terça-feira, 13 de novembro de 2018

Cientistas da Unesp sintetizam molécula capaz de eliminar o vírus da hepatite C

Cientistas da Unesp sintetizam molécula capaz de eliminar o vírus da hepatite C

Um novo composto que inibe a replicação do vírus da hepatite C (HCV) em diversos estágios de seu ciclo – e é capaz de agir também em bactérias, fungos e células cancerosas – foi sintetizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). 
O estudo – apoiado pela FAPESP por meio de vários instrumentos de fomento à pesquisa [veja a relação adiante] – foi descrito em artigo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.
“O que fizemos foi combinar moléculas já existentes, por meio de síntese em laboratório, para produzir novos compostos com potencial biológico. Esse método é chamado de bioconjugação. Por meio da bioconjugação, sintetizamos seis compostos e os testamos nos genótipos 2a e 3a do HCV. E conseguimos chegar a um composto com grande potencial terapêutico”, disse o químico Paulo Ricardo da Silva Sanches, um dos dois autores principais do estudo, à Agência FAPESP.
O vírus da hepatite C apresenta significativa variabilidade genômica, exibindo pelo menos seis genótipos principais, cada qual com subtipos. Os genótipos 2a e 3a são os subtipos mais comuns do HCV circulante. O composto capaz de destruí-los – o AG-hecate – foi sintetizado a partir do ácido gálico e do peptídeo hecate. 
“Descobrimos que esse composto atua em quase todas as etapas do ciclo replicativo do HCV – o que não é uma característica comum nos antivirais. Esses geralmente têm alvos pontuais e isolados, como proteínas do capsídeo, receptores de membranas ou proteínas específicas como a NS3, inibindo processos específicos como a entrada do vírus nas células, a síntese do material genético e de proteínas, a montagem e liberação de novas partículas virais. O AG-hecate, ao contrário, apresentou ampla atividade, agindo em diversas etapas do ciclo”, explicou Sanches.
“O composto também apresentou atividade nos chamados ‘lipid droplets’ – gotas de lipídeo no interior das quais o vírus circula nas células e que o protegem do ataque de enzimas. O AG-hecate desestrutura essas gotas de lipídeo e deixa o complexo replicativo do vírus exposto à ação das enzimas celulares”, prosseguiu.
Os pesquisadores testaram o AG-hecate tanto no vírus completo quanto nos chamados “replicons subgenômicos”, que possuem todos os elementos para a replicação do material genético do vírus nas células, mas são incapazes de sintetizar proteínas responsáveis pela infecção. E o composto foi eficiente em todos os testes.
Outra virtude apresentada pelo composto foi seu alto índice de seletividade. Isso significa que ele ataca muito mais o vírus do que a célula hospedeira. E, assim, tem potencial para ser utilizado como fármaco no tratamento da doença. 
“Apesar de o composto apresentar pequena atividade nos eritrócitos, os ‘glóbulos vermelhos’ do sangue, a molécula precisa passar por alterações em sua estrutura para reduzir ainda mais a sua toxicidade. É nisso que estamos trabalhando agora, para que a pesquisa possa evoluir da fase in vitro para a fase in vivo”, disse o pesquisador da Unesp. 
Como informou o professor Eduardo Maffud Cilli, orientador do doutorado de Sanches no Instituto de Química da Unesp em Araraquara (SP), “o tempo médio para o planejamento e desenvolvimento de peptídeos terapêuticos é de 10 anos. Acabou de sair um estudo com esses dados. Até agora, foram despendidos aproximadamente dois anos no desenvolvimento da molécula de AG-hecate”. “Considerando a média estatística, serão necessários mais oito anos antes que a droga chegue ao mercado.”
Cilli participou do estudo e também assina o artigo publicado em Scientific Reports. “A ótima notícia é que essa molécula não age apenas no HCV. Pode agir também em bactérias, fungos e células cancerosas. Além disso, como os vírus do zika e da febre amarela apresentam ciclos replicativos bastante parecidos com o do HCV, vamos testar a efetividade do AG-hecate também em relação a esses vírus”, disse.
No caso do câncer, a molécula interage e destrói a membrana da célula afetada. Aqui, a seletividade da ação do AG-hecate deve-se ao fato de que a célula modificada pelo câncer tem uma quantidade maior de cargas negativas na superfície do que a célula normal. E o peptídeo tem carga positiva. Então, a ação se dá por atração eletrostática. No caso do vírus, o mecanismo de ação da molécula é mais complexo, como mostra a ilustração.
Os estudos foram realizados no Laboratório de Síntese e Estudos de Biomoléculas do Instituto de Química da Unesp em Araraquara, coordenado pelo professor Eduardo Maffud Cilli, e no Laboratório de Estudos Genômicos do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp em São José do Rio Preto, coordenado pela professora Paula Rahal, orientadora do doutorado de Mariana Nogueira Batista, pesquisadora que divide autoria deste trabalho com Sanches.
Apoio da FAPESP
A pesquisa foi apoiada pela FAPESP no âmbito do Centro de Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP. A Fundação também concedeu bolsas aos seguintes projetos:
O artigo GA-Hecate antiviral properties on HCV whole cycle represent a new antiviral class and open the door for the development of broad spectrum antivirals pode ser lido em www.nature.com/articles/s41598-018-32176-w.
Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Cantarolando




Vídeo do YouTube
Ney Matogrosso - Por debaixo dos panos

Adesivo desenvolvido por cientistas pode ser a solução para obesidade

Resultado de imagem para adesivo para emagrecer da china

Cientistas da NTU, Nanyang Technological University de Singapura, na Ásia, desenvolveram um adesivo revolucionário para reduzir gorduras da barriga e ajudar a reduzir o problema mundial da obesidade. O adesivo, que fez ratos emagrecerem mais de 30 por cento em quatro semanas, com uma dieta rica em gordura, “usa as gorduras do corpo de uma pessoa para queimar mais energia, um processo natural [usado para manter bebês quentinhos]”.
Além de perderem peso, os ratos tratados também apresentaram níveis significativamente mais baixos de colesterol no sangue e ácidos graxos, em comparação com os camundongos não tratados.
O adesivo combina um remendo de micro-agulhas, com drogas que são conhecidas por transformar o armazenamento de energia de gordura branca em gordura marrom, a gordura “boa” que queima energia. Elas são carregadas com o agonista do receptor adrenérgico Beta-3 do medicamento, ou outro medicamento chamado triiodotironina do hormônio tireoidiano T3. Pressionadas na pele por cerca de dois minutos, estas micro-agulhas se encaixam na pele e se separam do remendo, que pode ser removido. À medida que as agulhas se degradam, as moléculas do fármaco se espalham lentamente para a gordura branca por baixo da camada de pele, transformando-as em gordura marrom que queima energia.
A gordura marrom é encontrada normalmente em bebês e ajuda a manter a criança aquecida ao queimar energia. À medida que os seres humanos envelhecem, a quantidade de gordura marrom diminui e é substituída por gorduras brancas viscerais, por isso muita gente fica barriguda à medida que envelhece.

Obesidade

A pesquisa sobre o adesivo foi publicada na revista Small Methods pelo Professor Chen Peng da NTU e pelo Professor Adjunto Xu Chenjie. Eles dizem que esse tratamento com o adesivo poderia ajudar a resolver o problema mundial da obesidade sem recorrer a operações cirúrgicas, ou medicamentos orais, que poderiam exigir grandes doses e poderiam ter sérios efeitos colaterais. “A quantidade de drogas que usamos no adesivo é muito menor que a usada em medicação oral, ou uma dose injetada. Isso reduz os custos de ingrediente de drogas, enquanto nosso projeto de liberação lenta minimiza seus efeitos colaterais “, disse Xu.
A obesidade é um importante fator de risco para a saúde e provoca doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais e diabetes tipo 2. A Organização Mundial de Saúde estima que 1,9 bilhão de adultos no mundo estavam acima do peso em 2016, sendo 650 milhões deles obesos.
“O que pretendemos desenvolver é um remédio indolor que todos poderiam usar facilmente, discreto e ainda acessível”, disse Chen, especialista em biotecnologia que pesquisa obesidade. Ser capaz de administrar o medicamento diretamente no local da ação é uma das principais razões que fazem haver menos efeitos colaterais do que a medicação administrada oralmente.

Tratamento barato

A equipe estima que seu protótipo de adesivo teve um custo material de cerca de US $ 3,50 para fazer, pouco mais de R$ 11. Ele contém o agonista de receptores beta-3 adrenérgicos combinado com ácido hialurônico, uma substância naturalmente encontrada no corpo humano e comumente usada em produtos como a pele hidratantes. O agonista dos receptores adrenérgicos Beta-3 é um medicamento aprovado pelo FDA – a agência americana que regula remédios e alimentos – e é usado no tratamento de bexigas hiperativas. Já a triiodotironina T3 é um hormônio da tireoide usado para tratar a glândula. Os dois foram usados em outros estudos para transformar as gorduras brancas
em marrom, mas não deram certo. Ele provocaram efeitos colaterais sérios por terem sido administrados via ingestão oral.

Teste em humanos

O professor associado da Escola de Medicina Lee Kong Chian, Melvin Leow, que não fez parte deste estudo, disse que é emocionante poder combater a obesidade através do acúmulo de gordura branca e os resultados foram promissores.
“Esses dados devem encorajar os estudos clínicos de Fase I em seres humanos para traduzirem esses achados científicos básicos, com esperança de que [os adesivos] possam ser desenvolvidos em uma modalidade econômica estabelecida para a prevenção ou tratamento da obesidade em um futuro próximo”, ” acrescentou o endocrinologista Leow.
A publicação do trabalho despertou o interesse das empresas de biotecnologia. A equipe estuda agora, qual o melhor parceiro clínico para dar prosseguimento aos trabalhos.
Fonte: GNN e NTU

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Cantarolando




Vídeo do YouTube
Frejat - Amor pra recomeçar

Extrato da casca de jabuticaba promove efeitos benéficos à saúde

Extrato da casca de jabuticaba promove efeitos benéficos à saúde



Um grupo de pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) constatou que o extrato da casca da jabuticaba foi capaz de prevenir o pré-diabetes e o aumento do acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) em camundongos.
Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados no Journal of Functional Foods.
“Observamos que a ingestão do extrato da casca da jabuticaba por camundongos envelhecidos, submetidos a uma dieta com alto teor de gordura, também causou a diminuição no ganho de peso e da dislipidemia [aumento de gordura no sangue] e da hiperglicemia [excesso de glicose no sangue] e melhorou o HDL [colesterol bom] dos animais, entre outros benefícios”, disse Valéria Helena Alves Cagnon Quitete, professora do IB-Unicamp e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.
O extrato da casca da fruta nativa da Mata Atlântica foi desenvolvido em uma parceria entre pesquisadores do IB e da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp. Um grupo de pesquisadores da FEA, coordenado pelo professor Mário Roberto Maróstica Junior, vinha estudando o efeito da adição da casca de jabuticaba na ração de camundongos.
Por meio da parceria, os pesquisadores conseguiram produzir um extrato da casca da fruta que pode ser administrado de forma controlada e com grande concentração de compostos bioativos – substâncias que ocorrem naturalmente em alimentos e que interferem positivamente no metabolismo, mas que não são nutricionalmente necessárias. O extrato resultou no depósito de uma patente, que está em processo de licenciamento por uma empresa brasileira.
“Conseguimos desenvolver um método que permite obter uma grande quantidade de compostos bioativos da casca de jabuticaba em um baixo volume de extrato”, disse Celina de Almeida Lamas, doutoranda no IB-Unicamp e uma das autoras do estudo.
As análises químicas do extrato de casca de jabuticaba demostraram que o composto possui um alto teor de compostos fenólicos, como as antocianinas, presentes também no vinho tinto, com efeitos positivos no metabolismo orgânico.
Os pesquisadores fizeram um experimento com camundongos em processo de envelhecimento a fim de avaliar o limite da dose de extrato da casca de jabuticaba que pode ser consumida para promover os efeitos benéficos desejados e se uma dose alta do composto amplificaria os efeitos.
O envelhecimento está diretamente associado à redução da capacidade metabólica e alterações do metabolismo hepático, glicídico e lipídico. Durante o envelhecimento há uma deficiência de controle do nível de glicose no sangue, um aumento da deposição de triglicerídeos no fígado e desequilíbrio hormonal. Além disso, é comum os idosos apresentarem dislipidemia, hiperinsulinemia, diabetes e doenças cardiovasculares.
A fim de potencializar esses efeitos danosos do processo de envelhecimento, os pesquisadores ofereceram aos camundongos uma dieta rica em gordura (lipídeos), capaz de promover ganho de peso, aumentar a gordura no fígado, estimular a dislipidemia e aumentar os níveis de glicose. A dieta possuía cinco vezes mais lipídeos do que uma dieta normal.
“Estudos apontavam que se os animais consumissem essa dieta hiperlipídica por 60 dias seria suficiente para desenvolverem pré-diabetes e alterações hepáticas. Pensamos em fornecer o extrato por esse tempo para verificar se, no final, eles não teriam esses problemas”, disse Lamas.
Melhoria no fígado
Os camundongos foram divididos aleatoriamente em grupos, dos quais um foi composto por animais jovens, com três meses de idade, que recebeu dieta padrão. Outro foi formado por camundongos com 11 meses de idade, também com dieta padrão. O terceiro grupo foi integrado por camundongos com 11 meses de idade, submetidos a uma dieta rica em gordura.
Um quarto e quinto grupos, compostos por animais envelhecidos, receberam, respectivamente, por gavagem (introduzida por tubo de PVC) uma dose de 2,9 ou 5,8 gramas de extrato por quilo de peso e uma dieta padrão durante 60 dias.
Um sexto e um sétimo grupo, compostos por animais envelhecidos, receberam, respectivamente, por gavagem uma dose de 2,9 ou 5,8 gramas de extrato por quilo de peso e uma dieta rica em gordura durante 60 dias.
As análises revelaram que ambas as doses do extrato da casca de jabuticaba aplicadas nos camundongos envelhecidos impediram o ganho de peso, diminuíram o processo inflamatório e causaram uma redução da hiperglicemia e da dislipidemia – o que preveniu o pré-diabetes.
Além disso, aumentaram os níveis de HDL e a atividade de receptores relacionados à insulina e de algumas moléculas relacionadas à proliferação de peroxissomos – bolsas membranosas que possuem alguns tipos de enzimas digestivas.
“Também percebemos que o extrato da casca de jabuticaba promoveu uma melhoria na morfologia do fígado dos animais”, disse Quitete.
Os pesquisadores também observaram que a dose maior de extrato da casca de jabuticaba, com 5,8 gramas de extrato por quilo do peso do animal, foi mais eficiente na promoção desses efeitos benéficos em comparação com a dosagem menor.
“A dose duplicada apresentou melhores efeitos em vias metabólicas importantes ligadas à obesidade, ao pré-diabetes e à restauração da estrutura do fígado dos camundongos envelhecidos”, disse Quitete.
Os pesquisadores também estão realizando um estudo em que avaliam o uso do extrato da casca de jabuticaba no atraso da progressão do câncer de próstata em camundongos transgênicos, também com apoio da FAPESP.
Os resultados preliminares indicaram que o composto foi capaz de diminuir as lesões na próstata dos animais. “Percebemos uma melhora substancial na morfologia da próstata dos camundongos, além da diminuição do estresse oxidativo e da inflamação”, disse Quitete.
“A diminuição da inflamação e o equilíbrio do estresse oxidativo levaram a uma melhora tecidual e molecular da próstata dos animais”, disse.
O artigo Jaboticaba extract prevents prediabetes and liver steatosis in high-fat-fed aging mice, de Celina de Almeida Lamas, Valéria Helena Alves Cagnon Quitete e outros, pode ser lido no Journal of Functional Foods em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1756464618303013.
Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Cantarolando






Vídeo do YouTube
O Rappa - Vapor Barato

Dica cultural


Resultado de imagem para romances brasileiros


O portal de arte RevistaK7, preparou uma lista com os 20 melhores títulos de romance da literatura brasileira, um livro para cada grande autor nacional.

Vale a pena conferir!

 Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis
• O Ateneu (1888), Raul Pompeia
• Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), Lima Barreto
• Macunaíma (1928), Mário de Andrade
• Vidas Secas (1938), Graciliano Ramos
• Fogo Morto (1943), José Lins do Rego
• Grandes Sertões: Veredas (1956), Guimarães Rosa
• A Paixão Segundo GH (1964), Clarice Lispector
• O Coronel e o Lobisomem (1964), José Cândido de Carvalho
• A Pedra do Reino (1971), Ariano Suassuna
• Os Sertões (1902), Euclides da Cunha
• Capitães de Areia (1937), Jorge Amado
• O Tempo e o Vento (1949), Érico Veríssimo
• Vestido de Noiva (1973), Nelson Rodrigues
• O Cortiço (1890), Aluísio Azevedo
• Til (1842), José de Alencar
• Crônica da Casa Assassinada (1959), Lúcio Cardoso
• Morte e Vida Severina (1967), João Cabral de Melo Neto
• Memórias de um Sargento de Milícias (1854), Manuel Antonio de Almeida
• O Quinze (1930), Rachel de Queiroz
Mais informações em: http://www.revistak7.com.br/2017/07/romance-20-titulos-da-literatura.html
Imagem by Google




Infertilidade?!


Resultado de imagem para semen




Um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp concluiu que a qualidade do
sêmen sofreu um declínio nos últimos 27 anos. Primeira no Brasil a ter grande amostragem e um longo período de seguimento, de 1989 a 2016, a pesquisa – conduzida pela bióloga Anne Ropelle – avaliou 9.495 homens. A média de concentração dos espermatozóides era de 86 milhões por ml, entre 1989 e 1995; de 2011 a 2016 caiu para 48 milhões, ainda dentro do padrão de normalidade, que é igual ou acima de 15 milhões por ml. A motilidade progressiva e os valores da morfologia normal também caíram. Uma das causas que devem ser investigadas mais a fundo, segundo os pesquisadores, é a obesidade.



Fonte: Revista Ser Médico - Edição 84
Imagem by Google


Descoberto caminho para interromper o desenvolvimento da asma alérgica

Descoberto caminho para interromper o desenvolvimento da asma alérgica


Um grupo de pesquisadores brasileiros conseguiu impedir que a asma alérgica prosseguisse, em modelos experimentais. Eles aumentaram a quantidade de uma determinada proteína que bloqueou os linfócitos T CD4 – responsáveis pela produção de citocina que desencadeia cascata de eventos que resultam no início e na progressão da doença.  
Agora que se sabe como a doença pode ser interrompida em cultura de células e em animais, abre-se um caminho de investigação para desenvolver um medicamento que controle a expressão de tal proteína em modelos experimentais e em humanos. 
O estudo foi realizado no âmbito do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.
Os resultados foram publicados no Journal of Allergy and Clinical Immunology e são parte do projeto de pós-doutorado de Luciana Benevides, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), primeira autora do artigo. 
“O que atualmente se administra em pessoas com alergia ou asma brônquica são medicamentos como anti-histamínicos, broncodilatadores e corticoides, que inibem sintomas da doença, além de inibir a resposta celular, incluindo a dos linfócitos TH2”, disse João Santana da Silva, professor da FMRP e coordenador do estudo. 
“No entanto, as células TH2 levam à produção de substâncias responsáveis pela sintomatologia; então o tratamento é só de sintomas como coriza, dificuldade de respirar, entre outros. O que nós descobrimos é que se forem bloqueados outros linfócitos T, os TH9, a doença vai ter uma resolução efetiva, bloqueando inclusive a produção de substâncias que causam os sintomas”, disse Silva.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores fizeram experimentos com cultura de células humanas e de camundongos. Além disso, foram usados camundongos transgênicos. 
Os diferentes ensaios ajudaram a confirmar que quando o gene Blimp-1 é superexpresso há um aumento da proteína que ele produz, de mesmo nome, que por sua vez bloqueia a ação dos linfócitos que produzem uma citocina, a IL-9, que causa a inflamação alérgica das vias aéreas. “O importante é que o bloqueio de IL-9 diminui a resposta TH2 e, consequentemente, a evolução da doença”, disse Benevides à Agência FAPESP.
Gene Blimp-1
Para testar a hipótese de que o Blimp-1 tinha um papel importante na resolução da alergia, os pesquisadores criaram camundongos transgênicos com esse gene deletado nos linfócitos T. 
Como tem outras funções, o gene não poderia ser completamente desativado, então foi usada a técnica conhecida como nocaute condicional para que ele deixasse de funcionar apenas nessas células.
Em seguida, tanto os camundongos transgênicos, com o Blimp-1 deletado no linfócito T, como os animais controle foram submetidos a um procedimento que induz a alergia. Os pesquisadores injetaram doses de ovoalbumina e, em seguida, introduziram a mesma substância no nariz (intranasal) dos animais, resultando em doença inflamatória das vias aéreas, isto é, alergia à proteína do ovo.
Ao analisarem a reação do organismo nos dois grupos de animais, notaram que os camundongos sem o gene Blimp-1 sofriam muito mais os efeitos da alergia do que os que tinham o gene.  
“Embora ambos os grupos desenvolvam alergia, mostramos que há uma inflamação pulmonar exacerbada nos pulmões dos animais que não têm Blimp-1 no linfócito, comparado com os animais controle”, disse Benevides. 
Demonstrado o papel do Blimp-1 na inflamação, os pesquisadores então criaram uma forma de superexpressar o gene. Dessa maneira, poderiam verificar se a quantidade exacerbada de proteína que ele passaria a produzir teria um efeito inibidor da citocina IL-9.
Eles então coletaram amostras de células mononucleares do sangue periférico de humanos, bastante utilizadas em estudos de imunologia. Foram coletadas amostras de pessoas saudáveis e de portadores de asma alérgica. 
As células de sangue receberam um vírus inócuo ou contendo o gene Blimp-1, que passou a fazer parte da cadeia de DNA das células. Tanto nas células de pessoas saudáveis como nas das asmáticas, o Blimp-1 passou a produzir proteína de forma exacerbada e inibiu a produção de TH9, produtor de IL-9.  
Embora a expressão do IL-9 tenha ocorrido nas células de pacientes saudáveis e com asma, foi muito maior nas dos asmáticos. O mesmo resultado foi observado num experimento similar com células de camundongos.
Uso em outras doenças
A partir desses dados, o grupo pretende construir drogas ou fármacos que possam induzir a expressão de Blimp-1 para controlar as células TH9. “Estamos testando o papel na regulação de células TH9 em outros modelos experimentais, como em tumores, mais ainda é cedo para tirar qualquer conclusão”, disse Benevides. 
No caso de tipos de câncer como o melanoma, ensaios preliminares ainda não publicados mostraram que, quando há uma diminuição da expressão do Blimp-1, o aumento resultante do TH9 proporciona uma diminuição do tumor. 
Por isso, um eventual medicamento contra câncer advindo da pesquisa inibiria a expressão do Blimp-1, enquanto para asma e doenças autoimunes ele deve aumentar essa expressão.
“A descoberta mais importante é a de uma nova função de um fator de transcrição que já era conhecido, mas que agora sabemos que é capaz também de inibir a diferenciação dos linfócitos T produtores de IL-9. Isso abre uma perspectiva para estudar várias doenças em que as células TH9 estão envolvidas”, disse Benevides.
O artigo B lymphocyte–induced maturation protein 1 controls TH9 cell development, IL-9 production, and allergic inflammation (doi: 10.1016/j.jaci.2018.06.046), de Luciana Benevides, Renata Sesti Costa, Lucas Alves Tavares, Momtchilo Russo, Gislâine A. Martins, Luis Lamberti P. da Silva, Luisa Karla de Paula Arruda, Fernando Q. Cunha, Vanessa Carregaro e João Santana Silva, pode ser lido em: www.jacionline.org/article/S0091-6749(18)31131-X/abstract.
Fonte: Agência Fapesp


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Cantarolando




Vídeo do YouTube
Belchior - Aparências

Identificados padrões de expressão em proteínas secretadas por células de melanoma humano

Identificados padrões de expressão em proteínas secretadas por células de melanoma humano


A identificação de padrões na expressão de proteínas liberadas por células de melanoma pode gerar pistas importantes para o desenvolvimento futuro de biomarcadores capazes de detectar a ocorrência do câncer ou até mesmo determinar o estágio da doença.
Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro de Pesquisa em Toxinas, Resposta Imune e Sinalização Celular (CeTICS) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP – identificaram e analisaram 154 proteínas expressas em linhagens celulares com melanoma e outras 209 proteínas expressas de células metastáticas. Padrões das moléculas estudadas servem como assinaturas da doença.
Em artigo publicado no Journal of Proteomics, o grupo descreve a análise quantitativa e qualitativa de expressões proteicas (proteômica) do secretoma (proteínas secretadas da célula) de quatro linhagens celulares diferentes.
A equipe analisou o secretoma derivado de um conjunto de fibroblastos de células retiradas do pulmão de um sítio metastático de paciente com melanoma. Também investigou fibroblastos da pele do mesmo paciente e duas linhagens celulares de melanoma metastático.
“Analisamos o padrão de expressão das proteínas secretadas, ou seja, quanto há de determinada proteína em cada linhagem celular. Nessa análise, ficou claro quais são os padrões de expressão em cada tipo de célula, conforme as proteínas sofrem alteração. Nosso objetivo final é usar essa descoberta com outros dados para poder entender o desenvolvimento do câncer ou prospectar marcadores associados a processos importantes da doença”, disse André Zelanis, autor do estudo que tem apoio da FAPESP.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram a comparação entre os fibroblastos normais e tumorais e as células metastáticas, observando os processos biológicos envolvidos nas fases iniciais do desenvolvimento do câncer e da metástase.
“O diferencial do trabalho foi olhar os efetores, que são as proteínas que exercerão funções no sistema celular. Geralmente, estudos que buscam biomarcadores de câncer estão focados na análise do que é transcrito, o transcriptoma, analisando o gene mutado ou o que é mais ou menos expresso. São marcadores importantes, mas que não necessariamente refletirão em níveis alterados das proteínas. Isso porque não existe uma correlação linear entre o que é transcrito e o que vai virar proteína. Nosso grupo buscou por assinaturas de expressão proteica”, disse Zelanis à Agência FAPESP.
CSI do câncer
Zelanis explica que, ao secretar moléculas bioativas – como fatores de crescimento e enzimas capazes de degradar proteínas (proteases) –, as células do tecido conjuntivo, como os fibroblastos, são frequentemente recrutadas pelas células tumorais para o processo de surgimento do câncer, que eventualmente leva à progressão tumoral e sua disseminação.
“Buscamos essas assinaturas de expressão pensando que em uma biópsia, futuramente, será possível analisar as várias células e buscar esse perfil de expressão. Não temos um marcador ainda, mas temos um conjunto de moléculas que apontam para uma direção e dão pistas importantes da oncogênese”, disse.
O grupo está realizando outros estudos nesse sentido. O estudo de mestrado de Francine Fontes Ricco Simões, aluna de Zelanis com Bolsa da FAPESP, envolve analisar amostras de plasma de pacientes com melanoma do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). O objetivo é verificar se as mesmas assinaturas encontradas nas linhagens celulares estão presentes também no plasma de pacientes.
“Estamos tentando cruzar os dados do estudo feito em linhagem celular com o plasma de pacientes com diferentes níveis de melanoma. Vamos observar se ocorrem esses padrões e tentar identificar em que estágio a doença está”, disse Zelanis.
O grupo também tem como linha de pesquisa o chamado degradoma, que envolve o estudo do repertório de substratos de proteases – enzimas capazes de degradar proteínas, gerando assim fragmentos proteicos liberados na corrente sanguínea.
“Temos um projeto de pesquisa para identificar, dentro do que é secretado pelas células, aquilo que sofreu processamento proteolítico e foi clivado por alguma protease. Esses fragmentos de proteína caem na circulação e é possível detectá-los. Podem vir a ser, no futuro, marcadores interessantes para saber se o câncer está em um estágio avançado”, disse.
O artigo Signatures of protein expression revealed by secretome analyses of cancer associated fibroblasts and melanoma cell lines(doi: 10.1016/j.jprot.2017.12.013), de Tarcísio Liberato, Dayelle S. Pessotti, Isabella Fukushima, Eduardo S. Kitano, Solange M.T. Serrano, André Zelanis, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1874391917304359?via%3Dihub
Fonte: Agência Fapesp

Rim biônico

Resultado de imagem para rim bionico

Pesquisadores dos Estados Unidos estão se preparando para implantar o primeiro rim biônico em pacientes que possuem doenças renais. O dispositivo combina elementos eletrônicos, orgânicos e possui tamanho similar ao órgão do corpo humano.
O rim biônico funcionará segundo a pulsação do coração dos pacientes e os liberará das máquinas de hemodiálise. Com isso, o órgão artificial oferecerá uma grande melhoria na qualidade de vida dessas pessoas que dependem do equipamento externo para sobreviver. Com o rim biônico, o paciente terá a mesma função de forma contínua sem a necessidade de visitas ao hospital para sessões de três a cinco horas.
O dispositivo é implantado cirurgicamente e possui um microchip de silício que funcionará como um filtro substituindo a função do órgão e não corre o risco de ser rejeitado pelo corpo humano.
Com a previsão de chegar ao mercado em dois anos, o rim biônico é conhecido pelos americanos como “The Kidney Project” e foi lançado por William Fissell de Vanderbilt e Shuvo Roy.
Fonte: Simers

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Cantarolando




Vídeo do YouTube
Gal Costa - Sublime

Charges



Vídeo do YouTube
Charges políticas

Parkinsonismo, ou síndrome parkinsoniana


características principais da doença

Parkinsonismo, ou síndrome parkinsoniana, não constitui uma enfermidade em si mesma. É um conjunto de sinais e sintomas - tremor em repouso, rigidez muscular, acinesia e bradicinesia (dificuldade e lentidão dos movimentos, respectivamente), postura fletida (curvada) e comprometimento do equilíbrio - resultantes de diversas condições clinicas, que têm causas diferentes e tratamento específico. 
A síndrome pode ser classificada em três tipos principais: parkinsonismo primário, secundário e parkinsonismo-plus ou atípico.
A doença de Parkinson é responsável por aproximadamente 75% do total de casos de parkinsonismo e por cerca de 2/3 dos casos de parkinsonismo primário ou idiopático, sem causa conhecida ou identificada. Em geral, os sintomas clássicos aparecem depois dos 50, 60 anos de idade, como resultado da degeneração dos neurônios na parte compacta da substância negra do cérebro e, consequentemente, da baixa produção de dopamina.
Já nos casos parkinsonismo secundário, é possível identificar a causa do aparecimento dos sintomas que podem ser reversíveis, desde que identificados e tratados. Quadros de parkinsonismo secundário podem estar relacionados com o uso de medicamentos neurolépticos (inibidores das funções psicomotoras) e contra a hipertensão, pela exposição a produtos tóxicos, por traumatismos cranioencefálicos e certos distúrbios metabólicos.
No parkinsonismo-plus ou atípico, o processo degenerativo pode afetar vários núcleos cerebrais, é mais incapacitante e de evolução mais rápida. Pelo menos dois sintomas característicos da síndrome - distúrbios motores e rigidez muscular - estão presentes e associados a alterações neurológicas ou do sistema nervoso autônomo.
Essa forma de parkinsonismo é constituída por um grupo de doenças de causa idiopática que possuem um quadro clínico semelhante ao da doença de Parkinson, o que dificulta estabelecer o diagnóstico e justifica o nome atípico. Mas há diferenças importantes: na síndrome parkinsoniana, os sintomas acometem simultaneamente os dois lados do corpo e os pacientes não se beneficiam com as drogas utilizadas no tratamento da doença de Parkinson.
Fontes:
Doença de Parkinson – entrevista – João Carlos Papaterra Limongi - www.drauziovarella.com.br
Parkinson, por dentro do mistério – Fernanda Vomero e Adriano Sambugaros –  Revista Superinteressante
Parkinson’s deseases – www.mayoclinic.org/diseases and conditions