quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Psicologia e o vício do jogo



A Psicologia e o Vício do Jogo

O significado psicológico do vício do jogo

A aditividade é um comportamento humano que significa incapacidade de gerir as frustrações da vida. O adito é uma pessoa que não tolera as angustias mais "pesadas" refugiando-se em fantasias de grandeza, achando que com o jogo vai resolver todos os problemas. Existe uma compulsividade em voltar a esse comportamento. É verdade que nem todas as pessoas que jogam são compulsivas, sabendo algumas delas parar no momento em que estão perdendo. As associações de jogadores anônimos dão uma excelente contribuição para que o adito deixe de jogar; a porcentagem de sucesso é muito grande, o que significa que na maior parte dos casos basta assiduidade e ouvir as histórias como quem se olha no espelho para que de uma forma sistemática o jogador pare de se arruinar. No decorrer do percurso de vida de cada um de nós, surgem episódios ou acontecimentos que nos levam a agir de uma forma que, em outra situação, dita normal não o faríamos com toda a certeza. O fato é que em determinadas situações ou contextos damos por nós agindo de uma forma contrária ao que sonhamos e desejamos para nós mesmos. Assim, podemos dizer que, quando tudo decorre sob normalidade temos um tipo de atitude, quando a situação se altera e foge do controle, a nossa reação pode tornar-se imprevisível. Nestes casos podemos até nos tornar impulsivos e nos comportarmos de forma inconseqüente e perigosamente. O ato de jogar trata-se de algo aparentemente banal, intrínseco a cada um de nós, mas fará isso de nós jogadores impulsivos e viciados? Existem vários tipos de jogadores: os sociais, que jogam pontualmente, pelo entretenimento e têm controle total da situação; os jogadores-problema, que têm já alguns sinais de jogador patológico; o jogador profissional que tem algum controle e precisa saber o que faz porque a sua profissão disso depende e fundamenta eficazmente a sua atuação e por último o jogador patológico, o que tem o vício do jogo. Este tipo de comportamento impulsivo está inserido nas Perturbações do Controle dos Impulsos e refere-se a um tipo de perturbação mental que tem como principais características: a) preocupação com o jogo (revivência de experiências prévias com o jogo, planificação para os próximos jogos, preocupação com a obtenção de suporte financeiro para jogar); b) necessidade de aumentar as quantias apostadas no sentido de obter a desejada excitação; c) tentativas falhas de controlar, reduzir ou parar o comportamento face ao jogo; d) inquietude ou irritabilidade quando tenta reduzir ou parar de jogar; e) o jogo pode funcionar como forma de escape a problemas ou forma de aliviar um humor disfórico (sentimento de desamparo, culpa, ansiedade e depressão); f) perdas repetidas no jogo e comportamento de resgate no sentido de as recuperar; g) mentir para família, terapeuta ou outros quanto à extensão e envolvimento no jogo; h) envolvimento em atividades ilegais como falsificação, fraude, roubo ou desfalque para financiar o jogo; i) por em risco ou perder relações significativas, emprego ou oportunidades de carreira ou acadêmicas por causa do jogo; j) contar com os outros para obter dinheiro como fim de regularizar uma situação financeira arruinada devido ao jogo. O vicio do jogo pode ser relativo a qualquer tipo de atividade que envolva investimento financeiro e aposta, ou seja, risco. Pode por isso tratar-se de jogos de cassino, bolsa de valores, gamão, xadrez, corridas de cavalos, de carros, pôquer, etc. Sempre que os indivíduos tenham dificuldade em parar de jogar, e isso se traduza em tentativas sucessivas de recuperar o dinheiro perdido, e que pelo descontrole inerente à situação criada, ponha em risco a situação pessoal, familiar e profissional pode-se dizer que trata-se de um adito de Jogo Patológico ou Viciado em Jogo.
As recaídas acontecem em episódios marcantes de estresse, e provocam sentimentos de prazer e excitação em que há picos de adrenalina, mas que resultam em sentimentos de culpa. Apesar disso tem como mecanismos de defesa a negação e onipotência, o que provoca no jogador desvalorização do racional e crença que tem poderes suficientes para ganhar e resgatar a situação. A negação é utilizada por qualquer individuo que recorra ao jogo, é usual dizer-se que jogar todas as semanas não é um vicio, é um hábito, e nunca poderia ser um vicio porque se trata de um valor irrelevante. A negação funciona precisamente de maneira a proteger a adição, seja a respeito de uma droga ou um vício de jogo.
Por tratar-se de uma situação crescente, que se inicia numa ocasião pontual e sem grande relevo, é ilusório pensar que tem possibilidade de parar a qualquer momento. Aconselha-se que em casos repetidos que possa facilmente tornar-se habituais, se faça uma reflexão e ponderação nas conseqüências inerentes ao vicio de jogar.

Coluna  No Divã - assinada pela Dra. Marisa Martins - Psicóloga - CRP: 06/30413-0
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