quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Amizade e o Amor



A AMIZADE E O AMOR

As relações íntimas são um tipo particular de interação social que apresenta características próprias. Se pensarmos nas relações que estabelecemos com os outros, reconhecemos que existem diferentes níveis de intimidade relativamente às diferentes pessoas com quem nos relacionamos. A possibilidade de se manter relações de intimidade varia também de pessoa para pessoa, estando ligada à história pessoal, à personalidade e à experiência de cada um. De fato, a intimidade é uma experiência que implica uma forte vivência, um grande envolvimento e uma comunicação profunda. Essa comunicação pode se manifestar de diversas formas, nomeadamente, com interações verbais e interações não verbais. O contexto social condiciona, através das convenções sociais, as relações de intimidade e as suas expressões. Existem duas expressões da intimidade que, embora não sejam as únicas, são as mais significativas e as mais estudadas: a amizade e o amor.
A amizade é uma das manifestações de intimidade que envolve relações em que estão presentes entre outros, elementos como confiança, lealdade, cooperação, carinho, apoio, franqueza... Essas características envolvem reciprocidade. Uma relação de amizade é uma relação pessoal, informal, voluntária, positiva e de longa duração que implica reciprocidade, que envolve atração pessoal e que facilita os objetivos que os envolvidos querem atingir. As expectativas que estão subjacentes às relações de amizade são: defender o amigo quando está ausente; partilhar com ele os acontecimentos e as ocorrências relevantes; apoiá-lo emocionalmente sempre que precise; confiar no outro e ser verdadeiro e apoiar o outro de forma espontânea e voluntária, sempre que necessário. Assim como reconhecemos que as relações de amizade correspondem a um importante suporte psicológico, a sua ruptura é um fato de grande perturbação. As amizades variam segundo um conjunto de fatores: idade, gênero, contexto social e características individuais.
Amar não é simplesmente gostar em maior quantidade, mas um estado psicológico qualitativamente diferente. Por exemplo, pelo menos os seus estágios mais iniciais, o amor inclui uma excitação psicológica, relativamente intensa, um interesse no outro indivíduo, fantasia sobre o outro, e oscilação de emoções relativamente rápidas. Similarmente, o amor, ao contrário do gostar, inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma preocupação intensa. Os parceiros são idealizados; exageramos as suas qualidades e minimizamos as suas imperfeições. Quando se fala de amor, há que distinguir dois tipos de amor: o amor companheiro e o amor apaixonado. O amor companheiro é marcado por uma amizade muito íntima, ternura mútua, cuidado, respeito e atração (envolvem relações com os pais, familiares, amigos íntimos). O amor sexual ou apaixonado envolve atração sexual, um desejo de amor mútuo e proximidade física, e o medo de que a relação acabe.
Segundo o psicólogo Robert Sternberg, o amor tem três dimensões, o chamado modelo triangular do amor: intimidade, paixão e compromisso. À intimidade correspondem sentimentos que visam a proximidade emocional, a união, a compreensão mútua e a partilha. A paixão envolve um intenso desejo sexual, uma vontade irreprimível de estar com o outro. Ao compromisso corresponde a intenção de um comprometimento em manter uma relação amorosa.


Coluna No Divã - assinada pela Dra. Marisa Martins - Psicóloga - CRP: 06/30413-0.
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