terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pessoa para os íntimos...



Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

Poema by Fernando Pessoa
Foto by Mari Martins


Um comentário:

FLOR DO LÁCIO disse...

Ah, Fernando Pessoa. Ninguém mais atemporal que o mesmo, pois transcendeu ainda em vida com seus heterônimos, somos atemporais e se chegamos até aqui margeamos muitas estradas, muitas vezes não tão asfaltadas como agora. Um abraço.