terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Estudo da OCDE revela índices sobre a qualidade de vida das pessoas em diversos países, incluindo o Brasil



Apesar das deficiências alarmantes, principalmente em relação à educação e à segurança, os brasileiros estão acima da média ao medir sua satisfação geral com a vida. A conclusão está na última pesquisa Como vai a vida? (How is life?)” – rea­lizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) –, na qual a população brasileira deu – em uma escala de 0 (pior possível) a 10 (melhor possível) –, nota 7, acima da média de 6,6 dos países europeus, ao avaliar sua vida como um todo.
Em sua terceira edição, divulgada no final de 2015, o estudo – que acontece a cada dois anos – visa a compreender melhor o bem-estar da população, e, assim, criar políticas eficientes para elevar a qualidade de vida. Para isso, são analisados 11 itens, que formam um conjunto internacionalmente comparável de indicadores que a OCDE considera essencial para uma boa vida: renda familiar, condições de moradia, saúde, educação, empregos, segurança, satisfação de vida, engajamento cívico, comunidade, meio ambiente e vida/trabalho. O relatório também apresentou três capítulos especiais com foco no bem-estar infantil, voluntariado e bem-estar regional.
A OCDE é uma organização internacional presente em 34 países que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado, e que procura fornecer uma plataforma para comparar políticas econômicas, solucionar problemas comuns e coordenar políticas domésticas e internacionais. Seus membros são, principalmente, países desenvolvidos, cujas economias apresentam um elevado Produto Interno Bruto (PIB) per capita e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), incluindo todos os europeus e alguns não europeus, como Japão, Austrália, México, Coreia do Sul, Chile e Israel. Desde 2007, a organização decidiu reforçar a cooperação com Brasil, China, Índia, Indonésia e África do Sul.
Índices brasileiros
O Brasil apresentou algumas áreas consideradas, pela OCDE, de força relativa e outras de fraqueza, dentre as diferentes dimensões de bem-estar, em comparação com países como Letônia, Rússia e África do Sul. Dentre as fraquezas, 6,7% dos brasileiros ainda vivem em habitação sem saneamento básico, situação quase inexistente nos vários países pesquisados, cuja média nesse indicador é de 2,1%. A qualidade do ar também não se destaca positivamente: é pior do que a média da organização.
Nas questões cívico-políticas, o Brasil destaca-se pela participação dos eleitores nas eleições presidenciais nacionais, como na última, em 2014, que atingiu 78,9% dos inscritos para votar, muito superior à média alcançada pelos países da organização.
Os índices de emprego apresentaram dados positivos na época do levantamento da pesquisa: 66,7% dos brasileiros diziam estar empregados, um pouco mais do que na OCDE (65,8%).
Entretanto, na educação, o País enfrenta números alarmantes. Apenas 46,4% dos adultos no Brasil concluíram o ensino médio, comparado a uma média de 76,4% dos países da OCDE. As habilidades cognitivas dos jovens de 15 anos no Brasil, conforme medido pelo estudo (Programme for International Student Assessment (PISA) – igualmente coordenado pela OCDE –, também estão abaixo da média.
A segurança pessoal permanece um desafio no Brasil: a taxa de homicídios, de 25,5 por 100 mil habitantes, é seis vezes maior do que a média da OCDE, de quatro por 100 mil habitantes. Quando consideradas somente as vítimas de homicídios do sexo masculino, a taxa no Brasil é de 48,1, bem acima dos 4,4 registrados entre mulheres. Porém, as mulheres brasileiras, assim como as do México e da Rússia, enfrentam riscos muito maiores do que as dos outros países incluídos no relatório.
Ainda em relação à segurança, apenas 39,5% dos brasileiros sentem-se seguros andando sozinhos à noite, em comparação com 68,3%, em média, nos países da organização. Mesmo nos demais países latino-americanos pesquisados, como México e Chile, a sensação de segurança ao andar à noite é maior do que no Brasil. Na Noruega, país com o percentual mais alto, mais de 80% dos habitantes se sentem seguros ao andar sozinhos à noite na área em que moram.
Em termos de suporte social, 90% das pessoas no Brasil relatam ter amigos ou parentes com quem podem contar em tempos de dificuldade, acima da média de 88% dos países membros da OCDE.
Apesar das preocupações com segurança, os brasileiros aparecem também acima da média da OCDE quando se mede a avaliação das pessoas sobre suas vidas como um todo. Ao mensurar sua satisfação geral com a vida em uma escala que vai de 0 a 10, de “pior possível” para “melhor possível”, os brasileiros deram “nota” sete, acima da média de 6,6 dos membros da organização.
Estoques de capital
Além de medir o bem-estar, a pesquisa examina alguns dos recursos (ou “estoques de capital”) que moldarão o bem-estar das pessoas no futuro, como aspectos de capital natural, humano, social e econômico.
O capital natural é relacionado a ativos críticos no ambiente natural e inclui minerais, recursos energéticos, terra, solo, água, árvores, plantas e vida selvagem, e também ecossistemas mais amplos. O Brasil tem 26,2 quilômetros quadrados de área florestal por mil habitantes, três vezes mais do que na média da organização. No entanto, a cobertura florestal em percentagem da área total de terra diminuiu de 65%, em 2000, para 62% em 2012, uma redução considerável em comparação com os outros países.
Já na área de capital humano – referente às habilidades, competências e estado de saúde dos indivíduos, como o nível de escolaridade dos adultos jovens, ou seja, habilidades que são levadas adiante para o futuro –, o Brasil aumentou mais de 10 pontos percentuais em proporção de jovens de 25 a 34 anos que cursam o ensino médio desde 2007, atingindo 60,8%, ainda abaixo da média da OCDE (83,6%). Em termos de futuros riscos para a saúde, 12,1% dos brasileiros relatam que fumam diariamente, índice menor do que o de quase todos os países da organização. Além disso, a taxa de fumo no Brasil diminuiu em um terço desde 2000.
O relatório da organização concluiu que “o Brasil fez progresso impressionante na última década em termos de melhora na qualidade de vida de seus cidadãos. Nos últimos anos, o País evidenciou recorde de crescimento da inclusão e redução da pobreza. Todavia, apresenta bom desempenho apenas em poucas medidas de bem-estar em relação a outros países que integram a pesquisa. O Brasil está acima da média no bem-estar subjetivo e conexões sociais, mas abaixo da média em renda e riqueza, emprego e rendimentos, moradia, qualidade do ambiente, estado de saúde, educação e qualificações”.
Metodologia
Milhares de pessoas participaram da pesquisa por meio do “Índice de Vida Melhor”, no site da OCDE. Trata-se de uma tabela interativa em que os usuários definem suas prioridades dentre os indicadores de bem-estar e montam seus próprios índices. Os participantes escolhem o peso a dar a cada um dos indicadores, permitindo que a organização colete informações sobre a importância atribuída às diferentes dimensões da vida e sobre como essas preferências diferem entre os países.
Desde seu lançamento, em maio de 2011, o “Índice de Vida Melhor” atraiu mais de 8 milhões de visitas, de praticamente todos os países, sendo mais de 100 mil provenientes do Brasil, que ocupa o 17º lugar no tráfego do site. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba são as principais cidades de acesso.
Mais informações:
http://www.oecd.org/statistics/how-s-life-­23089679.htm
http://www.oecd.org/statistics/BLI%202014%20Brazil%20country%20report%20Portuguese.pdf

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 77


Nenhum comentário: