quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Psicologia e as doenças de pele




A Psicologia e as Doenças de Pele

Estresse, ansiedade e fortes emoções podem agravar ou contribuir para o aparecimento de doenças na pele.
Pesquisas apontam que mais de 40% das manifestações cutâneas estão associadas a transtornos psíquicos. A pele reflete muito do estado interior da pessoa. Prova disso é que quem está feliz e de bem com a vida apresenta uma pele mais macia, viçosa e aparentemente saudável. Por isso, não basta usar cosméticos caros para ter uma pele bonita. É preciso também cuidar da mente.
Assim como os fatores psicológicos influenciam no aparecimento de inúmeras doenças na pele, as próprias lesões, geradas por causas orgânicas, também podem desencadear quadros de neurose ou psicose nos pacientes.
Entende-se que todo adoecimento vai ter repercussões psicológicas, assim como as questões psicológicas vão estar presentes em qualquer adoecimento. As pessoas relatam que quando estão mais nervosas ou com algum problema, percebem o aumento das lesões, e muitas vezes referem-se à pele como "válvula de escape": porque guardam muito os problemas para si, ou porque não demonstram nem acessam os próprios sentimentos, é comum perceberem a "explosão" de lesões da noite para o dia. Da mesma forma, a interdependência entre os aspectos físicos e os emocionais aparece quando notam que mais calmos, o corpo melhora. Entende-se que questões de cunho emocional podem ser manifestadas por sintomas/lesões na pele como uma tentativa do organismo de tomar consciência do conflito, já que não foi possível do ponto de vista emocional. As mais comuns são vitiligo, psoríase, herpes simples e acne.
Os problemas de pele podem ter a influência de diversos tipos de problemas emocionais, desde situações de estresse importantes, como a perda de alguém significativo, uma separação, alguma mudança na vida, questões psiquiátricas entre outras situações. A resposta ao estresse pode ser física, psíquica e comportamental, e vai variar de pessoa para pessoa, pois cada um tem a sua maneira de interpretar e de enfrentar as situações que a vida apresenta, de acordo com suas características de personalidade, sociais, culturais, genéticas e ambientais. Frente às situações como as referidas acima, não necessariamente a pessoa irá manifestar algum sintoma na pele ou a exacerbação do mesmo. Aquilo que pode ser muito difícil para um indivíduo, pode ser bem manejado por outro, ou seja, um mesmo problema emocional pode trazer uma doença de pele (ou outra doença, como no sistema respiratório, digestivo, cefaléia, etc) para um indivíduo e não para outro. O significado atribuído ao evento é o que vai fazer a diferença, ou seja, vivido com sofrimento e interpretado como uma perda, por exemplo, vai ter repercussões sobre os mecanismos de estresse e conseqüentemente, contribuir para o adoecimento, neste caso, da pele.
Quando a pessoa apresenta um problema de pele, ela primeiramente busca o dermatologista, e o tratamento inicia com este profissional e deve ser permanente, mesmo que esteja em atendimento psicológico concomitante. O tratamento é integrado, médico e psicológico, pois se trabalha com uma visão biopsicossocial de ser humano, em que os aspectos físico e psicológico influenciam-se simultaneamente, considerando o contexto no qual a pessoa está inserida e as repercussões que o adoecimento tem na sua vida social. Busca-se uma maior consciência da relação mente e corpo, de forma que os problemas emocionais possam ser trabalhados e elaborados e não precisem se manifestar através do corpo, neste caso, da pele. A psicoterapia inclui técnicas de relaxamento e visualização, que de acordo com as pesquisas, auxiliam na melhora das lesões.
O que os dermatologistas referem é que um mesmo tratamento médico oferecido apresenta melhores resultados quando o paciente está em tratamento psicológico do que quando não está. Existem pesquisas comprovando uma melhora dos pacientes quando submetidos ao tratamento integrado médico e psicológico quando comparados aos que receberam somente tratamento médico.
As psicodermatoses podem se tornar graves do ponto de vista incapacitante, ou seja, quando afeta grande parte do corpo da pessoa pode ter repercussões na sua vida pessoal, de trabalho, de relações, etc. Algumas psicodermatoses tem cunho psiquiátrico mais sério, em que o paciente se auto-mutila, arrancando pedaços da própria pele (como por exemplo: dermatoses manipulativas ou auto-infligidas, dermatite factícia, escoriações neuróticas, tricotilomania).
Não há prevenção para essas doenças, pois a maioria delas não tem as causas bem definidas. No entanto, existem estudos mostrando a importância de uma relação inicial mãe (cuidador)-bebê como fator protetor para um equilíbrio emocional na vida adulta. Alguns estudos com pacientes dermatológicos apontam dificuldades na relação com a figura do cuidador. Neste sentido, o investimento numa relação amorosa, com trocas de carinho entre o adulto e o bebê são fundamentais para um desenvolvimento sadio.
A reincidência pode acontecer, tanto nas doenças crônicas, como vitiligo, psoríase e dermatite, como em problemas de pele agudos, como a herpes. O objetivo do tratamento é controlar a doença, de forma que o paciente aprenda a se conhecer melhor, a se cuidar, ter maior consciência de si e conseqüentemente manejar as situações de estresse da vida. No tratamento, busca-se um significado para a doença, bem como outras formas de expressar os problemas emocionais que não através da pele. O paciente passa a ser agente do seu problema de pele. Desta forma, a tendência é manter a ausência de lesões ou as lesões sob controle.
Os estudos mostram que independentemente da causa, existe impacto emocional em todos os problemas de pele. As pessoas com problemas cutâneos têm a causa da sua estigmatização visível, sofrendo de um estigma social particular, muitas vezes sendo vistos como sujos, contagiosos e feios. Podemos compreender melhor este impacto considerando as repercussões que a doença de pele tem na vida da pessoa: muitos pacientes se preocupam em esconder as lesões, por vergonha e por medo do rechaço, pois é comum que os outros evitem sentar ao lado no ônibus e não queiram se aproximar, assim como é frequente que os pacientes busquem se isolar. Repercussões na auto-estima e na auto-imagem também são bem comuns, já que ter a pele lesionada e visível aos outros muitas vezes afeta a imagem de belo e de saudável. Depressão e ansiedade também podem acompanhar estas pessoas, que muitas vezes deixam de investir na vida social e sexual por vergonha da sua pele e constrangimento frente aos questionamentos que surgem.

Coluna No Divã - assinada pela Dra. Marisa Martins - Psicóloga - CRP: 06/30413-0
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