quarta-feira, 10 de abril de 2013

Poesia




Escondida atrás da porta
à espreitar-me furtiva,
ora aparece, ora some,
provoca-me e logo se esquiva,
acena-me num gracejo,
sussurra-me numa brisa,
transporta-se com o vento,
fugaz, falaz, inconstante
se apossa do pensamento
e em seguida, distante,
transforma-se num arpejo
que se perde num instante.
Em vão busco o reencontro;
foi-se leve como um sonho
descansar noutras paragens
no rastro da fantasia,
em mim só deixando imagens
doces, ternas, tristes, vãs:
fugiu de novo a poesia.


Poema by Lúcia E. Narbot Ermetice
Foto by Mari Martins



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