quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Jorge Amado



Manhã vem chegando devagar, sonolenta; três quartos de hora de atraso, funcionária relapsa.
Demora-se entre as nuvens, preguiçosa, abre a custo os olhos sobre o campo, ai que vontade de dormir sem despertador, dormir até não ter mais sono!
Se lhe acontecer arranjar marido rico, a Manhã não mais acordará antes das onze e olhe lá.
Cortinas nas janelas para evitar a luz violenta, café servido na cama.
Sonhos de donzela casadoira, outra a realidade da vida, de uma funcionária subalterna, de rígidos horários.
Obrigada a acordar cedíssimo para apagar as estrela que a Noite acende com medo do escuro.
A Noite é uma apavorada, tem horror às trevas.
Com um beijo, a Manhã apaga cada estrela enquanto prossegue a caminhada em direcção ao horizonte.
Semi-adormecida, bocejando, acontece-lhe esquecer algumas sem apagar.
Ficam as pobres acesas na claridade, tentando inútilmente brilhar durante o dia, uma tristeza

Texto by Jorge Amado
Foto by Mari Martins - O amanhecer em Paraty

Um comentário:

Mariana Gouveia disse...

Oi,Mari.Gostei de tudo aqui.
Desde o nome do blog(que dá uma poesia e tanto)às fotografias (sou apaixonada por fotografias) e textos escolhidos.Muito bom.
Beijos