quinta-feira, 2 de junho de 2011

Saúde Baseada em Evidências



O rei está nú?!


Movimentando um mercado de milhões de dólares, suplementos alimentares dos mais diversos e com todos os fins possíveis e imagináveis, permeiam as conversas entre freqüentadores de academias, aspirantes ao posto de “Charles Atlas” do século XXI sequiosos de suspiros.
O desejo e a busca por uma forma física invejável tem um apelo inegável principalmente entre jovens e quando aparecem produtos prometendo ganho de massa muscular, queima de gordura e outros milagres através de cápsulas, pós, “shakes” e ainda com os garrafais dizeres: 100% NATURAL! – É o golpe de misericórdia. Mesmo endividando-se, parcelando em 10 x no cartão eles correm atrás do El dorado prometido! Afinal todos os "bombadões” tomam!

Mas e o que dizem as evidências?

Não existem revisões sistemáticas sobre o assunto, o que seria o mais alto nível de evidência. E embora tantos alardeiem que “estudos” demonstram a efetividade destes suplementos, a maior parte carece de rigor e qualidade metodológica e nenhum demonstra superioridade em relação a uma dieta equilibrada e diversificada, isto sem falarmos nos possíveis efeitos adversos que uma sobrecarga de macronutrientes no dia-a-dia poderia ocasionar com o passar do tempo.
Além da alimentação uma boa forma física advém de exercícios bem orientados por um profissional da área, realizados periodicamente e de forma progressiva. Fora disto qualquer ganho de capacidades físicas atribuídos a suplementos alimentares está como a fábula “A roupa nova do rei” com alguém gritando ao fundo: O rei está nu! O rei está nu!
Os conhecimentos adquiridos pelas ciências, de tempos em tempos são impulsionados por novos fatos, reciclando as verdades de outrora, muitas vezes, em panacéia universal do amanhã. Mesmo fazendo uso das melhores evidências disponíveis, condição sine qua non a boa prática médica, não é infrequente deparar-mo-nos com recomendações estranhas aos nossos hábitos, principalmente o que tange a esfera das ciências nutricionais. Sê-lo-ia por deveras perigoso sua aceitação inconteste.

by André Luis Alves De Lemos, MD, MSc
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