas, como as que se desenvolvem em portadores de diabetes.
“Nesse caso, não temos a barreira do estrato córneo. Usamos a iontoforese para avaliar a sua influência na liberação da substância de interesse de uma formulação e para investigar o seu efeito no crescimento de microrganismos”, explicou Lopez.
A estratégia consiste em colocar um peptídeo com ação anti-inflamatória sobre um filme feito de fibras extraídas do casulo do bicho-da-seda (fibroína). Esse filme é colocado sobre a ferida como um curativo e, sobre ele, é aplicada a corrente elétrica.
“Quando colocamos o peptídeo diretamente na ferida, ele se degrada muito rapidamente. Já no filme a liberação ocorre de forma lenta e sustentada. A iontoforese permite que uma grande quantidade do peptídeo seja liberada do filme logo no início do tratamento e acelere a cicatrização”, explicou a pesquisadora.
Além disso, contou Lopez, resultados preliminares sugerem que a iontoforese também interrompe a proliferação de alguns tipos de microrganismos (especificamente as bactérias gram-positivas) que podem agravar a lesão. 
Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Na real!

Foto by Mari Martins


Na real!

Ele não quer crescer! Ele não quer enxergar!, Ele não quer lembrar! Ele não quer nada com nada e não queira lhe mostrar. Ele só quer alienar, não pensar, não fazer, não ouvir...
Na real! Ele não quer sentir, ele não quer seguir, ele não quer "Norte" e nem sul. Ele não quer mudar, ele só quer ser o que é, mesmo que ele não seja nada...
A dificuldade das coisas simples o assusta, então ele tranca os olhos, tranca os ouvidos e sai correndo, percorrendo a estrada sem fim, sem assumir nada, assim não corre o risco...
Ele não quer crescer!


Texto by Mari Martins 
Foto by Mari Martins







Eu não quero mais mentir...




Vídeo do YouTube
Nando Reis - Os cegos do castelo

Nova doença endêmica



Uma nova doença endêmica afeta de um a três a cada 100 mil habitantes do Brasil, segundo estudo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com apoio da Fapesp. A paracoccidioidomicose, como é chamada a doença, é adquirida por via inalatória e acomete, principalmente, trabalhadores rurais. Ao revolverem a terra, eles acabam inalando o aerossol formado pela poeira e outros componentes do solo, entre eles, os fungos do gênero Paracoccidioides. A doença, que se tornou endêmica no Centro-Oeste do Brasil, manifesta-se também em outras regiões brasileiras e em outros países da América Latina, em especial nas áreas de expansão da fronteira agrícola.

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 80


O Google lançou o projeto Eu sou Amazônia




O Google lançou o projeto Eu sou Amazônia, que usa o Google Earth para mapear e contar histórias dos povos da floresta e as relações com questões como alimento, água e origens culturais. A iniciativa é parte da nova fase da empresa, que aposta na produção de conteúdo dentro de seus canais. A seção Viajantes do Google Earth é uma das principais mudanças. Nela, é possível explorar o mapa acompanhando ví­deos, imagens em 360º e textos produzidos especificamente para a área escolhida, como é o caso da Amazônia. Os usuários podem escolher entre diferentes tópicos, como Educação, Natureza, Cultura e Histórico. Para acessar o Google Earth é preciso usar o navegador Chrome e, nele, colocar o endereço: https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O FUNK está emburrecendo o meu filho! Desabafo de uma mãe preocupada...

Resultado de imagem para funk e ignorância





Eu, quero deixar bem claro, que essa é a minha opinião e não tenho a mínima intenção de influenciar ou falar por outras pessoas.

O "Funk" está emburrecendo o meu filho. Eu amo música, mas música de boa qualidade, com letras inteligentes, com melodias agradáveis e esse estilo de música, chamado de "Funk Ostentação", não contribui em nada na consolidação da educação e boa comunicação entre as pessoas, aliás, estimula o ouvinte a regredir. As letras são desrespeitosas, pobres e sem conteúdo, ensinam apenas a rebolar, a se insinuar, estimula o assédio moral e sexual, expõe as pessoas ao ridículo. Creio, que alguns autores de "Funk e de Rap", fazem boas letras, gosto de "Só Love" de "Claudinho & Buchecha", gosto do "Rap do Silva" de "MC Bob Rum", que conta uma história triste, por sinal, gosto das músicas do "Marcelo D2", gosto do trabalho do "Criolo", gosto do trabalho do "Emicida", gosto do trabalho do "Projota", acho algumas músicas excelentes, como o "Rap da felicidade", por exemplo. O "Rap e o Funk", com letras inteligentes, tornam-se importantes para ajudar na conscientização das pessoas, tem cunho social, mas músicas que só falam sobre sexo, bunda e geme daqui e geme de lá, pelo amor de Deus, aliás, só Jesus na causa. Quando vejo meu filho ouvindo essas músicas e rebolando sem parar e se recusando a ler um livro, eu quero me enforcar num pé de couve, literalmente. Tenho um filho de 9 anos que só quer ouvir Funk, que começou a falar errado por ouvir certas músicas, só pensa em temas relacionados com sexualidade e atualmente tenho que repreendê-lo por certas atitudes e pela forma que vem tratando as pessoas. Eu, sou das antigas, sou do tempo que se preza falar e escrever corretamente, sou do tipo que nem usa "Internetês", mesmo usando muito a Internet. Atualmente, o Celular e o Tablet estão restritos, porque se eu deixar, ele ficará 24 horas por dia na rede ouvindo essas músicas, restringi totalmente o acesso dele, não gosto dessa atitude, não gosto de censura, mas não quero algo que considero "nocivo", influenciando a educação do meu filho. Fico realmente perplexa com o que as pessoas querem "ouvir" e se essas músicas com letra paupérrima e sem conteúdo considerado saudável toca tanto essas pessoas, sinto medo do que está por vir. Teremos uma nação pobre de espírito e pobre intelectualmente.

Que pena!

Texto: Mari Martins
Imagem do Google




quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Estudo feito na Unicamp permite traçar o roteiro da obesidade

Estudo feito na Unicamp permite traçar o roteiro da obesidade


Ao investigar, na última década, os fatores associados à crescente epidemia global de obesidade, cientistas identificaram dois eventos que contribuem fortemente para o ganho de peso.
Um deles é a alteração no perfil de bactérias que compõem a flora intestinal. Estudos publicados entre 2005 e 2007 mostraram que pessoas obesas geralmente apresentam um conjunto de microrganismos que favorece a absorção dos nutrientes da dieta. Ou seja, uma maçã pode ser mais calórica para uma pessoa gorda do que para uma pessoa magra. Mas se isso é causa ou consequência do sobrepeso ainda não se sabia ao certo.
Outro evento importante é a morte de um grupo de neurônios existente em uma região do cérebro chamada hipotálamo. Conhecidas como neurônios POMC, essas células são sensores de nutrientes e têm a função de avisar para o corpo que está na hora de parar de comer e que já há energia disponível para gastar. Após a perda desses sensores, mostraram os estudos, os indivíduos passam a sentir cada vez mais necessidade de consumir alimentos ricos em gordura e açúcar. Por outro lado, ficam com o metabolismo mais lento e armazenam grande parte da energia fornecida pela dieta desbalanceada.
“Começamos então a nos perguntar: o que vem antes? A mudança no padrão alimentar do paciente causada por um erro no sistema cerebral de controle da fome ou a alteração do microbioma intestinal? Nossos dados mais recentes sugerem que o hipotálamo é danificado muito antes de ocorrerem alterações no intestino”, contou Licio Augusto Velloso, coordenador do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos CEPIDs apoiados pela FAPESP.
Em uma palestra apresentada na manhã de terça-feira (19/09), durante a FAPESP Week Nebraska-Texas, Velloso apresentou resultados de um estudo realizado na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp durante o pós-doutorado de Daniela Razolli.
O grupo realizou nos tecidos de camundongos submetidos à dieta rica em gordura saturada uma série de análises temporais – que ao todo durou quatro meses, tempo suficiente para o animal ficar obeso. Em vários momentos ao longo do período experimental, uma parte da colônia era sacrificada e tinha o cérebro e o intestino analisados pelos pesquisadores.
“Começamos a detectar alterações hipotalâmicas logo no primeiro dia da dieta obesogênica. Já as alterações na microbiota intestinal demoraram entre duas e três semanas para aparecer. É uma diferença temporal relativamente grande – considerando que são camundongos”, explicou Velloso.
Em estudos anteriores, o grupo da Unicamp já havia detalhado como os danos aos neurônios POMC acontecem. As moléculas de gordura saturada ingeridas são absorvidas no intestino, caem na corrente sanguínea e chegam ao cérebro, junto com os demais nutrientes da dieta.
No sistema nervoso central, uma célula de defesa conhecida como micróglia entende que aquele excesso de gordura é uma ameaça aos neurônios e começa a produzir moléculas inflamatórias como se estivesse combatendo um patógeno.
“Essa inflamação, inicialmente, prejudica o funcionamento correto dos neurônios hipotalâmicos. Caso perdure por muito tempo, as células acabam morrendo. Esse, provavelmente, é o motivo pelo qual indivíduos que permanecem obesos por muito tempo têm dificuldade para emagrecer e recaem na doença mesmo após diversos tratamentos. Essas pessoas simplesmente não conseguem mais atingir um equilíbrio do fluxo de energia no corpo”, comentou Velloso.
Como o experimento com camundongos mostrou, os danos neuronais têm início muito antes de o indivíduo começar a engordar, mas podem ser revertidos no início do processo. Caso o erro alimentar perdure, disse Velloso, a lesão neuronal torna-se irreversível.
“Se o indivíduo comer uma refeição rica em gordura saturada, mas depois passar vários dias à base de uma dieta rica em fibras e vegetais, a inflamação no hipotálamo diminui e os neurônios se recuperam. O que não pode acontecer é a dieta obesogênica se tornar frequente, pois isso leva a um aumento gradativo do processo inflamatório”, disse o pesquisador.
A alimentação desbalanceada vai modificando uma série de parâmetros metabólicos, favorecendo o desenvolvimento de diabetes e hipertensão. Nesse contexto, explicou Velloso, surge a alteração da microbiota intestinal que, por sua vez, contribui tanto para o agravamento da obesidade como das doenças a ela associadas.
Segundo Velloso, estudos de outros grupos mostraram que uma dieta rica em carboidratos simples, como os presentes no açúcar e na farinha branca, também podem elevar os níveis de lípides no sangue e, de forma indireta, promover inflamação no hipotálamo.
“Ao comparar os dois tipos de dieta, porém, os pesquisadores concluíram que os resultados são piores quando há consumo excessivo de gordura saturada”, disse Velloso.
A principal fonte de gordura saturada da dieta humana são os alimentos de origem animal, como carnes gordurosas, manteiga e laticínios. Mas esse nutriente também está presente no óleo e derivados de coco e no óleo de dendê, assim como em diversos produtos industrializados, inclusive biscoitos, sorvetes, bolos e tortas.
Neurogênese
De acordo com Velloso, trabalhos recentes sugerem que é possível promover a neurogênese no hipotálamo, ou seja, estimular o surgimento de novos neurônios POMC como uma tentativa de combater a obesidade. Mas, por enquanto, trata-se apenas de uma possibilidade experimental, testada em roedores de laboratório. Ainda são necessárias muitas pesquisas para entender como o processo de diferenciação celular pode ser controlado.
“Estamos na fase de entender como funcionam as células precursoras dos neurônios, um tipo de célula-tronco que existe no cérebro. Precisamos descobrir quais fatores precisam ser ativados para desencadear o processo de neurogênese. É um passo inicial, mas pode no futuro ser uma solução terapêutica para a obesidade”, disse Velloso.
Ilustração:  Fábio Otubo
Produzir comida para promover saúde
Realizada entre os dias 18 e 22 de setembro, a FAPESP Week Nebraska-Texas tem como objetivo fomentar a colaboração entre cientistas do Brasil e dos Estados Unidos.
Na manhã desta terça-feira, logo antes da palestra de Velloso, o pesquisador norte-americano Andrew Benson apresentou o escopo do The Nebraska Food for Health Center, criado há cerca de um ano com o objetivo de desenvolver novos alimentos capazes de promover saúde agindo principalmente sobre o microbioma intestinal.
“Nosso sistema de produção de alimentos atualmente está preocupado em reduzir custos, aumentar produtividade, usar recursos de forma eficiente e outros fatores. Mas a preocupação com a saúde aparece apenas no que se refere à segurança. Ou seja, o sistema está preocupado em não matar as pessoas e não em promover a saúde. Precisamos mudar esse paradigma”, disse Benson.
A ideia, segundo o pesquisador, é estudar a diversidade genética de culturas locais, principalmente soja, feijão e outros grãos, para identificar componentes presentes nesses alimentos que são capazes de influenciar de forma benéfica o perfil de bactérias do intestino. No futuro, os compostos mais promissores poderão ser isolados e acrescentados a outros tipos de alimentos industrializados.
Essa abordagem poderia, na avaliação de Benson, auxiliar no combate a doenças metabólicas, autoimunes, cardiovasculares, câncer, doenças inflamatórias intestinais e até mesmo doenças neurológicas e pulmonares.
“Temos um planejamento para os próximos 10 anos. Nos primeiros cinco, estaremos focados em nossas culturas e doenças locais. Já na segunda metade abordaremos o problema de forma global e para isso vamos precisar de parceiros internacionais”, ressaltou.
Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Relicário



Vídeo do YouTube
Nando Reis & Cássia Eller - Relicário


USP investiga como o benzopireno pode causar câncer

Visando a prevenção, grupo da USP investiga como o benzopireno pode causar câncer



Presente na fumaça do cigarro, de escapamentos automotivos, da queima de madeira e em carnes excessivamente grelhadas na brasa ou defumadas, o benzopireno é um potente agente cancerígeno pertencente à classe dos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs).
Entender os vários mecanismos pelos quais essa substância pode induzir a transformação maligna em células humanas é o objetivo de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP e coordenado pela professora Ana Paula de Melo Loureiro na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo (USP).
Resultados preliminares foram divulgados em agosto passado durante o V Symposium on Epigenetics and Medical Epigenomics, realizado em São Paulo.
Segundo a pesquisadora, o objetivo é identificar as vias celulares, isto é, as sequências de reações biológicas, envolvidas no desenvolvimento do câncer e, assim, encontrar possíveis alvos para a prevenção ou tratamento da doença.
“Testes mostraram que a suplementação das culturas celulares com nicotinamida ribosídeo, um dos componentes da vitamina B3, protegeu as células e impediu a transformação maligna. Agora pretendemos entender por quais mecanismos isso acontece e se esse composto pode ser usado na quimioprevenção”, contou Loureiro.
Parte do projeto foi desenvolvida por Tiago Franco de Oliveira, bolsista FAPESP de pós-doutorado. A fase atual, envolvendo a suplementação com nicotinamida ribosídeo, constitui o projeto de doutorado de Everson Willian Fialho Cordeiro, também com bolsa FAPESP.
Metodologia
Os experimentos estão sendo realizados com células normais do pulmão – mais precisamente do epitélio brônquico. Essas células são incubadas com o benzopireno durante uma semana. Por ser esta uma substância de rápida absorção e biotransformação, contou a pesquisadora, precisa ser reposta diariamente nas culturas.
No final do período de incubação, as células são transferidas para um meio semissólido contendo agarose, um polissacarídeo obtido de algas, com a finalidade de impedir a adesão à placa de cultura.
“Já se sabe que uma célula epitelial normal não consegue crescer nesse meio semissólido, sem ancoragem. Para que isso seja possível, é necessário que alguns genes e proteínas tenham a sua expressão alterada no sentido de favorecer o desenvolvimento tumoral, como, por exemplo, o silenciamento da expressão de caderinas [moléculas de adesão dependentes do cálcio que permitem a ligação entre células vizinhas]”, explicou a pesquisadora.
Tal transformação foi observada em culturas expostas às concentrações de 0,5 e 1 micromolar (μM) de benzopireno que cresceram ao longo de sete dias. As células expostas a 0,1 μM não cresceram no meio de ágar. Segundo Loureiro, é possível que concentrações mais baixas do carcinógeno induzam a transformação celular após períodos mais longos de exposição.
Análises durante o período de incubação revelaram a ocorrência de alterações no DNA – tanto genéticas (lesões capazes de originar mutações na sequência de nucleotídeos) quanto epigenéticas (aumento dos níveis de 5-metilcitosina, o que altera a expressão de genes). As células que cresceram no meio semissólido apresentaram hipometilação global (diminuição dos níveis de 5-metilcitosina), uma característica de células tumorais.
Dados recentes da literatura científica sugerem que o surgimento de tumores está fortemente associado a alterações genéticas como também a alterações epigenéticas, que podem, por exemplo, ativar a expressão de genes pró-tumorais ou silenciar genes protetores.
O que mais chamou a atenção dos cientistas, porém, foi uma queda significativa dos níveis de metabólitos envolvidos na produção de energia para a célula logo após a primeira hora de exposição ao benzopireno. Ao longo do período de exposição, houve uma readaptação metabólica das células e, ao final, os níveis dos metabólitos estavam aumentados nas células expostas em comparação ao grupo-controle.
“Foi por essa razão que tivemos a ideia de suplementar as culturas com nicotinamida ribosídeo – uma molécula precursora do dinucleotídeo nicotinamida-adenina [NAD+], que é essencial para o metabolismo celular e para a produção de ATP [adenosina trifosfato, molécula que armazena energia para a célula]”, explicou.
A suplementação com nicotinamida ribosídeo (1 μM) começou 24 horas antes da exposição ao benzopireno e, a partir daí, foi renovada diariamente juntamente com o benzopireno. Os demais procedimentos foram semelhantes ao do teste anterior.
Ao final, as células expostas ao carcinógeno e suplementadas com nicotinamida ribosídeo não se mostraram capazes de crescer no meio de ágar – apresentando comportamento semelhante ao das células-controle (não expostas ao benzopireno).
“Sabemos que as células tumorais têm o metabolismo alterado, projetado para o crescimento. Agora pretendemos investigar de que modo a suplementação com nicotinamida ribosídeo protegeu contra a transformação de células que estavam em contato com uma substância conhecidamente carcinogênica”, disse Loureiro.
Fonte: Agência Fapesp