quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Céu


Desde tempos muito antigos o céu é o lugar em que se podem ler as notícias do universo. Os áugures eram sacerdotes que decifravam o futuro pelos sinais no céu. Para os romanos, se os auspícios viessem da esquerda para a direita, eram considerados de bom augúrio; se viessem da direita para a esquerda, eram considerados de mau presságio. Já para os gregos era tudo ao contrário.
Não sei desde quando o céu se tornou a morada dos deuses. Sei que não faz muito tempo que ele foi perdendo o prestígio, passou a ser povoado de aviões e a abrigar os deuses menores de qualquer metafísica privada. Como neste poema que escrevi há cerca de um ano, chamado O recado da deusa, que diz:

Ela dançou entre as lantejoulas do sol
Oferecendo o céu de sua nudez
E eu, que sempre quis provar o improvável
E tenho o coração contraditório,
Me ergui do meu não trono
E do alto desse não saber que é sempre meu
Me despi de todas as auroras
E vi que a vida é ávida de agora
E que ela era a resposta de um sonho
Que eu jamais sonhara,
O mar-matéria em que eu, navegador,
Me vejo convertido em vento e vela,
Me alço como um sopro,
Percebo que meu cais é nunca mais

by Geraldo Carneiro - Texto falado no programa Comentário Geral/TVE (2007)
Leia mais em www.geraldocarneiro.com
Foto by Mari Martins - Praia de Santa Rita - Ubatuba

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