segunda-feira, 2 de julho de 2012

O poder da resiliência




RESILIÊNCIA

Resiliência é a chave para uma pessoa gerenciar pressões e stress; ela enfrenta as adversidades com lucidez, de uma forma que a torna permeável ao processo de mudança. A palavra vem do latim "resílio" que significa voltar ao estado natural, resiliência é um termo tomado de empréstimo da Física, se refere à propriedade que alguns materiais têm de se deformar quando submetidos a pressões e em seguida voltar ao estado anterior, sem alterações.
O conceito de resiliência para as Ciências Humanas é "a capacidade de uma pessoa em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, capacidade do individuo sobrepor-se e construir-se positivamente frente às adversidades". Pessoas resilientes conseguem superar um trauma sem sofrer as consequências negativas do stress, como distúrbios psico-somáticos, ou seja, enfermidades físicas e emocionais. Toda esta capacidade de superação ocorre originada de uma grande energia interior.
A peculiaridade da resiliência está no fato da pessoa poder escolher como quer perceber e responder às situações adversas. A resiliência permite uma mudança significativa nas atitudes e na qualidade de vida da pessoa diante do caos do dia-a-dia, das cobranças, prazos, pressões, muita tensão e stress acumulado. Isso não significa ausência de dores emocionais, a diferença consiste na forma de vivenciá-las. Pessoas resilientes apresentam grande capacidade de adaptação.
Há duas palavras em nossa língua que são similares na forma de pronunciar, mas opostas no significado: adaptação e acomodação. Adaptação é o ajuste de um organismo ao meio ambiente. Já a acomodação significa estabilidade, equilíbrio, repouso. Quando aplicados ao homem, é possível perceber que o acomodado está estável, não muda. Enquanto o adaptado muda o tempo todo, para acompanhar as mudanças que acontecem ao seu redor. O resiliente se adapta, nunca se acomoda.
As pessoas resilientes sofrem o impacto da mudança e as dores emocionais que estas mudanças ocasionam, mas reúnem forças e se reposicionam.
A adaptabilidade que pessoas resilientes demonstram e sua capacidade de recuperação após o impacto inicial da mudança, permitem que elas evitem as disfunções do choque no futuro. Ao contrário de se tornarem vítimas de mudanças, pessoas que demonstram características resilientes geralmente prosperam durante a quebra de suas expectativas e a desordem de uma adversidade, elas não enfrentam menos desafios que outras em época de crise, mas elas tipicamente recuperam seu equilíbrio mais rapidamente, mantém um nível mais alto de qualidade e produtividade nas dimensões pessoal e profissional, preservam a saúde física e emocional e alcançam mais os objetivos. Estas pessoas também são suscetíveis ao stress da mudança, não é que elas impeçam os efeitos da mudança, mas é que estes efeitos são, no final, mais frutíferos do que danosos. As pessoas, de um modo geral, não podem saber se vão ou não ficar com raiva ou tristes, quando algo inesperado acontecer em suas vidas, mas podem sim, definir quanto tempo vão querer ficar alimentando esse sentimento, assim como fazer para canalizar essa emoção com uma ação construtiva, o resiliente opta pela criatividade e inteligência diante de uma situação adversa, transformando deliberadamente, desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculo em oportunidade, tristeza em alegria. Esta postura solucionadora diante da vida é prova de que a pessoa não precisa deixar as emoções de lado para tornar-se resiliente, precisa apenas desenvolver novas aprendizagens no sentido de superar desafios com o máximo de competência, sabedoria, excelência e saúde possíveis.
A composição das características de uma pessoa resiliente é identificada pela formação genética, sócio-cultural e por traços de personalidade. Esta combinação de características pode ser descritas da seguinte forma:
• São autoconfiantes: acreditam em si e naquilo de que são capazes de realizar por si mesmas.
• Gostam e aceitam mudanças: encaram as situações de estresse e adversidade como um desafio a ser superado.
• Têm baixa ansiedade e alta extroversão: são abertas à novas experiências e a formas inovadoras de fazer as coisas.
• Têm autoconceito e autoestima positiva: conseguem administrar seus sentimentos e suas emoções em ambientes imprevisíveis e emergenciais.
• São emocionalmente inteligentes: conhecem suas emoções, sabem administrá-las, sabem automotivar-se, reconhecem emoções em outras pessoas e sabem manejar relacionamentos.
• São altamente criativas: procuram constantemente por inovações e se adaptam a elas.
• Dispõem de uma eficaz capacidade de resposta: mantêm altos níveis de clareza, concentração, calma e orientação frente a uma situação adversa.
A agilidade e o entusiasmo que pessoas resilientes demonstram ao enfrentarem adversidades resultam de uma elasticidade que lhes permite permanecer relativamente calmas em ambientes imprevisíveis. Elas podem se recuperar repetidamente ao serem submetidas aos estresses da mudança. Na realidade, quando pessoas resilientes enfrentam a ambiguidade, ansiedade, e a perda de controle que acompanham uma mudança, elas tendem a se fortificar com as experiências em vez de se sentirem esgotadas.
Na medida em que a pessoa encontra o seu maior medo, é aí que ela se desenvolve. O ego é moldado como o metal, entre o martelo e a bigorna. Isso é para os corajosos e não é fácil encontrar uma natureza moral ou ética forte o bastante para o processo. O heroísmo poderia ser redefinido em nossa época como a capacidade de agüentar o paradoxo e a pressão que ele provoca. Dar passagem ao paradoxo dentro de si mesmo, consentir a ele é consentir à aceitação que é maior que o ego. A vivência de conforto fica exatamente neste ponto de insolubilidade no qual acham que não podem mais prosseguir. Isso é um convite para aquilo que é maior do que o próprio eu. A resiliência ampliada depende da capacidade de equilibrar a necessidade do ego de fazer com a capacidade inata de ser. Esta conciliação pode proporcionar a felicidade e a pequena medida da paz que todos buscam.


Coluna No Divã - assinada pela Dra. Marisa Martins - Psicóloga - CRP: 06/30413-0.
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Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei esta matéria. Ela me ajudou a compreender mais quem sou.
Já passei por situações de alto estresse na vida profissional e pessoal e minhas amigas diziam que eu era indiferente e que eu não me apegava a nada.
Consegui entender um pouco depois que ouvi a música "...rir de tudo é desespero..." na verdade eu não queria rir mas como não encontrava uma solução eu ria. Passaram anos. Estudei e os problemas profissionais continuaram e eu sempre me refazendo.
Graças a esta matéria me encontrei. Não estou indiferente a nada que acontece porém as coisas não acontecem no meu tempo e preciso me adaptar a realidade.
Obrigada.