quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sexo e Câncer - Parte III



Àquela altura, numerosas jovens americanas que rotineiramente tomavam anticoncepcionais e dormiam com namorados receberam más notícias de seus ginecologistas. O exame criado no final de 1950 pelo patologista George Papanicolaou, da Cornell University, detectara anormalidades no colo do útero. Não se sabia então que a cérvix uterina, na qual se sobrepõem células maduras e imaturas, forma o microambiente necessário ao crescimento do HPV.
Harald zur movido por sua intuição, não parou de se dedicar ao HPV. Recebia numerosas biópsias de verrugas e demonstrou a existência de hibridização do DNA de verrugas plantares e outras, só que nem de longe com todas. Verrugas genitais e biópsias de câncer cervical não produziam híbridos. Foi a pista. Existem diferentes tipos de HPV. Uns perigosos, outros, não.
Em 1974, com 38 anos, participou de um encontro em Key Biscayne, na Flórida. Ouviu seguidos especialistas apresentarem evidências de que o herpes simplex era o agente do câncer cervical. Quando chegou o seu momento de falar, calmo e respeitoso, disse: "Acho que o agente é o vírus da verruga". Houve um silêncio hostil. Embora inconclusivas as evidências acerca do herpes, de seu lado zur Hausen nada mais tinha do que uma centena de casos publicados de verrugas genitais malignas, meras anotações. "Duvidar ainda era um crime", escreveu a respeito. Teimoso, não se deixou intimidar.

by Mari Martins
Imagem by Google
Fonte de pesquisa: HPV News - nº 3 - 2011


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