terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tonho França no Atemporal




Há mais ou menos 15 dias, eu estive num Sarau no Vale do Paraíba e fiquei surpresa ao ver e conhecer tantos talentos, o Brasil realmente é uma grande usina de criação. Hoje, apresento um poema de Tonho França no Atemporal e espero que gostem do tom irreverente e existencialista do autor.

Eu

Há dores que nunca esquecerei
Por mais profundo que todos os meus "eus" mergulhem.
Há sangue em lágrimas que já derramei
Que se perderam nos vãos ocos da minha alma,
Os anjos, se quiserem, que as procurem.
Há rotas interiores tão óbvias e claras
Como uma imensa avenida.
Mas há bifurcações imaginárias, o verso ou o real?
E perco-me dentro dos meus infinitos labirintos
E já não importa se tudo imagino ou se tudo sinto.
E não há passo por mais leve que não afunde
O poeta dentro do homem, ou o homem dentro do poeta,
Nada em instante algum é absoluto, e isso me confunde.
Já não sei se sou eu, ou meu reflexo.
E assim, nem quando em pedaços, nem quando inteiro
Nunca, nunca me completo.
Pois em mim mesmo tropeço, levanto e recomeço
Porque há dores que nunca esquecerei, mas busco caminhos,
Sou eu meus próprios espinhos.

Poesia by Tonho França - Livro: Sinos de Outono
Foto by Mari Martins - Serra da Mantiqueira


Um comentário:

Sissym disse...

Olá,

Lindo mesmo o que voce colocou no blog.
Eu tambem tenho sangue em lagrimas derramadas, aquelas que dilaceram a alma
e o tempo vai amenizando, mas nunca apagará.
Este Brasil de norte a sul tem tanta riqueza cultural.
Existem pessoas tão belas por dentro que o mundo jamais as conhecerá.
Isso me faz lembrar o bonito trabalho de Valeria em Amores do Chico, pois vai viajando
e apresentando pessoas simples e suas historias.

Beijos