segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Leptospirose, a doença que vem com as águas...



Devido à proximidade do verão e antes mesmo dele, a chegada das chuvas sequenciais que já estão ocorrendo, resolvi falar sobre a Leptospirose, pois com as enchentes, a doença se torna comum e é preciso conhecê-la bem para poder prevenir e evitá-la.

Trata-se de uma doença infecciosa febril de início abrupto, que pode variar desde um processo inaparente até formas graves, com alta letalidade. A fase precoce da doença corresponde na maioria dos casos (90 a 95%) e, quando leve, é frequentemente diagnosticada como "síndrome gripal", "virose", influenza ou dengue. Seu curso é bifásico, com apresentações clínicas descritas como se segue:
  • Fase precoce (ou septicêmica) - Dura de 3 a 7 dias, com início súbito de febre, cefaleia, mialgias (principalmente nas panturrilhas, dorso e abdome), anorexia, náuseas e vômito. Pode haver diarreia, artralgia, hiperemia ou hemorragia conjuntival, fotofobia, dor torácica, tosse seca;
  • Fase tardia (ou imune) - Em aproximadamente 15% dos casos há evolução para apresentações clínicas mais graves, que se iniciam após a primeira semana da doença, podendo ocorrer mais cedo em formas fulminantes. A manifestação clássica é a síndrome de Weil, caracterizada pela tríade: icterícia rubínica, insuficiência renal aguda (IRA) e hemorragias, mais comumente pulmonar. A letalidade geral de leptospirose é em média 10%, enquanto que nos pacientes com hemorragia pulmonar é maior que 50%. A icterícia é o sinal mais característico (icterícia intensa com tonalidade alaranjada) e aparece entre 3 a 7 dias de evolução. Porém, formas graves com hemorragia pulmonar e IRA podem ocorrer em pacientes anictéricos. Podem ocorrer ainda cefaleia intensa, sinais de irratação meníngea, miocardite, arritmias, distúrbios neurológicos, exantemas maculares, maculopapulares, urticariformes ou petéquias, hemopse dentre outros sintomas.
O agente etiológico é a Bactéria helicoidal (espiroqueta) aeróbica obrigatoria do gênero Leptospira, do qual se conhecem atualmente 14 espécies patogênicas, sendo a mais importante a L. interrogans. Os animais sinantrópicos domésticos e selvalgens são os reservatórios essenciais para a persistência dos focos da infecção. Os seres humanos são apenas hospedeiros e o principal reservatório é constituído pelos roedores, principalmente as ratazanas e os ratos de esgoto.
A transmissão se dá pela exposição à urina desses animais infectados de forma direta ou indireta e o microorganismo penetra na pele dos seres humanos através de lesões ou na pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou através das mucosas. O período de incubação é de 1 a 30 dias e o tratamento é feito com antibioticoterapia.

É muito importante manter a higiene e evitar a exposição em águas contaminadas, tomar somente água potável, fervida, clorada ou filtrada, certificar-se de que o lixo está sendo jogado em locais corretos e apropriados, não acumular entulho ou materiais em desuso que possam servir de abrigo para ratos, limpar seus reservatórios de água como a caixa d'água, executar se possível, a desrratização do local caso note a presença de roedores, guardar e acondicionar bem os alimentos em locais de difícil acesso para os roedores, etc. Não deixe seus filhos brincarem nas águas acumuladas das enchentes, esse é o maior foco de contaminação.

by Mari Martins
Imagem by Google
Fonte: Doenças Infecciosas e Parasitárias - Guia de Bolso - 8ª Edição revista

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