segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Perdão



Toda ofensa é uma ilusão. O perdão como experiência possível

Ao contrário do perdão do ego que reforça que o outro pecou, o verdadeiro perdão lembra à outra pessoa que ela jamais pecou e que jamais pecará. O perdão lembra à outra pessoa de sua eterna perfeição, nela colocada pelo Criador. O verdadeiro perdão significa a compreensão de que o ataque era uma ilusão, não era real; que jamais ocorreu e que a outra pessoa de maneira nenhuma é culpada. O verdadeiro perdão lembra ao outro de sua verdadeira identidade de Filho de Deus imaculado e sem pecado nenhum. Ele também é a habilidade de ver a outra pessoa no sagrado momento presente, não à luz de sua ações passadas.
O perdão é um chamado do despertar para a outra pessoa, que está temporariamente dormindo. Temos de despertá-la gentilmente e não condená-la a um sono mais profundo. Se fôssemos acordar uma criança de um pesadelo, o faríamos com uma voz gentil para que ela não se assustasse. Diríamos a ela que o sonho acabou e que nunca foi real e que a luz chegou. Ensinaríamos à ela a diferença entre dormir e despertar, para que ela pudesse confiar na luz. É desta mesma forma que podemos despertar os outros através do perdão.
Talvez alguém tenha nos tratado de uma maneira hostil ou pior ainda, tenha nos atacado diretamente. A verdade é que esta pessoa nos ataca porque, naquele momento, não se ama e nem se sente digna do amor dos outros. Seu ataque consiste em um pedido de amor. Quando estamos nos amando e sentindo que somos dignos de amor e respeito, não tratamos as pessoas com agressividade. Nem atacamos. Se pudermos aquietar nossa raiva e nosso julgamento, teremos a capacidade de ver um desesperado pedido de amor em um ataque. A resposta apropriada, que é um grande desafio, é oferecer amor.
É isto que nos ensinaram quando nos pediram para amar nossos inimigos. Não precisamos ser lembrados de amar nossos amigos ou aqueles que nos amam. Isso é fácil. Eles estão estendendo amor à nós. Amar nossos inimigos significa oferecer amor àqueles que nos atacam, àqueles que, em vez de estender amor, estão pedindo amor. Todo mundo está estendendo ou pedindo amor. Conquanto pareça muito difícil oferecer perdão, é muito menos difícil do que viver com a raiva e acusação não resolvidas que constantemente nos prejudicam a paz interior. Para citar um velho dito O ressentimento prejudica mais o vaso que o guarda do que o objeto no qual ele é derramado. Queremos vingança e ressentimento ou paz e felicidade Não podemos ter os dois.
É através do oferecimento de nosso perdão verdadeiro que somos perdoados. Quero dizer com isto que somos lembrados de quem realmente somos. Se compreendemos os ataques como pedidos de amor e cura, compreenderemos também os nossos próprios ataques. Se enxergarmos o outro verdadeiramente, nos veremos verdadeiramente. Se vemos os outros através dos olhos de Deus, também nos veremos da mesma maneira. A salvação do outro também é a nossa. Lembrando da natureza sem pecado e culpa do outro e pedindo para ver isto em todas as pessoas, lembramos a nós mesmos de nossa própria natureza. Liberando-os de nossos julgamentos, estamos liberando a nós mesmos. Não podemos perdoar a nós mesmos enquanto não formos capazes de perdoar os outros.



Livro: A Espiritualidade a Dois de Robert Roskind - Editora Namaste - leia mais em http://www.eurooscar.com/
Foto by Mari Martins - Igreja do Calvário/SP


2 comentários:

Samanta disse...

Olá querida amiga !
Obrigada por compartilhar um texto tão cheio de sabedoria !
Maravilhoso !
Aprendemos, às vezes a duras penas, que é preciso abrir o coração, se encher de amor e praticar o perdão.
Assim conseguimos ajudar nosso próximo e principalmente a nós mesmos.
Um beijo enorme e uma ótima semana !

Senhor da Vida disse...

Hoje tenho encontrado textos especiais, graças a Deus! Boa semana!