quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fé X Dinheiro



Assisti hoje uma reportagem falando sobre a construção de uma réplica do Templo do Rei Salomão na região central de São Paulo, mais precisamente no Brás. Esta obra suntuosa custará aproximadamente R$200 milhões e o financiador disso tudo será o Bispo Edir Macedo da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus). Não sou grande apreciadora da obra de Edir Macedo e tenho boa memória. Não concordo com as práticas da igreja IURD, não concordo com a política da Fogueira Santa e outras coisas mais. Mas também não sou grande apreciadora da Igreja Católica, o Vaticano também é muito rico e manipulador e o catolicismo por vezes se revela de uma hipocrisia sem tamanho, assim como os Bispos da Igreja Renascer.
A questão é, que para mim, FÉ não se mistura com dinheiro e ESPERANÇA não se vende a granel.
Estou cansada de ligar a TV e ver essas pessoas VENDENDO um lugarzinho no CÉU e como se não bastasse, vendem também TV por assinatura, vendem souvenirs, velas, etc.
FÉ para mim é uma coisa sagrada e não se deve brincar com ela. O que eu sinto é que o ser humano não precisa de Templos para ter Fé, não precisa de nada material para ter Jesus no coração. O que é preciso é ter amor, ter respeito pelo ser humano, ser solidário com quem precisa, ser generoso e correto, só isso. Jesus está em você e você pode falar com ele todos os dias sem nenhum representante intermediando tudo. Jesus não cobra para estar ao seu lado.
Quanto dinheiro o Vaticano tem? Quanto dinheiro Edir Macedo tem? Quanto dinheiro a igreja Renascer tem?
Quantos passam fome no mundo? Quantos estão doentes e não tem assistência? Quantos não tem moradia? Quantos países entram em guerra por causa de dinheiro, petróleo e religião?
Para mim FÉ é uma palavra sagrada que não pode ser maculada!
Para mim já há muitos templos no mundo, assim como há muita fome e doenças. Esses R$200 milhões ajudariam quantas famílias que se encontram em desespero neste momento? Construiria quantas casas próprias? Trataria quantos doentes? Alimentaria quantas famílias?

Tudo em nome de Jesus? Pense nisso!

Texto by Mari Martins
Foto by Mari Martins



6 comentários:

Jackie Freitas disse...

Mari, minha querida!
Estou contigo e não abro!
Vejo muitas pessoas tirando de casa o pouco que ganha para ter o seu lugar garantido no céu! Quanta hipocrisia! Será que não enxergam que aqueles que pregam o desapego ao luxo e riqueza, somam grandes quantias de dinheiro, justamente para ostentarem esse mesmo luxo? Quanta discrepância moral e religiosa, meu Deus!
Grande beijo, linda!
Parabéns pelo post!
Jackie

vidarealdasam disse...

Olá querida ! Tudo bem contigo ?
Este texto colocar a mais pura realidade, e não muito agradável, eu sempre fico desconfortável quando olho estes Templos luxuosos, exagerados... Me pergunto se eles ainda mantém o foco no que realmente importa... Infelizmente acho que não..
Obrigada pelo seu sábio comentário em meu blog, é sempre bom ter outra visão das coisas !
Grande abraço da amiga Sam !

Fábio Siebra disse...

Querida Amiga,
Hoje as pessoas se julgam ''homens e mulheres de Deus '' e pregam que os que vivem fora daquele mundo tido como santo são do mundo.
É aí que a hipocrisia começa até onde eu sei elas não abdicaram ao dinheiro e nem ao mundo,ostentam cada dia mais riquezas e esquece do principal que são as pessoas.
PS : PARA CATÓLICOS E EVANGÉLICOS.

Geraldo disse...

Olá Mari,

Tuas posições são corretas, tive antepssados que foram perseguidos porque não queriam seguir a igreja católica austriaca. Já naquela época, a fé era um negócio muito lucrativo, só que ninguém tinha acesso as informações como hoje.

Entao pobre daqueles querem ter uma fé e acabam sendo desiludidos por ganância destes "religiosos"

Abraço

B.B. Amor mais forte que a própria morte... disse...

É claro que nunca entro no mérito de que as pessoas são livres para fazerem do seu dinheiro o que bem entendem. Mas é verdade que a facilidade de enganar pessoas que de muita boa fé depositam sua devoção verdadeira a Deus, permitem a proliferação de "homens falando da vontade de Deus". Como se chutássemos a árvore e caísse dela milagrosamente profetas designados a instruirem as pessoas a cumprirem as ordenanças do Senhor, ainda que essas ordenanças sejam mais vinculadas a bens materiais.

Também não gosto muito da postura da IURD e outras denominações porque elas usam da doutrina da culpa para convencer as pessoas a serem contribuintes, ou tentam desesperadamente apelar ao seu coração para que ajude. Onde ficou o livre-arbítrio? Que Deus é esse que ama e ao mesmo tempo lhe amaldiçoa financeiramente para lhe obrigar a contribuir?

A discussão é longa, mas o dia que enxerguei a tentativa inescrupulosa de manipular pessoas, de pensar por elas, passei a discordar de algumas posturas e algumas interpretações.

É muito cômodo. Mostre a oferta da viúva pobre, fale da profecia de Malaquias, que não haverá contestações. Só que não acontece bem assim, pois a Bílbia também diz que o justo viverá pela fé, diz que o culto prestado ao Senhor precisa ser um culto racional, com prudência, e a contribuição um dom, e com Senhor não se barganha pela benção. A Bílbia também não ensina em nenhum momento a determinar pela benção de Deus em sua vida, diz para chegarmos com reverência e pedirmos por ela, pois o Senhor nunca deixará o justo sem resposta.

A Bílbia instituiu dízimos e ofertas por uma única razão: para que houvesse mantimentos na casa do Senhor. Mantimentos que deveriam ser repassados aos necessitados, não é à toa que em Atos dos Apóstolos há a criação dos diáconos para cuidarem das questões sociais da igreja, da arrecadação dos mantimentos. Não disse em nenhum momento que era para pagar as contas da igreja, saber se a igreja teria luz ou água, ou um lugar mais confortável para as pessoas prestarem seu culto. A Bílbia diz que a obra do Senhor é mantida por Ele,pois é vontade d'Ele. Ele providenciará os recursos para manter a Sua obra aberta. Não disse em nenhum momento que desejava a ajuda humana para isso, mesmo porque por ser Senhor sabe que o desejo humano é vizinho à corrupção. O Senhor precisa do ser humano para anunciar o Seu Reino. "Ide por todo mundo e fazei discípulos de todas as nações".

Foi instituído dízimos e ofertas para haver mantimento na casa do Senhor, não foi istituido carnês, crediários e outras formas de arrecadação. As pessoas que desejam por culto racional serem contribuintes, precisam entender que o Senhor é o patrocinador da Sua obra, desde que seja uma obra feita com coração de adorador, que adora ao Pai em espírito e em verdade. E antes que o homem pudesse criar um local de adoração a Ele, Deus criou na humanidade o coração para ser a Sua habitação e local de ser adorado.

Então paremos com essa esquizofrenização de cumprir a vontade d'Ele, para entendermos apenas o que Ele nos diz: Amai a Deus sobre todas as coisas, de todo o seu entendimento e com todo o seu coração. Amai ao próximo como a ti mesmo. Nisto está resumida toda a lei. Amar a Deus e ao próximo é muito mais relevante ao Senhor, do que a quantia que você pode depositar. Ao homem pode ser o contrário e sutilmente incute isso na sua mente, como sendo vontade d'Ele. Para enxergar isso é preciso ter o discernimento fruto da nossa fé. Sabermos de quem é a vontade que estamos cumprindo... Belo post. Beijos, B.B.

Murilo Aleixo. disse...

Olá eu fiz um post no seu Dihitt.

Se possivel gostaria que desse uma olhada em meu post, tem relação com o assunto.

http://muriloaleixo.blogspot.com/2010/09/teologia-da-prosperidade-lixo.html

Abraços !