quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Para ver e ouvir

MIS - Museu da Imagem e do Som

Para ver e ouvir

Em meio aos Jardins, a região que reúne os bairros mais valorizados da capital paulista, e a poucas quadras das ruas onde estão algumas das grifes mais caras do planeta, o Museu da Imagem e do Som (MIS) fica praticamente escondido do grande público. O que é de se lamentar, pois tal qual o objetivo inicial de seus idealizadores, ele coleta, registra e preserva o som e a imagem da vida brasileira, nos seus aspectos humanos, sociais e culturais, desde sua criação, em maio de 1970.

Ao contrário da maioria dos museus, não há, em seu acervo permanente, peças e objetos para se ver. A exceção fica por conta de suas grandes exposições periódicas, como a mais recente – sobre o diretor de cinema Stanley Kubrick –, que reuniu um grande número de visitantes. A próxima terá como tema o influente músico, ator e produtor britânico David Bowie (ver box na p. 43). Os cursos e oficinas do MIS também o tornam um importante núcleo de difusão artística e educativa. Alguns deles, que figuravam na programação do final de 2013, abordavam, por exemplo, temas como: História da Arte – 1º Módulo, Imagem: realidade ou ilusão: Reflexões sobre o valor da imagem na perspectiva da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, e Iluminação em fotografia.

Para quem se interessa por pesquisa, o museu é um importante centro de referência audiovisual do País. São mais de 350 mil registros em seu acervo, composto por filmes (curtas, longas, vídeos e documentários), discos, gravações (depoimentos, entrevistas, debates, palestras e apresentações musicais), fotografias e um setor de artes gráficas. Possui, ainda, biblioteca especializada e um centro de pesquisa e produção voltado às novas mídias, que abriga artistas residentes e comissionados.


Exposições, como a última sobre Stanley Kubrick (esta e foto acima) e de David Bowie (foto abaixo), fazem parte dos atrativos do MIS

Cinema e vídeo
Para os cinéfilos, o MIS tem uma programação interessante, com diferentes mostras de filmes. Uma delas, por exemplo, o Cine MIS, apresenta um inédito a cada mês, com entrada gratuita. Periodicamente, há, também, festivais de cinema temáticos.

A coleção de filmes do museu é composta por 13 mil títulos, entre curtas, médias e longas-metragens, em Super 8, 16 e 35 mm, dos mais variados gêneros e épocas. Foi formada com exemplares coletados pela Comissão Nacional de Cinema do Conselho Estadual de Cultura, aos quais se somaram produções internas do museu, doações de particulares e de instituições culturais estrangeiras, títulos adquiridos por meio do Prêmio Estímulo de Curtas Metragens, curtas apresentados no Festival de Gramado e o acervo de produções norte-americanas da Castle Films.

O acervo de vídeo conta com mais de 5 mil títulos. São documentários, obras de ficção, videoclipes, animações, exemplares de videoarte, programas de televisão, peças publicitárias, gravações de festivais e musicais. Há significativas coleções relacionadas à produção brasileira e internacional, incluindo títulos do Japão, França, Argentina, Estados Unidos e Alemanha. Um dos destaques são as produções internas do museu, como os registros da conquista do tricampeonato, das comemorações do sesquicentenário da Independência (1972) e das demolições para a construção do metrô de São Paulo (1975).

Fotografia
Exposições regulares de fotos fazem parte da programação. Quanto ao acervo permanente, é composto por fotografias produzidas pelo próprio museu, adquiridas ou recebidas em doações. Possui autocromos (processo de fotografia colorida), ferrótipos (imagem produzida pelo processo de colódio úmido “éter e álcool” em plaqueta de ferro), negativos e estereoscópicos (pares de fotografia retratando a mesma imagem), diversas coleções especializadas em cinema, rádio e televisão, além de uma coletânea de trabalhos de fotógrafos contemporâneos. É particularmente relevante a coleção relacionada à iconografia paulistana, com obras de Militão Augusto de Azevedo, Guilherme Gaensly, Valério Vieira, Alice Brill, Hildegard Rosenthal e Hans Gunter Flieg.

Sons
O museu também conserva uma coleção de mais de três mil registros sonoros de depoimentos, entrevistas, debates e palestras. Essas gravações foram realizadas no âmbito de um projeto pioneiro de história oral desenvolvido pelo MIS, dedicado a coletar material sonoro de brasileiros famosos e anônimos, divididos nos núcleos Histórias de Vida, Projetos Políticos, Sociais e Trabalhistas, e Memória e Tradição Oral. Estão representados nos depoimentos de personalidades como Pietro Maria Bardi, Pelé, Alfredo Volpi, Tarsila do Amaral, Camargo Guarnieri, Sérgio Buarque de Hollanda e Tom Jobim.

Artes gráficas
O departamento de artes gráficas é o mais recente. Reúne catálogos, folhetos, embalagens, adesivos, selos, calendários, capas de livros, revistas, cartazes e materiais impressos em geral, de mais de 120 designers. A coleção foi iniciada em 1991, após a organização da exposição Gráficos Brasileiros – Antes de Hards e Softs.




SERVIÇO
Endereço
Av. Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo - SP

Horários
Terça a sexta, das 12h às 22h; sábado, domingo e feriado, das 11h às 21h


Entrada
Terças-feiras: ingresso gratuito.
De quarta a domingo: entrada livre no térreo, onde fica a midiateca e parte do acervo.
Segundo e terceiro andares: exposições periódicas. Entrada, em geral, em torno de R$ 20,00.

Fonte: Revista Ser Médico nº 65


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