quarta-feira, 7 de março de 2012

Universal e equânime







Cobertura de Saúde Universal do Japão, que completou 50 anos, garante assistência a toda população, a baixo custo


A estruturação do sistema de saúde do Japão iniciou-se no século 20, quando o governo optou por uma política de ocidentalização rápida em toda a sociedade, conseguindo mudar a medicina exercida até então, baseada na prática médica chinesa. Inicialmente, foi adotada como modelo a escola alemã e, posteriormente, a norte-americana. Marcado pela redução de taxas de mortalidade infantil  e pelo aumento da expectativa de vida ao nascer, atribuídos também à oferta de educação - eficiente, obrigatória e gratuita -, o setor da saúde do Japão é, hoje, um dos mais eficientes do mundo.

A devastação do país durante a Segunda Guerra Mundial abalou, sensivelmente, o estado de saúde da população. Em 1947, a expectativa de vida masculina era de apenas 50 anos, e a feminina, 54. Mesmo assim, na década de 50, houve acentuada redução da taxa de mortalidade por doenças transmissíveis, em razão do fortalecimento das instituições comunitárias de saúde. Desde 1986, a expectativa de vida feminina, no Japão, é a mais alta em todo o mundo, chegando aos 86 anos em 2009.

O complexo sistema de saúde do Japão, foi criado em 1961. Teve resultados expressivos, graças às ações preventivas primárias e secundárias - e uso de tecnologias avançadas -, em relação, por exemplo, à mortalidade de adultos para doenças não transmissíveis, como AVC, diabetes, etc. Dentre outras iniciativas, foram realizadas campanhas para redução da ingestão de sal, contra o tabagismo, riscos cardiovasculares e prevenção de suicídios. Com isso, houve uma redução das desigualdades de saúde entre a população. Mesmo os cidadãos que não podem contribuir financeiramente têm os mesmos direitos à assistência médica garantidos pela constituição do país.

A edição de setembro último da revista britânica The Lancet dedicou extensa matéria ao cinquentenário do sistema de saúde japonês, enfatizando, sobretudo, os índices saudáveis daquela sociedade, conseguidos a um baixo custo, e com qualidade. Os cuidados médicos eficazes podem ser alcançados sem fila de espera, com despesas relativamente baixas (8,5% do PIB).

by Mari Martins
Imagem by Google
Fonte de pesquisa: Revista Ser Médico nº 58


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