terça-feira, 27 de abril de 2010

Reflexões sobre a paz interior.

No nosso mundo estressante e corrido, cada um está procurando a paz interior. Como podemos alcançá-la?
Uma resposta a essa pergunta realmente requer um ensaio inteiro. Mas basicamente, eu diria que a paz não se deve a circunstâncias externas. Se não temos paz interior, não é porque há algo errado com o mundo exterior. A paz interior é um subproduto direto da própria mente da pessoa, não importa quais condições externas possam existir. Todas as coisas dependem das motivações internas da pessoa. A paz surge agora, na nossa realidade presente, como um resultado direto de todas as ações que tenhamos tomado no passado e de acordo com a nossa motivação interna. Se experimentamos a paz agora, é um resultado de toda a bondade, bons trabalhos e ações compassivas que realizamos anteriormente. E se agora nos falta paz interior, se agora estamos tendo dificuldades, deve-se diretamente a termos sido difíceis antes. Isto é, nossas intenções e ações impuras voltarão para nós como a falta de paz interna.
Mas mesmo que tenhamos atrás de nós uma acumulação de comportamento não-pacífico, não é impossível mudar isto. A própria mente tem uma capacidade de mudança intrínseca a ela. O que quer que uma pessoa pense é o que se traduz na realidade da pessoa. Portanto, se a pessoa deseja ter condições cheias de paz, afortunadas, conducentes, a chave de tudo é um coração puro, as aspirações altruístas da própria pessoa, sua motivação pura. As suas ações e as ações dos outros podem não ser tão diferentes; a diferença está no coração, na motivação pelo que você faz. E é isto que faz toda a diferença no resultado de suas ações no mundo. Você deve ter a pureza do seu próprio coração, a pureza de sua própria postura e das intenções em relação aos outros e ao mundo que o rodeia. Essa é a causa-semente de toda a paz interior.

Chagdud Tulku Rinpoche (1930-2002)

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