segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Venturosa de sonhar-te





Venturosa de sonhar-te, 
à minha sombra me deito. 
(Teu rosto, por toda parte, 
mas, amor, só no meu peito!) 

-Barqueiro, que céu tão leve! 
Barqueiro, que mar parado! 
Barqueiro, que enigma breve, 
o sonho de ter amado! 

Em barca de nuvem sigo: 
e o que vou pagando ao vento 
para levar-te comigo 
é suspiro e pensamento. 

-Barqueiro, que doce instante! 
Barqueiro, que instante imenso, 
não do amado nem do amante: 
mas de amar o amor que penso!


Poema by Cecília Meireles
Foto by Mari Martins




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