segunda-feira, 6 de junho de 2011

Saúde Baseada em Evidências



Saúde Baseada em Evidências: Modismo ou Ciência?


Sempre fico receoso quando alguma área da ciência entra na “moda”. E hoje a expressão “Saúde Baseada em Evidências” está presente em todas as áreas da saúde. Mas o que vem a ser isso?
O conceito da busca pelo melhor tratamento é universal e atemporal. Faz parte da nossa natureza, afinal de contas quem deseja utilizar ou recomendar um tratamento que não seja o melhor? Os problemas, também de nossa natureza, são os viéses. A mistificação, o “achismo”, ignorância, a busca pelo lucro financeiro ou prestígio pessoal, a incompetência na condução de pesquisas, etc. contaminam muitas vezes a adoção das medidas mais efetivas para determinada situação. A definição mais aceita sobre Saúde Baseada em Evidências, proposta por David Sackett, é: “Uso judicioso, explícito e consciente da melhor evidência disponível para a tomada de decisão sobre o cuidado a pacientes”, e nesta definição já divisamos um abismo em muito do que é feito hoje em dia.
A Medicina, durante muito tempo, baseou-se em experiências individuais dos médicos mais experientes, nas teorias fisiopatológicas e intuição, que tem seu papel no levantamento de hipóteses, de determinar problemas, mas não na adoção de condutas terapêuticas. Para isso há de se ter especial atenção ao desenho da pesquisa, à sua condução e à análise estatística associado à métodos bem definidos para avaliação crítica e revisões sistemáticas da literatura médica.
O nível de evidência de uma conduta e sua validade está diretamente relacionado ao modelo de pesquisa utilizado para respondê-la. Na já famosa “pirâmide das evidências” em que há estratificação dos níveis de evidência para adoção da terapêutica, temos a revisão sistemática como o melhor nível, que frequentemente é confundido com a revisão narrativa, diametralmente oposta. Logo abaixo os megatrials (ensaios clínicos randomizados e cegos com mais de mil pacientes) seguidos de ensaio clínico randomizado, médio ou pequeno, com resultados clínica e estatisticamente significantes. Na sequência temos estudos controlados sem randomização, séries de casos, relatos de casos, opinião do especialista, modelos fisiopatológicos e estudos em laboratório.
Frequentemente encontramos na literatura, estudos com o mesmo desenho, versando sobre o mesmo assunto porém com resultados diversos, daí a importância de uma análise criteriosa destes estudos para averiguar em que ponto eles começaram a divergir nas conclusões qual foi o motivo. Qual deles está mais próximo a verdade. Houve algum viés no delineamento do estudo, de sua condução, na coleta dos dados?
Com a explosão de informação científica, o acesso universal a internet, a incessante necessidade em inflar egos de alguns autores, a Saúde Baseada em Evidências surge como uma bússola para navegarmos em segurança neste infindável oceano de informações, oferecendo sempre o que existe de melhor para os nossos pacientes.

by André Luis Alves De Lemos, MD, MSc
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