sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Seja Feliz



Quando eu era criança, eu morava numa casa no interior do estado de São Paulo, que tinha um quintal muito grande e eu ouvia a buzina do trem todos os dias quando ele passava, eu morava perto da estação e minha casa tinha janelas enormes e cortinas leves que flutuavam com o vento. Eu andava de bicicleta, jogava bola, brincava de casinha, brincava de expedição, fazia cabana, brincava de fazer teatrinho e parte desse quintal era de terra, e lá, plantávamos mandioca, abóbora, havia um pé de chuchu, havia muita hortelã e uma outra plantinha que chamávamos de azedinha.
Crianças são curiosas e eu adorava experimentar aquelas plantinhas tão bonitinhas, verdinhas e com as folhas recortadinhas. Sorte que no meu quintal, não havia nada venenoso porque eu adorava comer as duas plantinhas.

Hoje eu moro em São Paulo/Capital, aqui quase não se vê quintais, muito menos grandes e com terra. O que se vê é muito concreto, cimento, vidros espelhados nos prédio, alguns tem jardim, mas são poucos os privilegiados e eles possuem coqueiros, paineiras, grama, mas não têm pomar, hortelã e azedinha. Saudades da minha infância!
São Paulo é uma cidade moderna, não há espaço para quintais, São Paulo cresce verticalmente, minha sacada é florida, tenho orquídeas e para não perder o costume tenho um vaso com Guaco que me ajuda muito quando estou com gripe e com tosse. Já tive vasinhos com manjericão, hortelã, mas não resistiram à falta de espaço, as plantas também querem o seu metro quadrado.
Aqui nos quintais não há Guaco, Hortelã, Panacéia, Boldo, Erva Cidreira, Erva Doce, aqui há Dipironas, Anti-inflamatórios, Antibióticos, Anti-térmicos e muitos outros remédios nas gavetas de algum cômodo de nossas casas. São Paulo é uma cidade moderna! Não há espaço para ervas medicinais, só para indústrias farmacéuticas que faturam milhões com a hipocondria, o stress e a solidão, os males do mundo moderno. Mas isso não é característica de São Paulo e sim de todas as metrópoles, eu apenas estou usando a cidade onde vivo como exemplo.

Acho que vai chegar um tempo, aliás, acho que já está chegando, em que os valores vão se inverter e voltar a ser um pouco do que era antes. Não há necessidade de mudanças radicais, apenas um equilíbrio, um meio termo, isso seria benéfico, cuidar-se mais, olhar para sí, conhecer-se e manter uma curiosidade sobre sí mesmo, assim como eu mantinha com aquelas plantinhas que eu queria experimentar, tão bonitinhas e verdinhas... é preciso conhecer-se, gostar-se, cuidar-se e deixar um pouco as gavetas com remédios de lado, tome um suco natural, um chá de camomila para dormir bem, tenha manjericão em casa para temperar sua massa... seja feliz!
A felicidade está na simplicidade!

Texto e Foto by Mari Martins


6 comentários:

Jucifer disse...

olá guria
bah adorei a cronica
é estamos meio perdidos neste mundinho da modernidade e esquecemos da simplicidades
as coisa mais belas da vida esta na simplicidade
iiiiiiiiiiiiii hj é sexta
dia dia de ser feliz
vamos a diversão !!!

bjo enorme guria
otimo inicio de find

Frei Convento disse...

Mari, bom dia

Gostaria de republicar "Seja Feliz", em blogs que assino. Senti ao passar a vista, uma boa dose de nostalgia no seu belo escrito. Remete a um passado análogo vivenciado por nós - enquanto família - na infância e adolescência.

Samanta disse...

Olá minha querida Mari !!

Adorei a crônica, me identifiquei muito !
Vivi 33 anos numa cidade pequenina, cresci também num quintal de terra com uma horta, animais, onde conhecíamos a todos e a vida era bem mais saudável !
Hoje também moro em SP e me pego ás vezes sendo engolida por esta modernidade toda, este concreto todo, nada de horta nem interação, só muita poluição e solidão...

Ótimo seu conselho para não nos deixarmos levar e estarmos sempre cultivando estes bons hábitos tanto para a saúde física quanto mental !

Um enorme beijo !

Jackie Freitas disse...

Olá minha amiga!
Muito bom o seu texto!
Eu vivo um paradoxo amiga! Moro numa cidade tranquila, com quintal cheio de árvores e plantas, recentemente fiz minha horta e já colho muitas coisas dela, meus filhos têm espaço para correr, andarem de bicicleta...Com certeza aqui tem muito mais qualidade de vida, porém, não vejo a hora de voltar para São Paulo, minha terra natal. Sinto falta das pessoas queridas, meus amigos sinceros de longas datas, da minha família e quero voltar urgente!
Isso me fez refletir esses dias e me comparar com os animais que passam suas vidas enjaulados. Quando ganham a liberdade, não sabem o que fazer com ela...rsrs...e aí acabam voltando para a jaula ou morrendo sem ela.
Estranho, né?
Grande beijo,
Jackie

clau disse...

Tem toda a razão Mari, e me lembro bem de uma plantinha azedinha, adorava, morder o caule, muito bom, hehe, eu moro em Viamão que é perto da capital Porto Alegre aqui no Sul, sai de um "apertamento", para uma casa com quintal, precisava criar meus filhos num lugar com espaço para correr, brincar, temos uma goiabeira, laranjeira, boldo, capim cidró, tempero verde, há, e manjericão, muito bom, adorei a postagem, nostalgia pura!!!

Beth Muniz disse...

Oi querida,
Lindo, lindo!
Para quem vive cercada dos concretos de Brasília,foi maravilho lembrar dos tempos dos quintais...
Grande beijo.