segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Reprodução animal e humana



Pela primeira vez, cientistas japoneses conseguiram usar células-tronco para criar in vitro óvulos de camundongo (foto acima), desenvolvendo, em seguida, embriões que, transferidos para as fêmeas de camundongos, geraram filhotes saudáveis e férteis, em 4% dos casos. A pesquisa – liderada por Katsuhiko Hayashi, da Universidade de Kyushu, no Japão – traz novas perspectivas para estudos sobre a reprodução animal e humana. Estudiosos acreditam que a pesquisa, recém-publicada na revista Nature, pode levar a novos tratamentos contra a infertilidade. Mas, ressalvam, faltam, ainda, muitos estudos para se chegar à aplicação na medicina. Mais informações: http://www.nature.com/news/mouse-eggs-made-from-skin-cells-in-a-dish-1.20817

Fonte: Revista Nature




Redes Sociais! Sair ou permanecer nelas?

Resultado de imagem para redes sociais





 Já pensou em excluir o seu perfil numa rede social?

Pesquisa feita com 4.831 usuários de mídias sociais, pela empresa Kaspersky Lab em 12 países, entre eles o Brasil, revelou que 78% deles já consideraram sair das mídias sociais pelos seguintes motivos: 39% acham que estão perdendo muito tempo; 30% ficam incomodados com o monitoramento feito pelas grandes empresas de tecnologia; 4% não aguentam mais bullying em seus posts; 3% porque a página foi hackeada e parte da vida arruinada; 15%, por outros motivos. No entanto, como era de se esperar, a principal razão para permanecer nessas mídias foi, para 62% dos entrevistados, manter contato com parentes e amigos (62%); 21%, pela vontade de compartilhar memórias online;e 18%, por usar as mídias sociais para entrar em serviços da web.

Imagem by Google
Fonte: Kaspersky Lab


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Arte contemporânea online

Fredérique Barba/ Sem título 07,2012


Quer iniciar uma coleção de arte contemporânea de qualidade ou simplesmente dar um charme na decoração da casa? É possível começar pela internet. O site Artsper reúne 35 mil obras de 900 galerias – entre as quais, o quadro acima –, que vão de grandes artistas como Basquiat, Warhol ou Bansy a jovens e iniciantes talentos. Os valores delas, principalmente pinturas, esculturas e fotografias, também variam, indo de cerca de 150 a dezenas de milhares de euros. A start-up, sediada em Paris, França, foi criada em 2013 e, segundo a revista GQ francesa, o portal transformou-se em referência na internet em matéria e-commerce artístico. Porém, é preciso considerar que a devolução, por qualquer razão, de alguma obra adquirida, não é possível para quem mora fora do território da Comunidade Europeia. Mais informações em: http://www.artsper.com (em inglês e em francês).


Arte urbana

Antes e depois
Não importa a cidade, ela sempre tem – algumas mais, outras menos – aqueles muros ou fachadas feios, sem graça, que derrubam qualquer visual. Mas com o talento e a criatividade de alguns artistas de grafite, esses espaços vazios, por vezes, são transformados do dia para a noite em obras de arte urbana que mudam completamente o local, trazendo um frescor de formas e cores. Alguns desses grafites são especialmente lindos e/ou interessantes. O site Bored Panda fez uma seleção de 10 deles, que estão entre os melhores do mundo. Para vê-los, basta acessar: http://www.boredpanda.com/before-after-street-art-boring-wall-transformation/

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Genética e efeitos colaterais



Fatores genéticos podem estar vinculados a efeitos colaterais de medicamentos. É o que afirma a tese de doutorado defendida na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp pelo psiquiatra Amilton dos Santos Júnior. A partir de estudo feito com crianças, o pesquisador demonstrou essa vinculação no caso da Risperidona, medicamento genérico consumido em larga escala, pertencente à classe dos antipsicóticos. Segundo ele, o gene da dopamina e do citocromo 450, por exemplo, estiveram associados aos valores da pressão arterial. O estudo mostrou que se esses efeitos forem mais compreendidos, será possível, futuramente, definir quais crianças não podem ingerir determinado fármaco.

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 77


Estudo da OCDE revela índices sobre a qualidade de vida das pessoas em diversos países, incluindo o Brasil



Apesar das deficiências alarmantes, principalmente em relação à educação e à segurança, os brasileiros estão acima da média ao medir sua satisfação geral com a vida. A conclusão está na última pesquisa Como vai a vida? (How is life?)” – rea­lizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) –, na qual a população brasileira deu – em uma escala de 0 (pior possível) a 10 (melhor possível) –, nota 7, acima da média de 6,6 dos países europeus, ao avaliar sua vida como um todo.
Em sua terceira edição, divulgada no final de 2015, o estudo – que acontece a cada dois anos – visa a compreender melhor o bem-estar da população, e, assim, criar políticas eficientes para elevar a qualidade de vida. Para isso, são analisados 11 itens, que formam um conjunto internacionalmente comparável de indicadores que a OCDE considera essencial para uma boa vida: renda familiar, condições de moradia, saúde, educação, empregos, segurança, satisfação de vida, engajamento cívico, comunidade, meio ambiente e vida/trabalho. O relatório também apresentou três capítulos especiais com foco no bem-estar infantil, voluntariado e bem-estar regional.
A OCDE é uma organização internacional presente em 34 países que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado, e que procura fornecer uma plataforma para comparar políticas econômicas, solucionar problemas comuns e coordenar políticas domésticas e internacionais. Seus membros são, principalmente, países desenvolvidos, cujas economias apresentam um elevado Produto Interno Bruto (PIB) per capita e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), incluindo todos os europeus e alguns não europeus, como Japão, Austrália, México, Coreia do Sul, Chile e Israel. Desde 2007, a organização decidiu reforçar a cooperação com Brasil, China, Índia, Indonésia e África do Sul.
Índices brasileiros
O Brasil apresentou algumas áreas consideradas, pela OCDE, de força relativa e outras de fraqueza, dentre as diferentes dimensões de bem-estar, em comparação com países como Letônia, Rússia e África do Sul. Dentre as fraquezas, 6,7% dos brasileiros ainda vivem em habitação sem saneamento básico, situação quase inexistente nos vários países pesquisados, cuja média nesse indicador é de 2,1%. A qualidade do ar também não se destaca positivamente: é pior do que a média da organização.
Nas questões cívico-políticas, o Brasil destaca-se pela participação dos eleitores nas eleições presidenciais nacionais, como na última, em 2014, que atingiu 78,9% dos inscritos para votar, muito superior à média alcançada pelos países da organização.
Os índices de emprego apresentaram dados positivos na época do levantamento da pesquisa: 66,7% dos brasileiros diziam estar empregados, um pouco mais do que na OCDE (65,8%).
Entretanto, na educação, o País enfrenta números alarmantes. Apenas 46,4% dos adultos no Brasil concluíram o ensino médio, comparado a uma média de 76,4% dos países da OCDE. As habilidades cognitivas dos jovens de 15 anos no Brasil, conforme medido pelo estudo (Programme for International Student Assessment (PISA) – igualmente coordenado pela OCDE –, também estão abaixo da média.
A segurança pessoal permanece um desafio no Brasil: a taxa de homicídios, de 25,5 por 100 mil habitantes, é seis vezes maior do que a média da OCDE, de quatro por 100 mil habitantes. Quando consideradas somente as vítimas de homicídios do sexo masculino, a taxa no Brasil é de 48,1, bem acima dos 4,4 registrados entre mulheres. Porém, as mulheres brasileiras, assim como as do México e da Rússia, enfrentam riscos muito maiores do que as dos outros países incluídos no relatório.
Ainda em relação à segurança, apenas 39,5% dos brasileiros sentem-se seguros andando sozinhos à noite, em comparação com 68,3%, em média, nos países da organização. Mesmo nos demais países latino-americanos pesquisados, como México e Chile, a sensação de segurança ao andar à noite é maior do que no Brasil. Na Noruega, país com o percentual mais alto, mais de 80% dos habitantes se sentem seguros ao andar sozinhos à noite na área em que moram.
Em termos de suporte social, 90% das pessoas no Brasil relatam ter amigos ou parentes com quem podem contar em tempos de dificuldade, acima da média de 88% dos países membros da OCDE.
Apesar das preocupações com segurança, os brasileiros aparecem também acima da média da OCDE quando se mede a avaliação das pessoas sobre suas vidas como um todo. Ao mensurar sua satisfação geral com a vida em uma escala que vai de 0 a 10, de “pior possível” para “melhor possível”, os brasileiros deram “nota” sete, acima da média de 6,6 dos membros da organização.
Estoques de capital
Além de medir o bem-estar, a pesquisa examina alguns dos recursos (ou “estoques de capital”) que moldarão o bem-estar das pessoas no futuro, como aspectos de capital natural, humano, social e econômico.
O capital natural é relacionado a ativos críticos no ambiente natural e inclui minerais, recursos energéticos, terra, solo, água, árvores, plantas e vida selvagem, e também ecossistemas mais amplos. O Brasil tem 26,2 quilômetros quadrados de área florestal por mil habitantes, três vezes mais do que na média da organização. No entanto, a cobertura florestal em percentagem da área total de terra diminuiu de 65%, em 2000, para 62% em 2012, uma redução considerável em comparação com os outros países.
Já na área de capital humano – referente às habilidades, competências e estado de saúde dos indivíduos, como o nível de escolaridade dos adultos jovens, ou seja, habilidades que são levadas adiante para o futuro –, o Brasil aumentou mais de 10 pontos percentuais em proporção de jovens de 25 a 34 anos que cursam o ensino médio desde 2007, atingindo 60,8%, ainda abaixo da média da OCDE (83,6%). Em termos de futuros riscos para a saúde, 12,1% dos brasileiros relatam que fumam diariamente, índice menor do que o de quase todos os países da organização. Além disso, a taxa de fumo no Brasil diminuiu em um terço desde 2000.
O relatório da organização concluiu que “o Brasil fez progresso impressionante na última década em termos de melhora na qualidade de vida de seus cidadãos. Nos últimos anos, o País evidenciou recorde de crescimento da inclusão e redução da pobreza. Todavia, apresenta bom desempenho apenas em poucas medidas de bem-estar em relação a outros países que integram a pesquisa. O Brasil está acima da média no bem-estar subjetivo e conexões sociais, mas abaixo da média em renda e riqueza, emprego e rendimentos, moradia, qualidade do ambiente, estado de saúde, educação e qualificações”.
Metodologia
Milhares de pessoas participaram da pesquisa por meio do “Índice de Vida Melhor”, no site da OCDE. Trata-se de uma tabela interativa em que os usuários definem suas prioridades dentre os indicadores de bem-estar e montam seus próprios índices. Os participantes escolhem o peso a dar a cada um dos indicadores, permitindo que a organização colete informações sobre a importância atribuída às diferentes dimensões da vida e sobre como essas preferências diferem entre os países.
Desde seu lançamento, em maio de 2011, o “Índice de Vida Melhor” atraiu mais de 8 milhões de visitas, de praticamente todos os países, sendo mais de 100 mil provenientes do Brasil, que ocupa o 17º lugar no tráfego do site. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba são as principais cidades de acesso.
Mais informações:
http://www.oecd.org/statistics/how-s-life-­23089679.htm
http://www.oecd.org/statistics/BLI%202014%20Brazil%20country%20report%20Portuguese.pdf

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 77


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

“Um Malbec argentino, por favor”




Numa terra longínqua, passava um jovem por uma estrada quando notou um senhor de brancos cabelos plantando tamareiras. Nessa terra longínqua, todos sabem que a tamareira leva mais de 50 anos para produzir seus frutos, e era claro que o idoso senhor jamais veria as tâmaras das árvores que plantava. Curioso, o jovem se aproximou e perguntou: “senhor, por que plantas árvores cujos frutos jamais verás?” Mirando o jovem nos olhos, o idoso senhor respondeu: “planto porque estou com vontade de plantar; a terra é minha, as sementes são minhas, e não tenho que dar satisfação pra ninguém”.
Sábias palavras. Lamento que, muitas vezes, elas me faltem, principalmente quando declaro que sou abstêmio e agnóstico. Ah, meu Deus (como dizia o ateu), o que já não tive que escutar por causa das minhas abstinências, de álcool e de fé.
Comecemos pelo álcool: o vinho tinto me provoca rubor, sensação de calor e uma incômoda taquicardia. “Culpa do tanino”, disse um dos 162 mil especialistas em vinho que moram em São José do Rio Preto. Dizem que há duas estações aqui nesta terra, verão e inferno. Os especialistas se reúnem em confrarias, geralmente uma vez por mês, para degustar os tintos. Interessante que, com todo esse calor, não se bebe champagne ou brancos nas cerca de 20 mil confrarias de vinho da cidade. E não há nenhuma de cerveja. A não ser que possamos chamar de confraria a turba que se reúne no Bar do Paulão todas as tardes, para tomar umas geladas e degustar iguarias refinadas, como língua de boi à milanesa ou miolos fritos, em cadeiras nas calçadas.
Durante alguns anos, foi muito popular por aqui uma tal de “Porcada”. O dono de um açougue, que matava porcos na quarta-feira, descobriu que vender carne de porco frita dava mais dinheiro que vendê-la crua. Aí o povão invadiu o açougue, e começou a lotar o tosco estabelecimento, que se transformou num boteco ainda mais tosco. Dizem que a linguiça mista de vaca e porco era feita com carne de vaca misturada com o suor do açougueiro, já que neste calor ninguém consegue fazer linguiça sem suar muito. Enfim, sou abstêmio numa cidade em que os mais abastados bebem vinho, os nem tanto bebem cerveja, e uma turma muito grande que bebe o que estiver à frente.
Algumas bebidas me dão prazer, mas só no primeiro copo, como mojito ou daiquiri. “Coisa de boiola”, comenta meu amigo que pertence à categoria de bebe-tudo. “Se ele pedir suco de abacaxi com hortelã, eu levanto da mesa”, diz. No segundo copo, já se instala o mal-estar.
Para falar a verdade, tenho inveja de quem pode tomar um vinho com prazer, sem ter a sensação que me acomete depois do segundo gole: sair correndo para a emergência do hospital mais próximo. E queria ter a autoridade de sentar numa mesa e pedir um “Malbec argentino” ou coisa que o valha. Depois, solenemente, cheirar a rolha, provar aquele tantinho que está na taça e, com um meneio discreto da cabeça, autorizar o sommelier a encher as demais taças. Ao invés disso, peço um refrigerante, com uma ressalva: tem de ser zero. Ou água, mas que seja com gás. Estou ficando profissional: já consigo pedir minha bebida em seis línguas. E com detalhes: os ignorantes bebedores de álcool não sabem que há várias diferenças entre sparkling waterclub sodasoda water e seltzer. Detalhes que só nós, abstêmios profissionais, conhecemos.
Nas festas, o anfitrião coça a cabeça quando abre aquele grand cru e digo que não bebo. Consternado, sugere: “água você bebe?”. Interessante que não estou sozinho: cerca de 7% dos adultos têm alguma intolerância ao álcool. Mas de alguma maneira esses 7% nunca estão presentes nos lugares que frequento. Ou estão mais disfarçados que espião da CIA, girando o gelo de um copo de uísque, que permanece intacto.
Se os abstêmios permanecem ocultos, estou descobrindo uma nova turma de colegas. Saí­mos para jantar; e minha mulher e minha filha pediram vinho. “Excelente escolha”, disse o garçom. Quando foi me servir, ganhei uma discreta censura: “o senhor está recusando um ótimo vinho”. E a cada vez que servia fazia um novo comentário. Até que, para interromper a sequência de “o senhor tem que experimentar este vinho”, disse em voz baixa ao garçom: “por favor, não me ofereça mais o vinho: sou ex-alcoólatra”. Na hora, ele se tornou amigo: “eu também”.
Descobri, então, que, na escala dos bebedores, o ex-alcoólatra está no topo. Foi lá e conseguiu voltar, e todos o tratam com respeito. Agora peço em voz alta: “um refrigerante zero, por favor” e sussurro para o garçom: “sou ex-alcoólatra”. E aí sou tratado com o respeito que só os verdadeiros profissionais merecem.
As agruras de ser agnóstico ficam para uma próxima crônica.

Crônica by Tufik Bauab
Fonte: Revista Ser Médico - Edição 77




Memória?!



Não é novidade que a capacidade de memorização de muitas pessoas diminui drasticamente com o envelhecimento, devido a alterações nas sinapses, conexões entre os neurônios responsáveis pela formação de memórias. Mas não precisa ser assim. Segundo um artigo publicado, recentemente, na revista Plos, uma substância natural produzida pelo próprio corpo pode evitar, por exemplo, o Mal de Alzheimer. O estudo, feito por pesquisadores de universidades de Berlim e Göttingen, na Alemanha, e Graz, na Áustria, concluiu que a espermidina, composto orgânico envolvido no metabolismo celular, pode ajudar a evitar alterações sinápticas relacionadas com a idade. Ao atuar nos neurônios, o composto protegeria as sinapses da perda de memória típica da idade.

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 77


Depressão maternal




Os médicos devem rastrear as doenças mentais na maternidade, principalmente a depressão de mulheres durante a gravidez e após dar à luz. A recomendação é do U.S. Preventive Services Task Force, influente serviço de especialistas vinculado ao governo dos Estados Unidos. A iniciativa foi tomada em função de novas evidências de que as doenças mentais na maternidade são mais comuns do que se pensava. Estudos estadunidenses estimam que a depressão durante a gestação ocorra em 13% das mulheres e, no pós-parto, entre 10% e 15%. Sem tratamento, os transtornos podem causar prejuízos, inclusive para o bem-estar das crianças. O rastreamento é considerado importante porque muitas mulheres relutam em contar os sintomas aos médicos. O serviço estadunidense não especifica como deve ser feito esse monitoramento. Entretanto, um método efetivo para identificar a doença é a aplicação da Escala Edimburgo de Depressão Pós-parto, composta por dez questões, que requerem apenas alguns minutos para ser respondidas.

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 77




sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Binge drinking aumenta comportamento de risco



Não basta beber, tem de se intoxicar. É o que se pode deduzir do estudo realizado pela Escola Paulista de Medicina (EPM), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sobre a prática do binge drinking nas baladas noturnas, por 29,6% dos homens e 22,1% das mulheres que participaram da pesquisa, na cidade de São Paulo. Binge drinking(farra alcoólica) significa beber muito, em pouco tempo, com a intenção de ficar embriagado – consumindo-se quatro doses, no caso das mulheres, e cinco, para homens, em um período de duas horas. Esse padrão é considerado a forma mais arriscada de consumo alcoólico por jovens, no mundo. Pode resultar em intoxicação severa e contribui para o desenvolvimento de situações de risco para quem bebe e para aqueles ao seu redor.
A pesquisa revela que dentre os entrevistados (mostra total, incluindo binge e não binge) 27,9% dos homens e 20,4% das mulheres, entre 18 e 24 anos, dirigem embriagados após sair de casas noturnas. Porém, aqueles que têm concentrações alcoólicas no sangue equivalentes à prática consomem mais drogas ilícitas, como maconha ou haxixe, cocaína, inalantes, ecstasy, anfetaminas, benzodiazepínicos e alucinógenos como o LSD. Nos homens que praticam binge o consumo dessas drogas é 2,54 vezes maior do que entre os que bebem sem binge. Dentre os sujeitos que praticam o binge, o consumo delas ocorre, após a saída da balada, em 20,7% dos homens e 11,5% das mulheres. Ainda dentro da balada, o consumo dessas drogas atinge 42,2% dos homens e 32,4% das mulheres com binge.
Além disso, os praticantes de binge têm um comportamento sexual de risco de 11,4%, entre os homens, e 6,8%, entre as mulheres. Foi considerado, nesse comportamento, o sexo sem camisinha (com parceiro desconhecido ou conhecido), arrependimento posterior à relação e sexo não consensual.
A prática do binge eleva também, em 5,8 vezes, o risco de um novo episódio de uso de álcool entre as mulheres que bebem. A amnésia alcoólica (não se lembrar do que aconteceu devido ao abuso de álcool) também é maior entre as pessoas que têm concentrações de álcool no sangue equivalentes à prática.
Publicado na revista científica on-line Plos One, a pesquisa é pioneira por descrever os comportamentos de risco de jovens após saírem das baladas noturnas. “Em geral, o foco dos estudos internacionais está apenas no que ocorre dentro desses estabelecimentos”, explica a professora do Departamento de Medicina Preventiva da EPM, Zila Sanchez, que coordenou a pesquisa. O estudo integra o projeto Balada com Ciência, que analisa o comportamento do jovem antes, durante e depois de uma festa à noite.

Método         
Participaram do estudo, como voluntários, 1.222 homens e mulheres, a maioria jovem, de 18 a 24 anos, solteira, de classe média alta e com ensino superior completo. Eles foram entrevistados por uma equipe formada por oi­to pesquisadores, que abordava cerca de 75 “baladeiros” ao longo da noite. A eles eram explicados os procedimentos éticos e de proteção ao anonimato e sigilo que guiam a pesquisa, e era realizada uma entrevista de 5 a 10 minutos, além de um teste de bafômetro. Na saída dos eventos, ambos os procedimentos eram refeitos. Foram realizadas entrevistas em 31 casas noturnas da cidade da São Paulo. Além disso, no dia seguinte, um questionário on-line era enviado para o e-mail do participante.
Para Zila Sanchez, o álcool não é reconhecido como droga, o que faz com que seja visto pela sociedade como pouco nocivo. “No entanto, a maior parte dos danos causados por drogas no mundo são decorrentes do abuso e dependência de álcool”, declara. Segundo ela, políticas públicas direcionadas a reduzir o consumo de álcool por clientes de casas noturnas, bem como o treinamento dos funcionários desses estabelecimentos, a fim de evitar a venda de bebidas a indivíduos já alcoolizados, seriam caminhos para proteger as pessoas de comportamentos de risco associados ao binge drinking.

Fonte: Revista Ser Médico - Edição 76

Não sou de fazer suspense nem sei contar piada




Eu sou a própria piada, o que estraga qualquer contação de história. Sou mais engraçado quando fico sério. Nasci na época errada: um astro do cinema mudo no século 21.
Nunca seguraria um segredo biográfico até a morte de alguém, ou não seria capaz de não transar antes do casamento. Evito realizar promessas de propósito para não ser amaldiçoado. Não juro beijando os dedos.
Não poderia participar de nenhuma máfia porque seria morto na primeira semana. Eu me desperdiço rápido, com tendência letal à fofoca. Nem vivi ainda e já estou contando. Para mim, véspera já é notícia, quase acontecimento é experiência. Preciso cuidar para a minha ansiedade não atropelar a existência.
Mas há gente com o dom de se guardar para os grandes momentos. Com a vocação de reunir as forças para o apogeu da sensibilidade. Como a Luiza. A Luizinha de Nazaré, de 77 anos, que mora sozinha em Anta Gorda (RS), a 190 quilômetros de Porto Alegre.
Ela sofre de osteoporose. Às vezes, tem crises sérias a ponto de não ter força para se levantar. Fica acabada, triste, com ossos frouxos, como um quebra-cabeça que carece de algumas peças, e depende de ambulância para ser decifrada pelo seu doutor em Porto Alegre.
Os plantonistas do hospital local não tiram uma palavra de sua boca, uma descrição do que está acontecendo em seu corpo, um sintoma qualquer, não têm nem informações para preencher o prontuário. Entram em pânico com o silêncio irredutível de Luizinha.
Ela não fala. Só fala na presença de seu médico. Seu médico é seu advogado. Parece que a doença é um crime pessoal. Entra calada e sai calada da emergência do hospital da cidade, só troca gemidos e resmungos com os enfermeiros.
Testemunhando a aflição infinda da paciente e desconhecendo o seu temperamento arisco, um dos socorristas inventou de oferecer um analgésico para aliviar a sua tormenta. Ela começou a gritar sem parar, como um alarme de carro.
Luizinha ficou profundamente ofendida com a oferta. No fim, explicou para o perplexo atendente:
– De modo nenhum, não quero tomar nada para me aliviar. Quero chegar ao médico com toda a minha dor.

Fabrício Carpinejar - Poeta, escritor, colunista, jornalista e apresentador de TV; autor de vários livros, entre eles Canalha! e Ai meu Deus, Ai meu Jesus

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Poema XLIV




Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem a sua metade de frio.

Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.

O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Poema by Pablo Neruda
Foto by Mari Martins


Se imagine no lugar do outro...




Imagine-se dentro de um campo de refugiados, acompanhando seu cotidiano como se fosse uma criança... A Organização das Nações Unidas (ONU) está tornando isso possível por meio do documentário Clouds over Sidra, em realidade virtual, com o objetivo de estimular a conscientização sobre a crise humanitária no mundo. Usando óculos com tecnologia de realidade aumentada, o espectador é guiado pelo campo, por Sidra, uma menina síria que vive refugiada na Jordânia. A ONU não divulgou onde será possível acessar o documentário virtual, além de sua sede, em Nova York, mas ele pode ser visto no formato tradicional no endereço http://with.in/watch/clouds-over-sidra/ e no You Tube.

Portal educacional

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A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) lançou um portal educacional com conteúdos de livre acesso para estudantes e professores de todos os níveis educacionais aprimorarem seus conhecimentos. Organizado pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e universidades parceiras, o portal eduCapes oferece conteúdos como e-books, dissertações, vídeo-aulas, jogos educacionais e outros materiais a partir do assunto que o usuário escolher pesquisar. Acesse (ou compartilhe) o endereço: http://educapes.capes.gov.br/