segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Amamentação e Sexualidade Infantil



Segundo Freud, "a voluptuosidade de sugar o seio absorve toda a atenção da criança, adormece-a e pode mesmo levá-la a uma espécie de orgasmo...".
O ato de chuchar se desenvolve no recém-nascido por meio de movimentos rítmicos e repetitivos com os lábios, sem ter relação com a necessidade de alimentos. Ao utilizar parte dos lábios, da língua, do lóbulo da orelha ou segurar o dedão do pé durante a amamentação, vai "erogenizando" diferentes partes. A sexualidade da criança nessa fase é autoerótica - ela se satisfaz com o próprio corpo, passando da sucção para a masturbação, sentida de forma difusa. Depois surge outro tipo de impulso erótico: aguarrar e puxar de forma rítmica os cabelos, o lóbulo da orelha e outras partes do corpo materno, estabelecendo uma relação com o outro. A mãe, às vezes, reprime essas manifestações por não compreender que o ato de chuchar é expressão natural da sexualidade do recém-nascido e que pode perdurar até a vida adulta.
A amamentação propícia estreita a relação corporal do bebê com a mãe, estabelecendo por meio dela o seu primeiro contato com o mundo e a criança sente-se segura para vivenciar novas aptidões e aceitar melhor os cuidados de outras pessoas quando a mãe se ausenta.
Segundo Anna Freud, ser tocado e aconchegado pela mãe libidiniza o corpo do bebê e ajuda a consolidar sua imagem corporal e a autoestima na vida adulta.
Para Otto Fenichel, o erotismo propiciado pela temperatura do ato de amamentar é parte essencial da sexualidade receptiva: ter contato com o outro e sentir o calor de seu corpo continuam sendo a base dos relacionamentos amorosos. Tocar e ser tocado confirmam a experiência de prazer vivida no peito quando recém-nascido.
Segundo estudos de Masters e Johnson, privar o bebê de ser amamentado pode desencadear disfunções sexuais, como anorgasmia ou mesmo ejaculação precoce na vida adulta.

by Mari Martins
Fonte de pesquisa: Manual de Aleitamento Materno 2010 - FEBRASGO
Imagem by Google


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