terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gregório de Matos


Soneto

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.

Poema by Gregório de Matos - http://www.revista.agulha.nom.br/grego15.html
Foto by Mari Martins - Monjolo





3 comentários:

Samanta disse...

Olá Mari querida !!!

Mas um belíssimo poema para embelezar nosso dia !! Que bom que compartilhou !
Não o conhecia. Muito lindo, cheio de verdades, intensidade e emoção !

Um mega beijoooo

clau disse...

Lindo poema Mari, estava cheia de saudades de você, e das coisas lindas que escolhe a dedo para colocar no seu blog, bjks!!!

Beth Muniz disse...

Oi Mari,
Gosto demais do Gregório,
Belo poema do maior poeta barroco do Brasil, mais conhecido como Boca do Inferno ou Boca de Brasa. Importante poeta satírico da literatura em língua.
Parabéns por mais este resgate.
Um beijo.