quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

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Elis Regina - Romaria


Dica cultural

J. CARLOS: ORIGINAIS
Autor de uma das mais poderosas crônicas visuais do Brasil na primeira metade do século 20, José Carlos de Brito e Cunha (1884-1950), conhecido como J. Carlos, é o tema da mostra no Instituto Moreira Salles, em São Paulo. A exposição reúne cerca de 300 itens do artista, que deixou um imenso portfólio com mais de 50 mil obras, incluindo caricaturas, charges, cartuns, alfabetos tipográficos, vinhetas e publicidade.
IMS Paulista, Avenida Paulista, 2424, São Paulo. Até 26/01/2020 – de terça-feira a domingo e feriados (exceto segunda), das 10h às 20h; quinta (exceto feriados), das 10h às 22h. Entrada franca.



Com a taça na mão, interrogo a lua




A lua está no céu sombrio. Quando chegou?
Pouso a minha taça, para fazer-lhe essa pergunta.
Os que querem apanhar a lua não o podem conseguir.
No entanto, no seu curso, a lua acompanha os homens.
É deslumbrante como um espelho voador, diante do Pavilhão vermelho.
As brumas azuis se extinguem e desaparecem e seu puro esplendor cintila.
Vêmo-la somente à noite subir do mar e perder-se nas nuvens.
Os homens de hoje não vêem mais a lua de outrora.
A lua de hoje iluminava os homens do passado.
Os homens do passado, homens de hoje - torrente que flui -
todos contemplam a lua, que a todos parece a mesma.
Tudo o que desejo é que, à hora de cantar e beber,
o luar se reflita sempre no fundo da taça de ouro.
Li Po (poeta chinês 701-762) – traduzido por Cecília Meireles
Foto by Mari Martins - Observatório Astronômico Maya




terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Dica cultural



PROCURAR-SE PELA CIDADE


Com obras de Lenora de Barros, pertencentes ao Museu de Arte Moderna (MAM), a exposição inclui os autorretratos da artista, que se assemelham aos anúncios de pessoas desaparecidas fixados no transporte público. A peça mostra a procura da artista por si mesma. "Em meio à multidão, esquecemos de nós, sobretudo no fluxo diário do ir e vir", afirma o curador Felipe Chaimovich.

Estações Paulista, Luz e Higienópolis-Mackenzie, na Linha 4-Amarela; estações Santo Amaro, Largo Treze e Hospital São Paulo, da Linha 5-Lilás. Até 07/01/2020 – de segunda a sexta-feira, das 4h40 à 0h00, e, sábado, das 4h40 à 1h00. Entrada franca.

Dica cultural



Exposição sobre Vilnius, a cidade natal do pintor Lasar Segall, atual capital da República da Lituânia, comemora os 130 anos de nascimento do artista. A mostra faz uma justaposição de obras: os desenhos produzidos por Segall, na cidade, até 1920, e seu álbum de gravura Erinnerung an Wilna, de 1922. A exposição reúne obras da época que Segall se descobriu pintor, quando admirava o seu pai escrevendo com uma tinta preta de fabricação própria.
Museu Lasar Segall, Rua Berta , 111, São Paulo. De 26/10/19 a 03/02/2020 –
de quarta a segunda-feira, das 11h00 às 19h00. Entrada franca.


quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Dica cultural

Resultado de imagem para só por hoje e para sempre


Livro: Só por hoje e para sempre: Diário do recomeço
Autor: Renato Russo
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 167
Gênero: Biografia/Autobiografia/Memórias


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Elis Regina - O Bêbado e a equilibrista

Nova estratégia para tratar o tipo mais agressivo de câncer cerebral é testada na USP

Nova estratégia para tratar o tipo mais agressivo de câncer cerebral é testada na USP


Maria Fernanda Ziegler, de Paris | Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma estratégia para tratar o tipo mais agressivo de câncer cerebral em adultos que combina uma molécula fotoativa e um agente quimioterápico – ambos encapsulados em nanopartículas.

Resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram apresentados no simpósio FAPESP Week France por Antônio Claudio Tedesco, do Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual e Fotoprocessos do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP).

O glioblastoma multiforme de grau quatro representa quase 25% dos tumores cerebrais não metastáticos. A nova terapia pode ser usada antes, durante e depois da cirurgia de remoção do tumor, obrigatória nesses casos agressivos. O uso de nanopartículas permite, segundo o pesquisador, liberar os compostos ativos diretamente na região afetada de maneira gradual e sustentada durante alguns meses.

“Quanto menos tecido cerebral for removido, mais segura é a cirurgia, pois cai consideravelmente o risco de comprometimento das funções vitais do paciente”, explicou Tedesco.

Dados de experimentos feitos em culturas de células tumorais foram publicados na revista Molecular Pharmaceutics .

O grupo pretende, em breve, avaliar o efeito do tratamento em animais antes, durante e após a remoção cirúrgica do tumor. A proposta é enriquecer a região afetada com as moléculas fotoativas cerca de duas semanas antes da cirurgia. Durante esse período, simultaneamente, o quimioterápico estará agindo para reduzir a massa tumoral.

Durante a cirurgia, a luz será aplicada para ativar os compostos fotossensíveis. “Nesse momento, com a retirada da calota craniana e do tumor, é possível proteger o tecido sadio com a fototerapia e matar as células doentes que porventura continuam impregnadas no tecido”, disse o pesquisador.

No período pós-cirúrgico, o novo tratamento pode ajudar a evitar a recidiva, pois as nanopartículas são capazes de liberar de forma gradual o quimioterápico diretamente na região do tumor, sem causar problemas colaterais ao paciente debilitado.

“É justamente nesse período que 90% dos pacientes apresentam recidiva e, normalmente, de forma muito agressiva. No entanto, como estão debilitados, não é possível submetê-los à radioterapia ou à quimioterapia convencional. Com o novo método, podemos manter o combate ativo da doença por um mês após a cirurgia”, disse Tedesco.

O tratamento quimioterápico convencional contra o glioblastoma envolve a administração do fármaco temozolomida, de custo elevado e com poucas garantias de eficácia. Entre os efeitos adversos da dose necessária para atravessar a barreira hematoencefálica – que protege o sistema nervoso central – estão danos à medula óssea, onde estão as células-tronco hematopoiéticas responsáveis por gerar as células do sangue e do sistema imunológico.

Tecnologia versátil

Tedesco ressalta que a nanotecnologia e os novos sistemas de veiculação de fármacos com nanopartículas lipídico-proteicas têm permitido que moléculas antes usadas para o tratamento de determinadas patologias possam ser “redesenhadas” e adaptadas a novas funções.

Dessa forma, o mesmo sistema usado para o tratamento do glioblastoma pode atuar no diagnóstico da doença e fornecer informações importantes para a cirurgia de remoção do tumor por meio de um marcador fluorescente.

Atualmente, antes da cirurgia, são usadas imagens de tomografia ou ressonância capazes de detectar a massa tumoral. “O neurologista decide a margem de segurança que deve ser retirada. Com o novo sistema, é possível saber exatamente qual é a massa a ser retirada”, disse.

Os mesmos sistemas carreadores contendo os ativos descritos acima podem ser usados ainda para a marcação e o diagnóstico de tipos menos graves de glioblastoma. “Gostaríamos de fazer a mesma abordagem para identificar os pacientes com tumores de grau dois e três que ainda não têm indicação para uma intervenção cirúrgica. Desse modo, podemos tratar a doença antes que ela evolua”, disse Tedesco.

“Caso a gente tenha de avançar para uma cirurgia, a nossa ideia é que, com a tecnologia de impressão de órgãos em 3D, já disponível no Centro de Nanotecnologia, possamos construir uma prótese com o tamanho exato do tumor a ser retirado. Podemos impregnar esse material com quimioterápico e implantá-lo no paciente para que libere de forma sustentada o composto ativo por semanas ou meses”, disse.

O grupo de Tedesco é um dos pioneiros no Brasil na área de fototerapia dinâmica. Os trabalhos nesse campo iniciaram-se com o tratamento de câncer de pele e avançaram rapidamente para a área da engenharia tecidual e medicina regenerativa de órgãos e tecidos. Entre os estudos já realizados estão um modelo artificial de pele humana – hoje produzido para o tratamento de queimados e de cicatrização.

Existem ainda trabalhos com sistemas carreadores de fármacos altamente específicos que podem ser usados no tratamento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e epilepsia.

O simpósio FAPESP Week France foi realizado entre os dias 21 e 27 de novembro, graças a uma parceria entre a FAPESP e as universidades de Lyon e de Paris, ambas da França. Leia outras notícias sobre o evento em www.fapesp.br/week2019/france/.

Fonte: Agência Fapesp

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Pesquisadores criam minifígado funcional por impressão 3D

Pesquisadores criam minifígado funcional por impressão 3D


Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – A partir de células sanguíneas humanas, pesquisadores brasileiros conseguiram obter organoides hepáticos – ou minifígados – capazes de exercer as funções típicas do órgão, como produção de proteínas vitais, secreção e armazenamento de substâncias. A inovação permite a produção de tecido hepático no laboratório em apenas 90 dias e pode se tornar, no futuro, uma alternativa ao transplante de órgãos.

No estudo, realizado no Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP na Universidade de São Paulo (USP) –, foram combinadas técnicas de bioengenharia, como reprogramação celular e produção de células-tronco pluripotentes, com a bioimpressão 3D. A estratégia permitiu que o tecido produzido pela impressora mantivesse as funções hepáticas por um período mais longo que o registrado em trabalhos anteriores de outros grupos.

“Ainda existem etapas a serem alcançadas até obtermos um órgão completo, mas estamos em um caminho muito promissor. É possível que, em um futuro próximo, em vez de esperar por um transplante de órgão seja possível pegar a célula da própria pessoa e reprogramá-la para construir um novo fígado em laboratório. Outra vantagem importante é que, como são células do próprio paciente, a chance de rejeição seria, em teoria, zero”, disse  Mayana Zatz, coordenadora do CEGH-CEL e coautora do artigo publicado na revista  Biofabrication .

A inovação do estudo está na forma de incluir as células na biotinta usada para formar o tecido na impressora 3D. “Em vez de imprimir células individualizadas, desenvolvemos uma maneira de agrupá-las antes da impressão. São esses ‘gruminhos’ de células, ou esferoides, que constituem o tecido e mantêm a sua funcionalidade por muito mais tempo”, explicou  Ernesto Goulart, pós-doutorando do Instituto de Biociências da USP e primeiro autor do artigo.

Desse modo, evita-se um problema comum à maioria das técnicas de bioimpressão de tecidos humanos: a perda paulatina do contato entre as células e, consequentemente, da funcionalidade do tecido.

No estudo, a formação dos esferoides ocorre já no processo de diferenciação, quando as células pluripotentes são transformadas em células do tecido hepático (hepatócitos, células vasculares e mesenquimais). “Começamos o processo de diferenciação já com as células agrupadas. Elas são cultivadas em agitação e espontaneamente formam agrupamentos”, disse Goulart.

Um fígado em 90 dias

De acordo com os pesquisadores, o processo completo – desde a coleta do sangue do paciente até a obtenção do tecido funcional – demora aproximadamente 90 dias e pode ser dividido em três etapas: diferenciação, impressão e maturação.

Inicialmente, os pesquisadores reprogramam as células sanguíneas para que regridam a um estágio de pluripotência característico de célula-tronco (células-tronco pluripotentes induzidas ou iPS, técnica que rendeu o Nobel de Medicina ao cientista japonês Shinya Yamanaka, em 2012). Em seguida, induzem a diferenciação em células hepáticas.

Os esferoides são então misturados à biotinta, uma espécie de hidrogel, e impressos. As estruturas resultantes passam por um período de maturação em cultura que dura 18 dias.

“A deposição dos esferoides durante a impressão ocorre em três eixos, algo necessário para o material ganhar volume e o tecido ter sustentação. Depois é feita uma reação de reticulação para que a impressão – que tem a consistência de um gel – enrijeça a ponto de ser manipulada ou até mesmo suturada”, disse Goulart.

A maioria dos métodos disponíveis para impressão de tecidos vivos usa imersão e dispersão celular dentro de um hidrogel para recapitular o microambiente e a funcionalidade do tecido. No entanto, provou-se que, ao fazer a dispersão célula a célula, a tendência é que ocorra a perda de contato celular e de funcionalidade.

“É um processo um pouco traumático para as células, que necessitam de um tempo para se acostumar com o ambiente e ganhar funcionalidade. Nessa etapa, elas ainda não são um tecido, pois estão dispersas, mas, como pudemos constatar, já têm a capacidade de desintoxicar o sangue e também de produzir e secretar albumina [proteína produzida exclusivamente pelo fígado], por exemplo”, disse Goulart à Agência FAPESP.

No estudo, os pesquisadores desenvolveram os minifígados usando como matéria-prima células de sangue de três voluntários. Foram comparados marcadores relacionados à funcionalidade, como a manutenção de contato celular, produção e liberação de proteínas. “Os esferoides funcionam muito melhor do que os obtidos por dispersão célula a célula. Como previsto, durante a maturação, eles não tiveram os marcadores de função hepática reduzidos”, disse.

Embora o estudo tenha se limitado à produção de fígados em miniatura, Goulart acredita ser possível a produção de órgãos inteiros no futuro, que poderiam ser transplantados. “Fizemos em uma escala mínima, mas com investimento e interesse é muito fácil de escalonar”, disse.

O artigo 3D bioprinting of liver spheroids derived from human induced pluripotent stem cells sustain liver function and viability in vitro (doi: 10.1073/pnas.1904384116), de Ernesto Goulart, Luiz Carlos de Caires-Junior, Kayque Alves Telles-Silva, Bruno Henrique Silva Araujo, Silvana Aparecida Rocco, Mauricio Sforca, Irene Layane de Sousa, Gerson Shigeru Kobayashi, Camila Manso Musso, Amanda Faria Assoni, Danyllo Oliveira, Elia Caldini, Silvano Raia, Peter I Lelkes e Mayana Zatz, pode ser lido em iopscience.iop.org/article/10.1088/1758-5090/ab4a30.


Fonte: Agência Fapesp