sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Neruda



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Pablo Neruda - Poema XX


O destino do coração



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Poemas místicos do Oriente - O destino do coração
Interpretação de Letícia Sabatella

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Bandoleiro



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Ney Matogrosso - Bandoleiro


Saúde



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Rita Lee - Saúde

USP sobe 23 posições e alcança sua melhor classificação em ranking internacional

USP sobe 23 posições e alcança sua melhor classificação em ranking internacional


A Universidade de São Paulo (USP) avançou 23 posições e ficou em 120º lugar no QS World University Ranking, divulgado no dia 5 de setembro pela Quacquarelli Symonds, organização britânica de pesquisa em educação, especializada em instituições de ensino superior.
Esta é a melhor posição alcançada pela Universidade, desde que o ranking passou a ser divulgado, em 2010. “Esse resultado mostra que o reconhecimento e o prestígio da USP fora do país estão aumentando gradativamente. Apesar de oscilações anuais, a posição da USP é consolidada como uma das melhores universidades não só da América Latina, mas também da Ibero-América – fato que já era conhecido, mas que se popularizou com o surgimento dos rankings”, explicou o reitor Marco Antonio Zago, em informe divulgado pela universidade.
Em 2016, o QS World University avaliou mais de 4 mil universidades do mundo e classificou as 900 melhores instituições de acordo com seis indicadores: reputação acadêmica, reputação entre empregadores, proporção de professor para estudante, citações científicas, número de estudantes estrangeiros e corpo docente internacional.
Neste ano, a USP se destacou em dois desses indicadores. No item reputação acadêmica, que considera a opinião de pesquisadores sobre as melhores universidades de pesquisa do mundo, a USP subiu quatro posições, passando do 51º para o 47º lugar. No item reputação entre empregadores, que avalia a opinião dos empregadores sobre as instituições que formam os melhores profissionais, a USP passou da 57ª posição, em 2015, para a 45ª, em 2016.
Zago ressalva que essas classificações devem ser analisadas com ressalvas. “Não podemos transformá-las em metas. Um aspecto é melhorar apenas a posição da Universidade nos rankings, outro, muito mais importante, é melhorar a Universidade de uma forma geral. De qualquer maneira, a classificação incentiva a coleta e a análise de dados dentro da própria instituição, revelando aspectos importantes como, por exemplo, que o impacto das pesquisas produzidas pela USP é equivalente ao de outras boas universidades do mundo, embora o percentual de colaboração com pesquisadores internacionais ainda deva melhorar. Também é inegável que a boa reputação da USP nos rankings internacionais tem um impacto muito positivo nas parcerias com outras universidades, facilitando o intercâmbio de pesquisadores e o desenvolvimento de projetos de pesquisa com financiamento conjunto”, afirmou o reitor.
Além da USP, entre as brasileiras, a segunda melhor posicionada foi a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na 191ª posição, seguida da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no 321º lugar.
Fonte: Agência Fapesp

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Privacidade na internet?

Resultado de imagem para privacidade na internet




Usuários que querem fazer postagens anônimas sem serem descobertos podem ter suas identidades esclarecidas mesmo que tenham apenas duas postagens georreferenciadas em redes sociais diferentes. A conclusão é de um estudo de pesquisadores do Google e da Universidade de Columbia, nos EUA. Os autores criaram um algoritmo que compara postagens georre­ferenciadas feitas no Twitter a publicações no Instagram e no Foursquare, tentando identificar contas mantidas pela mesma pessoa. O mesmo algoritmo pode ajudar empresas a identificar consumidores, sobrepondo registros anônimos de uso de cartão de crédito à localização de telefones celulares em relação às torres de transmissão.

Imagem by Google


Esmalte dentário

Resultado de imagem para esmalte nos dentes vem de escamas de peixes


Segundo um estudo publicado na revista Nature. Realizado por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e do Instituto de Paleontologia dos Vertebrados e de Paleontologia (IVPP), de Pequim, o artigo mostra que o esmalte dentário está presente apenas nos vertebrados, mas a ganoína, tecido que lembra o esmalte, está nas escamas de inúmeros peixes fósseis e alguns peixes primitivos que ainda vivem. Todavia, para descobrir a época e como o esmalte colonizou os dentes serão necessárias outras análises.

Imagem by Google




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Brinde no juízo final




Poetas de camiseiro, chegou vossa hora,
poetas de elixir de inhame e de tonofosfan,
chegou vossa hora, poetas do bonde e do rádio,
poetas jamais acadêmicos, último ouro do Brasil.


Em vão assassinaram a poesia nos livros,
em vão houve putscbs, tropas de assalto, depurações.
Os sobreviventes aqui estão, poetas honrados,
poetas diretos da Rua Larga.
(As outras ruas são muito estreitas,
só nesta cabem a poeira,
o amor e a Light.)


Poema by Carlos Drummond de Andrade
Foto by Mari Martins





Os estudos da colonização humana precisam ser reavaliados utilizando dados genômicos




Os estudos da colonização humana precisam ser reavaliados utilizando dados genômicos, afirmou a pesquisadora Anna-Sapfo Malaspinas, autora de uma pesquisa publicada, recentemente, na revista Current Biology. Segundo ela, os índios botocudos – que ocupavam as regiões onde hoje se encontram os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo – têm DNA originário da Polinésia.

Os pesquisadores não encontraram no DNA dos crânios de dois desses índios, que usavam botoques – grandes discos de madeira que alargam boca e orelhas –, nenhum traço de ancestralidade de americanos nativos. A descoberta é importante porque reforça a tese de que os polinésios participaram do povoamento da América, chegando ao Continente muito antes dos europeus.

Fonte: Revista Ser Médico nº 75


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O amor é o elixir da juventude





O amor é um poema. Dói e canta cá dentro. Tem a filosofia das árvores, a lição do mar, os ensinamentos que as aves recolhem quando migram para lá dos desertos, de onde hão-de regressar mais sábias e seguras. O amor é uma causa. Uma luta excessiva com a divindade dos dias e a sua fogueira obscura. Mas também contra o mistério de si mesmo, uma paz que nos dá o cansaço e a loucura infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que tocam como um aviso aos densos nevoeiros súbitos do mar. 

O amor é uma casa. Erguida com os beijos, com os versos da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem o nosso júbilo, a nossa intuição, a nossa vontade, sobretudo o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e brilha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes. O amor é um gigantesco pequeno mistério, uma estranha generosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais ficamos para dar. 

Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se procurou nas indecifráveis formulas dos antigos livros de magia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que, por vezes, o pisamos sem reparar. 

Poema by Joaquim Pessoa
Foto by Mari Martins


A determinação social da saúde e da doença




Tão importante quanto conhecer a doen­ça que o homem tem, é conhecer o homem que tem a doença”. Esse conhecido aforismo, de autoria do médico canadense Willian Osler, um dos pais da moderna medicina clínica, que atuou na virada do século 19 para o século 20, resume a saúde na sua dimensão coletiva e social.
As doenças e as condições de saúde dos seres humanos só podem ser completamente entendidas quando os indivíduos são observados no contexto social, econômico e cultural em que vivem. Desde a Pré-História, o homem tem se empenhado em viver mais e melhor. E, ao longo dos tempos, os problemas de saúde, as explicações para as doenças, os tratamentos e as formas de prevenção foram se modificando. Enquanto até o século 20 predominavam as doenças transmissíveis, atualmente são os problemas do envelhecimento, de natureza crônica, que mais afetam as pessoas: os diferentes tipos de câncer e as doenças cardiocirculatórias, psiquiátricas e neurológicas, como a depressão e o Alzheimer, além dos homicídios, suicídios e acidentes.
Para nós, que vivemos no século 21, é difícil imaginar outras explicações para as doenças, diferentes daquelas a que estamos acostumados sob a ótica científica: microrganismos causando doenças transmissíveis e fatores de risco, como obesidade, tabagismo, sedentarismo, hipertensão arterial e diabetes, entre outros, na origem das complicações do envelhecimento. No entanto, a forma como as doenças e as epidemias foram abordadas ao longo da História sempre foi definida pelas concepções a respeito das origens dos problemas de saúde, ou seja, a causa determina o tratamento.
Na Pré-História e na Antiguidade, as explicações para a doença eram de natureza mágico-religiosa, compatíveis com o cotidiano daquelas sociedades. As pessoas morriam por ataques de feras, em consequência de fraturas ou de doenças transmissíveis, problemas que eram tratados pelos xamãs. A concepção social achava que esses problemas eram provocados por espíritos malignos, introduzidos no corpo das pessoas por inimigos ou deuses irados. O tratamento consistia em retirar esses espíritos de dentro dos corpos por meio de danças, chás, aplicações de plantas ou de fumaça.

 
Oficina de ourives e carpinteiros  da XVIII Dinastia egípcia em pleno trabalho

Na Antiguidade e na Idade Média, os problemas de saúde continuaram a ser explicados em termos mágicos e religiosos. O homem passou a viver em vilas e cidades, e as doenças infecciosas tornaram-se as grandes vilãs, passando a ocorrer na forma de epidemias, que eram resultado da ação divina, punindo os homens por seus pecados, ou da possessão demoníaca. A Medicina e a Farmácia eram campos de atuação unificados. Um mesmo profissional cuidava do diagnóstico e do tratamento, que combinava produtos fitoterápicos e outros elementos da natureza com a oração, a penitência e o arrependimento, na busca de auxílio celestial. Havia também a crença de que as doenças epidêmicas, como a peste e a varíola, entre outras, eram causadas pelos miasmas – estruturas mal definidas, frutos da geração espontânea a partir da matéria orgânica –, conceito que só foi eliminado a partir dos experimentos de Pasteur, no século 19.
Mudanças importantes nos padrões de adoecer e morrer aconteceram em 10 mil anos antes de Cristo, quando o homem dominou as técnicas da agricultura; e 4 mil anos a. C., quando aprendeu a criar animais, tornando sua vida muito mais confortável. Já não era necessário sair todos os dias para caçar e coletar vegetais para o sustento da família. Por outro lado, a vida sedentária nas aldeias e o convívio com outras espécies de animais, no mesmo ambiente, expôs a humanidade a uma série de microrganismos e novas doenças, das quais a gripe é exemplar. Combinando carga genética de cepas próprias de humanos, aves e suínos, a gripe é uma doença epidêmica inerente à urbanização, que vem acometendo a humanidade desde então.

Estalagem localizada na rua do Senado, Rio de Janeiro, em 1906.
As consequências da vida na cidade, sob condições insalubres,
também se manifestaram no Brasil

É do trabalho de cada indivíduo que vêm os recursos que garantem a sua sobrevivência. Mas é também do trabalho, realizado em condições insalubres, que decorrem muitos acidentes fatais e doenças sérias. Duas profissões que surgiram na Antiguidade são a de ourives e de lenhador. Cada uma delas envolvia riscos diferentes para a saúde de quem as exercia, gerando doença e morte. O lenhador estava sujeito a sofrer desgaste precoce das articulações dos cotovelos e ombros, pelo esforço no manuseio do machado. Já a profissão de ourives foi uma das primeiras a ser identificada pelos médicos do passado, milhares de anos antes de Cristo, como nociva para a saúde. Hoje sabemos que isso é decorrência da contaminação pelo vapor de mercúrio, utilizado quando o metal precioso é trabalhado.
Muitos séculos se passaram até que os médicos identificassem a relação entre o trabalho e as doenças. Na Renascença, com os avanços no conhecimento ocorridos nesse período, foram escritas as primeiras obras relacionando trabalho e doença. A mais conhecida de todas é As doenças dos trabalhadores, de autoria do médico italiano Bernardini Ramazzini, publicada em 1700, motivo pelo qual ele é considerado o pai da Medicina do Trabalho. Ramazzini observou, por exemplo, que os oleiros – artesãos que se dedicavam a produzir objetos de cerâmica – sofriam de feridas na boca e no nariz, de queda de dentes e tremores. Hoje sabemos que são problemas de saúde decorrentes do chumbo empregado no processo de produção das peças cerâmicas.
A grande urbanização dos séculos 19 e 20, com a migração maciça para as cidades, proporcionou mais conforto, opções de lazer e estudo. À medida que se desenvolveram grandes cidades em vários países da Europa e na América do Norte, as epidemias de doenças transmissíveis tornaram-se mais comuns e mais mortíferas. Cidades como Londres, Paris, Filadélfia, Chicago e Nova Iorque, com centenas de milhares de moradores vivendo aglomerados, sem saneamento básico adequado, passaram a perder milhares de vidas para o cólera, a varíola, o tifo, a febre amarela, a malária e a peste. Essas doenças, por sua vez, assumiram tal proporção na Europa do século 19, durante a Revolução Industrial, que os governos nacionais se viram forçados a criar mecanismos de proteção da população contra a insalubridade do meio urbano e dos excessos do trabalho, além de oferecer as primeiras ações públicas de cura individual, embrião dos sistemas nacionais de saúde atuais.

Com o transporte aéreo, em poucos anos novas doenças tornaram-se globais,
como a zika e a dengue

As consequências da vida na cidade, sob condições insalubres, também se manifestaram no final do Brasil Colônia, no Rio de Janeiro, que sofreu uma grande epidemia de tuberculose, nas primeiras décadas do século 19. Com a chegada da família real portuguesa, em 1808, tornou-se necessário acomodar na cidade milhares de membros da corte. Moradores do Rio de Janeiro foram despejados de suas casas, cedidas para os membros da realeza vindos de Lisboa. A população desalojada foi acomodada como era possível, amontoada nos porões de outros moradores da cidade. Como resultado, veio a epidemia de tuberculose, decorrente da piora nas condições de moradia da população, acomodada em ambientes escuros, com pouca iluminação e ventilação, próprios à proliferação do bacilo de Koch.
O século 19 foi também o momento da história em que as distâncias se encurtaram e o mundo ficou menor, com a expansão das ferrovias e da navegação entre os continentes, nos barcos a vapor. A consequência para a saúde pública foi que as doenças passaram a se espalhar rapidamente entre regiões e continentes, com os trens e os navios. Na segunda metade do século 20 e no século 21, com a globalização da economia e o barateamento do transporte aéreo, a difusão das doenças pelos continentes tornou-se mais rápida ainda. Em poucos anos, novas doenças tornaram-se globais, como a zika e a dengue.
Para entender as mudanças ao longo da História, é necessário lembrar que as formas de viver e morrer são determinadas por aspectos que fogem ao campo estrito da biologia. A vida nos vilarejos e cidades, os alimentos que ingerimos e o desgaste provocado pelo trabalho são aspectos fundamentais para explicar a saúde e a doença nas sociedades. Mudanças culturais, sociais e econômicas têm um papel fundamental na definição da saúde humana, avançando além das ciências da saúde, influenciando a vida e a morte da população no planeta. Essas mudanças e os avanços tecnológicos frequentemente trazem consequências boas e más para a saúde das sociedades humanas. Um bônus quase sempre é correspondido por um ônus.


*Rodolpho Telarolli Junior é médico, professor adjunto de Saúde Pública da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp  e autor de Saúde e Sociedade – A determinação social da saúde e da doença, Editora Moderna.

**BAINES, J. Deuses, templos e faraós: atlas cultural do Antigo Egito. Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué. Barcelona: Ed. Folio, 2008. p 194.

Relógio biológico

Resultado de imagem para relógio biológico



Cientistas descobriram como o corpo rastreia a passagem das estações do ano com uma espécie de “calendário químico”, segundo um estudo publicado na revista Current biology. Pesquisadores – das universidades de Manchester e de Edimburgo, no Reino Unido – relatam ter encontrado um grupo de milhares de células em cérebros de ovelhas que podem existir no “modo verão” ou “modo inverno”. O primeiro seria identificado em dias mais longos, enquanto o segundo, quando anoitece mais cedo. Esse relógio anual determinaria quando os animais procriam e hibernam e, no caso humano, poderia regular o relógio biológico.

Imagem by Google
Fonte: Revista Ser Médico nº 75


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Dica cultural



Um belo e interessante resumo da ascensão feminina na arte brasileira pode ser visto no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado  (MAB-Faap), na exposição  “Elas – mulheres artistas no acervo do MAB”. Ao todo, são 82 pinturas, gravuras, desenhos, esculturas, objetos, fotografias e vídeos de 64 artistas, entre elas Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Tomie Ohtake, Carmela Gross,
Djanira, Niobe XandMira Schendel e Maria Bonomi. A participação feminina na arte do País foi reconhecida a partir do Modernismo, por volta dos anos 20 do século passado, quando a mulher passou a ocupar espaços majoritariamente dominados por artistas homens nas esferas artística, cultural e social.

A mostra pode ser vista até o dia 25 de setembro, de segunda a sexta-feira (com exceção das terças), das 10h às 18h; aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. Entrada livre.

MAB-FAAP - Rua Alagoas, 903 - Higienópolis - São Paulo/Capital




Sensor detecta câncer, Alzheimer e Parkinson

LNNano



Um biosensor que detecta câncer, Alzheimer e Parkinson foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), em Campinas. O aparelho consegue identificar moléculas relacionadas às doenças neurodegenerativas e alguns tipos de câncer, ajudando no diagnóstico mais rápido, seguro e barato, pois tem baixo custo, além de ser portátil. A iniciativa faz parte do projeto “Desenvolvimento de novos materiais estratégicos para dispositivos analíticos integrados”, que envolve profissionais de diferentes áreas na elaboração de dispositivos point of care – sistemas de testes simples executados junto com o paciente.


Fonte: Revista Ser Médico nº 75
Imagem: LNNano




Avanços da ciência - Atalho neural




Pela primeira vez no mundo, um “atalho neural” deu origem a movimentos no corpo humano em tempo real. O feito, publicado pela revista Nature, foi realizado por pesquisadores dos Estados Unidos que conectaram a área motora do cérebro de um paciente quadriplégico aos músculos do antebraço, fazendo com que o voluntário executasse movimentos com as mãos e girasse o pulso. Para isso, foram implantados microeletrodos no cérebro do paciente e algoritmos de aprendizado de máquina foram usados para traduzir sinais cerebrais em movimentos musculares.


Fonte: Revista Ser Médico nº 75




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Meu papo é reto



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Ney Matogrosso/Monique Kessous - Meu papo é reto

Pesquisa abre caminho para diagnóstico precoce de Alzheimer

Pesquisa abre caminho para diagnóstico precoce de Alzheimer

Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), com apoio da FAPESP, pode tornar possível o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.
Atualmente, ainda não há marcadores biológicos ou exames de imagem disponíveis na rotina clínica para detectar o avanço do processo degenerativo cerebral. O diagnóstico é feito apenas quando já há sinais de declínio cognitivo – basicamente por exclusão de outras condições que causam perda de memória e demência.
“Estima-se que quando os pacientes começam a manifestar sintomas de comprometimento cognitivo cerca de 50% dos neurônios já morreram. E, a essa altura, não há muito mais o que fazer. Porém, se conseguirmos detectar o processo degenerativo ainda no início, as chances de estabilizar sua progressão com as drogas hoje disponíveis são muito maiores”, disse à Agência FAPESPLuciana Malavolta Quaglio, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP.
Alguns resultados do trabalho coordenado por Malavolta foram apresentados dia 30 de agosto, em Foz do Iguaçu, durante a 31ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE).
Em seu laboratório, a pesquisadora sintetizou pequenos fragmentos peptídicos capazes de serem atraídos por um peptídeo maior, conhecido como beta-amiloide, que desempenha papel crucial no desenvolvimento da doença de Alzheimer.
Por motivos ainda não totalmente compreendidos pela ciência, as moléculas beta-amiloide naturalmente presentes no organismo começam a se agregar umas às outras, formando as chamadas placas beta-amiloidais. Esses agregados se acumulam no cérebro e causam uma série de alterações que, em conjunto com outros fatores, resultam na morte de neurônios.
O objetivo da pesquisa de Malavolta é desenvolver biomarcadores capazes de sinalizar em exames clínicos a presença das placas beta-amiloidais no cérebro.
“Estamos testando quatro diferentes fragmentos peptídicos – todos com poucos aminoácidos. Enquanto o peptídeo beta-amiloide tem cerca de 42 resíduos de aminoácidos, os nossos têm entre quatro e seis, pois, se forem grandes, não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica (um conjunto de células extremamente unidas que protegem o sistema nervoso central de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue) e chegar ao cérebro”, explicou Malavolta.
O desenho das moléculas foi concluído em 2011. Desde então, em colaboração com cientistas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Malavolta vem aperfeiçoando métodos de radiomarcação, ou seja, de ligar os fragmentos peptídicos a isótopos radioativos – o que possibilita acompanhar a distribuição do composto pelo organismo e realizar exames de imagem.
A estratégia é semelhante à dos exames de cintilografia usados para avaliar, por exemplo, a função renal ou cardíaca. Um composto radiomarcado com afinidade pelo tecido de interesse é injetado no organismo. Quando os elementos chegam ao órgão-alvo, as radiações emitidas são identificadas por um equipamento conhecido como câmara de cintilação e transformadas em imagens, que podem ser interpretadas pelos especialistas.
A radiomarcação tem sido feita com o radioisótopo tecnécio, elemento que emite radiação gama. Segundo Malavolta, esse isótopo tem sido bastante usado em exames de medicina nuclear para diagnóstico, pois tem meia-vida de seis horas – tempo suficiente para a realização do exame e para o paciente ter alta hospitalar no mesmo dia.
“Em média, as técnicas de radiomarcação de forma direta com tecnécio (na qual o radioisótopo é ligado diretamente na molécula) descritas na literatura científica alcançam um rendimento entre 60% e 65% [porcentagem de fragmentos que de fato permanecem ligados ao radioisótopo]. Nós conseguimos valores acima de 90%, o que é considerado bastante satisfatório no campo da medicina nuclear."
Ensaios pré-clínicos
Diversos testes in vitro e in vivo foram feitos para avaliar a estabilidade dos peptídeos radiomarcados e sua biodistribuição no organismo.
Em um dos experimentos, foi comparado um grupo de camundongos sadios e outro geneticamente modificado para desenvolver um quadro semelhante ao Alzheimer. Nesse modelo, para induzir a formação das placas beta-amiloidais no cérebro dos animais, é inserido no genoma do roedor uma mutação dupla na proteína APP (proteína precursora amiloidal), que dá origem ao peptídeo beta-amiloide.
Os fragmentos radiomarcados foram injetados nos dois grupos de animais e, após diferentes tempos, os pesquisadores faziam a contagem de radiação em cada um dos órgãos, com auxílio de um contador de radiação gama.
“Dependendo do fragmento, observamos que entre 3% e 5% das moléculas radiomarcadas conseguiram de fato chegar até o cérebro dos animais geneticamente modificados, o que é considerado um índice satisfatório. Atualmente, há radiofármacos usados em outros tipos de diagnósticos nos quais a porcentagem de especificidade fica em torno de 1%”, contou Malavolta.
Nos animais controle (sadios), segundo a pesquisadora, as atividades radioativas referentes aos peptídeos radiomarcados ficaram ao redor de 0.5% no cérebro.
Nos testes in vitro, o índice de interação dos fragmentos radiomarcados com as células cerebrais dos camundongos com Alzheimer foi de 50%. Já com as células dos camundongos sadios o índice ficou entre 10% e 12%.
Ao avaliar a interação dos fragmentos radioativos com as proteínas presentes no sangue dos roedores, o índice ficou em torno de 35% nos dois grupos.
“Nesse caso, quanto mais baixo for o índice, melhor, pois uma maior quantidade do composto fica livre para chegar ao alvo desejado. O resultado do experimento mostra que 65% dos nossos fragmentos peptídicos estão livres para percorrer todo o organismo. Alguns dos fármacos disponíveis atualmente apresentam 95% de interação com as proteínas plasmáticas, ou seja, apenas 5% das moléculas ficam livres e mesmo assim ainda conseguem ter alguma eficiência. Imagina quando se tem 65% do composto livre", comparou Malavolta.
Uma das estratégias que a pesquisadora pretende testar para aumentar a porcentagem de fragmentos radiomarcados que chegam ao cérebro é o encapsulamento em nanopartículas. Alguns testes iniciais já foram feitos.
Resultados preliminares da pesquisa apresentada na FeSBE também já foram publicados nos periódicos: Neurological Sciences,NeuropeptidesJournal of Peptide ScienceProtein & Peptide Letters e Revista Brasileira de Psiquiatria, entre outros. 
Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Poesia à beira mar


Vídeo do YouTube
Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli

Pele artificial


© LÉO RAMOS
Pele artificial no Laboratório de Biologia da Pele da USP: reconstruída a partir de células humanas


A três anos de entrar em vigor uma resolução do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) que obriga fabricantes de cosméticos e laboratórios farmacêuticos a adotarem métodos alternativos ao uso de animais em pesquisa, o Brasil fez avanços significativos no desenvolvimento de pele reconstruída em laboratório. Esse material biológico é chamado também de pele artificial, 3D ou equivalente, e tem morfologia e fisiologia similares ao tecido humano. Poderá ser usado em testes de avaliação de novos cosméticos e produtos de higiene pessoal em substituição a animais, no estudo de doenças, como melanoma e câncer de colo uterino, e no tratamento de úlceras dermatológicas crônicas e queimaduras. Empresas, institutos de pesquisa e universidades do país correm contra o tempo para desenvolver modelos nacionais de pele humana in vitro.
A pele artificial é reconstruída a partir de células humanas e demora de 10 a 30 dias para ser desenvolvida (ver infográfico). O tecido dura por volta de sete a 10 dias, período em que está pronto para ser usado. No caso dos testes de cosméticos, a nova substância deve ser aplicada sobre a pele. Em creme ou pó, o material é espalhado com auxílio de uma espátula ou uma haste flexível; se for um líquido, é pingado sobre o tecido. Depois de algumas horas, a pele in vitro é lavada para remoção da substância. No dia seguinte, os pesquisadores fazem em laboratório a contagem da quantidade de células vivas e mortas a fim de verificar o potencial corrosivo irritante do novo produto. Cada fragmento de pele reconstruída, com 1,5 centímetro (cm) a 3 cm de diâmetro, só pode ser usado uma vez.
© LÉO RAMOS
Preparação de amostra de pele desenvolvida pela professora Silvya Maria-Engler, da USP
Preparação de amostra de pele desenvolvida pela
professora Silvya Maria-Engler, da USP
Atualmente, o mercado de pele artificial é liderado pela multinacional francesa L’Oréal, uma das gigantes do setor de cosméticos. A empresa é proprietária dos modelos Episkin e Skinethic, distribuídos em países da Europa em kits formados por 24 unidades de tecidos de pele artificial humana reconstruídos em laboratório. Além da pele completa, formada pela epiderme (camada externa) e a derme (camada logo abaixo da epiderme), a L’Oréal comercializa no exterior outros seis modelos de tecidos, entre eles uma epiderme humana reconstruída, uma epiderme pigmentada, mimetizando diferentes cores de pele, e vários tipos de epitélio, como os que compõem as mucosas da boca, gengiva, vagina e córnea. Outra grande participante desse mercado é a norte-americana MatTek, que vende vários modelos de pele equivalente, não muito distintos dos feitos pela L’Oréal. Os preços nas empresas, de amostras individuais, variam de US$ 50 a US$ 80. Na Alemanha, o Instituto Fraunhofer IGB criou um sistema automatizado capaz de produzir 12 mil fragmentos de pele a partir de uma única amostra de tecido humano. Desde 2014, o instituto alemão vende o sistema às empresas que querem certificar-se de que seus produtos de beleza não causam alergia ou irritação.
Embora a legislação brasileira permita a importação de pele artificial fabricada no exterior, isso nem sempre é viável – daí a importância do desenvolvimento do tecido no país. “Por ser material vivo e, portanto, perecível, os fragmentos de pele contidos nos kits têm validade de poucos dias. É muito comum enfrentarmos problemas na alfândega, o que na prática inviabiliza a importação”, diz a bióloga Silvya Stuchi Maria-Engler, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), referência nas pesquisas envolvendo pele equivalente. “Com a proibição do uso de animais em testes de cosméticos e insumos a partir de 2019, é muito importante que os kits passem a ser produzidos no país.”
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No fim de 2015, o Grupo Boticário, controlador das unidades de negócio O Boticário, Eudora e Quem disse, Berenice?, anunciou ter conseguido criar um material equivalente à pele humana no seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, em São José dos Pinhais, no Paraná. O tecido é empregado em testes de matérias-primas e produtos acabados, como maquiagens, loções e cremes, e em ensaios de segurança e toxicidade, no lugar de animais. “Para fazer nossa pele 3D, usamos células isoladas de tecidos cutâneos descartados de cirurgias plásticas, com o consentimento dos doadores e a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa de nosso Centro de P&D”, informa Márcio Lorencini, gerente de Pesquisa Biomolecular da companhia. Em laboratório, o novo tecido é formado célula a célula, camada por camada, tal como a pele humana. O resultado é um fragmento de até 3 centímetros de diâmetro pronto para realização de testes.
Na recriação in vitro, a epiderme, a camada mais externa da pele, é obtida por meio da cultura de queratinócitos, células que realizam a síntese da queratina e respondem pelos fatores de barreira e proteção, e dos melanócitos, responsáveis pela produção de melanina, que confere pigmentação à pele. A derme é reconstituída a partir da cultura de fibroblastos humanos cultivados em gel de colágeno. Os fibroblastos são responsáveis pela produção de proteínas capazes de sintetizar fibras de colágeno e elastina.
© LÉO RAMOS
Teste de cosmético líquido sobre pele artificial na USP. Cada fragmento só pode ser usado uma vez
Teste de cosmético líquido sobre pele artificial na USP. Cada fragmento só pode ser usado uma vez
Todas essas estruturas celulares produzidas em laboratório têm características de crescimento muito similares à pele humana, o que aumenta a uniformidade e a reprodutibilidade dos testes. E guardam muito mais semelhança com a pele humana do que a dos camundongos normalmente usados na avaliação de novos produtos. A pele completa formada por derme e epiderme é ideal para o estudo de doenças e a avaliação de novos medicamentos, enquanto a estrutura formada apenas pela epiderme é suficiente para ensaios de corrosão e irritação feitos pela indústria de cosméticos.


Pele 3D

A tecnologia do Grupo Boticário, segundo Márcio Lorencini, começou a ser desenvolvida em 2009. Com ela é possível realizar vários testes em uma mesma unidade de pele reconstituída. “A pele 3D permite maior amplitude e assertividade nos testes, por ser elaborada a partir de um conjunto de células de vários indivíduos [prática comum nas técnicas atuais de todos os grupos que pesquisam e produzem peles artificiais]. Utilizando um pool de células diminuímos a variabilidade individual. Caso empregássemos células derivadas de uma única pessoa poderíamos ter respostas variáveis de um indivíduo para outro, o que não é ideal para avaliação de parâmetros toxicológicos e de eficácia de produtos e matérias-primas cosméticas”, afirma Lorencini. Além dos ensaios de toxicidade, corrosão e irritação cutânea, a empresa usa a pele artificial para avaliação de eficácia da produção de melanina, análise de expressão gênica e proteica de diversos marcadores teciduais, como colágenos, elastinas e queratinas, e estudo de citocinas, que são biomarcadores de inflamação.
© LÉO RAMOS
A primeira amostra de pele humana reconstruída na USP foi finalizada em 2006
A primeira amostra de pele humana reconstruída na USP foi finalizada em 2006
O Grupo Boticário desenvolveu o modelo com recursos próprios, sem o auxílio de parceiros na academia, mas contou em sua equipe com a participação da bióloga Carla Abdo Brohem, que fez sua formação no Laboratório de Biologia da Pele da USP, com bolsa de doutorado da FAPESP. Também com auxílio da Fundação, Carla realizou um pós-doutorado entre 2010 e 2011, ocasião em que estagiou no laboratório da pesquisadora australiana Pritinder Kaur, do Peter MacCallum Cancer Centre, instituição médica de Melbourne especializada na pesquisa e no tratamento de câncer. Pritinder é considerada uma grande especialista no estudo de células-tronco epiteliais e colabora com o grupo da professora Silvya Maria-Engler. Atualmente, Carla coordena o Núcleo de Avaliação de Segurança e Eficácia do Centro de P&D da companhia.
Em São Paulo, Silvya, coordenadora do Laboratório de Biologia da Pele da USP, finalizou seu primeiro modelo de pele humana reconstruída in vitro em 2006. Entre os trabalhos mais recentes, destacam-se o desenvolvimento de uma pele envelhecida para uso em testes de cosméticos antienvelhecimento, a criação de uma epiderme semelhante aos modelos comerciais e a produção de uma pele 3D voltada a estudos sobre câncer de pele. Essa linha de pesquisa já rendeu 45 artigos científicos publicados pelo grupo de Silvya.
© ENRIQUE BOCCCARDO / USP

Microscopia de infecção por papiloma vírus (HPV)…
“É fundamental que o Brasil domine a tecnologia de produção de pele humana reconstruída, ganhando autonomia nesse campo de pesquisa”, afirma a cientista. “Os modelos de pele completa e epiderme que criamos são idênticos aos produzidos no exterior. Estamos transferindo esse conhecimento para a sociedade por meio da Fundação Instituto de Pesquisas Farmacêuticas da USP, a FipFarma. Já fomos procurados por vários fabricantes de cosméticos interessados em receber treinamento para aprender a construir esses tecidos em laboratório”, diz ela.
A primeira empresa a fazer o curso de capacitação da USP foi a OneSkin Technologies, startup de biotecnologia especializada em engenharia de tecidos criada por três pesquisadoras brasileiras e sediada em São Francisco, na Califórnia. “Com o treinamento recebido na USP, conseguimos construir nosso modelo de epiderme humana in vitro. Agora, estamos trabalhando no desenvolvimento da pele completa”, conta a bioquímica Carolina Reis de Oliveira, sócia-fundadora da OneSkin. Incubada desde março deste ano na IndieBio, uma das maiores aceleradoras de biotecnologia dos Estados Unidos, a OneSkin quer dominar a tecnologia de construção de pele 3D para atuar no mercado de cosméticos antienvelhecimento. “Nosso próximo desafio é desenvolver um tipo de pele envelhecida que nos permita estudar mecanismos para prevenir o envelhecimento”, diz Carolina. Quando este objetivo for atingido, a OneSkin vai se dedicar à busca de moléculas com potencial antienvelhecimento. “Nossa ideia é licenciar moléculas relevantes ou produzir novos cosméticos com elas.” A OneSkin foi convidada a instalar-se na IndieBio após participar de um evento para startups no Brasil e chamar a atenção de investidores estrangeiros.
© ENRIQUE BOCCCARDO / USP

…e a pele artificial normal, em experimentos no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB)
No Laboratório de Biologia da Pele da USP, a bióloga Paula Comune Pennacchi trabalha em uma linha de pesquisa similar à da OneSkin. Ela criou um modelo de pele humana que simula o envelhecimento cutâneo fisiológico e as alterações de pele observadas em pacientes diabéticos. O trabalho foi sua tese de doutorado, defendida em fevereiro deste ano. “Recriamos um modelo capaz de responder à ação de cosméticos e fármacos com ação sobre o envelhecimento cutâneo. Nossa pele reconstruída também contribuiu para o entendimento de fenômenos relacionados à deficiência de cicatrização e maior intensidade inflamatória em pele de pacientes diabéticos”, explica a pesquisadora.


Aguarda regulamentação

O Grupo Boticário não vai compartilhar a pele 3D construída em seus laboratórios enquanto não existir no Brasil a validação para esse tipo de produto. A francesa L’Oréal tomou a decisão de investir no Brasil nessa área e também aguarda a regulamentação para poder disponibilizar no país tecidos da linha Episkin, como já ocorre na Europa e na Ásia. “Enquanto não houver regulamentação clara para a distribuição dos tecidos, estamos no Brasil somente para fins de pesquisa. Por ano, produzimos na França aproximadamente 150 mil unidades de pele reconstruída, enquanto na China fabricamos outros 30 mil tecidos de pele pigmentada”, conta Rodrigo De Vecchi, gerente de Pesquisa Avançada da L’Oréal no Brasil. A princípio, a empresa implementa aqui apenas o modelo de epiderme humana reconstruída, conhecido pela sigla RHE, que usa em sua constituição queratinócitos humanos, o principal tipo celular epitelial. O RHE é um tecido aprovado pelo Comitê Europeu para Validação de Métodos Alternativos (Ecvam), para aplicação em testes de segurança em produtos cosméticos em substituição aos testes em animais. “Quando o modelo RHE estiver disponível no Brasil, contaremos com uma ferramenta para uso em cosméticos e também em áreas de pesquisa, como biomedicina, medicina regenerativa e avaliação toxicológica”, afirma De Vecchi.
© L’ORÉAL
Pele reconstruída da L’Oréal: pesquisas avançam para inserir neurônios no produto
Pele reconstruída da L’Oréal: pesquisas avançam para inserir neurônios no produto
Com a finalidade de refinar seu modelo de epiderme reconstruída, a L’Oréal fechou recentemente uma parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Educação (IDor), do Rio de Janeiro. “Nossa proposta é reinervar o modelo de epiderme humana reconstruída com neurônios criados por nós, aproximando-a ainda mais da pele humana original”, conta o neurocientista Stevens Rehen, coordenador de pesquisas do IDor. Trata-se de uma pesquisa com enorme potencial biotecnológico, segundo o pesquisador, que também é professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ). A área de interesse de Rehen é o estudo da biologia de células-tronco reprogramadas. “Desde 2014 firmamos a parceria com a L’Oréal voltada ao uso de células-tronco para a criação de modelos celulares humanos em laboratório”, diz. “Acreditamos que ao inervar a epiderme humana reconstruída com neurônios iremos aumentar a capacidade preditiva do modelo.”
Além de poder ser usada como plataforma para testes de cosméticos e produtos de higiene pessoal, a pele cultivada também é uma ferramenta para validação de novos medicamentos e estudo de doenças, entre elas papilomavírus humano (HPV) e melanoma. Na USP, estudos nessa linha são desenvolvidos no laboratório da professora Silvya e no Instituto de Ciências Biomédicas. Lá, o professor Enrique Boccardo desenvolveu um modelo de pele humana in vitro para investigar os mecanismos de transformação celular associados ao HPV e aprofundar pesquisas sobre o câncer de colo uterino causado pelo microrganismo. “Com apoio da FAPESP, eu trouxe essa tecnologia dos Estados Unidos em 2001, quando trabalhava no Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer, em São Paulo”, conta Boccardo.
© GUILHERME PUPO
Produção de pele no Boticário: testes para toxicidade, corrosão e irritação cutânea
Produção de pele no Boticário: testes para toxicidade, corrosão e irritação cutânea
“Para estudar a fundo a biologia do vírus, introduzimos no Brasil um sistema de cultura de células in vitro que permite reproduzir o ambiente no qual o microrganismo cumpre seu ciclo. Esse tecido, semelhante à pele, é composto por queratinócitos humanos, colágeno e fibroblastos”, explica Boccardo. “Temos utilizado o modelo para analisar os mecanismos moleculares empregados pelo vírus para escapar da resposta imune do organismo e entender como o HPV manipula a célula a fim de sintetizar seu material genético e reproduzir novas partículas virais.”
Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, a pesquisadora pós-doutoranda Fernanda Faião Flores recorre ao tecido artificial desenvolvido pelo grupo da professora Silvya Maria-Engler para estudar os mecanismos de resistência ao melanoma, a forma mais letal de câncer de pele. “Utilizamos linhagens celulares, amostras de pacientes e um modelo de pele humana reconstituída in vitro que mimetize a invasão e a disseminação das células de melanoma”, conta. “Com isso, testamos compostos e conseguimos caracterizar o fenômeno de resistência a um medicamento, chamado vemurafenibe, que inibe a atividade proliferativa do tumor.” A pele reconstruída com melanoma serviu para avaliar o composto como possível agente quimioterápico.


Tratamento de queimados

Na área médica, outra opção é o emprego de pele humana reconstituída e terapia celular com transplante de células cutâneas para o tratamento de úlceras de pele e queimaduras em pacientes. Em Campinas, a dermatologista Maria Beatriz Puzzi, coordenadora do Laboratório de Cultura de Células de Pele da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), estuda a recriação do tecido celular em laboratório para enxerto feito a partir de células isoladas do próprio paciente, o que faz com que ambos os tecidos – a pele natural e a reconstituída – tenham estrutura muito semelhante, possibilitando a realização de transplantes autólogos (em que se utiliza tecido de um mesmo indivíduo) com menor risco de rejeição. “O problema dessa metodologia é que a recriação de pele em laboratório leva em torno de 45 a 60 dias – e os pacientes queimados precisam do tratamento imediatamente”, explica Maria Beatriz.
Para contornar esse problema, no lugar do implante da pele reconstruída, o grupo decidiu empregar a terapia celular com células da pele. “Tiramos um pedacinho da pele do paciente, isolamos os queratinócitos e os fibroblastos e fazemos o cultivo dessas células em laboratório. Em 15 dias, elas são misturadas a um gel e aplicadas no paciente. Em pouco tempo, espalham-se nas lesões reconstruindo a pele”, conta. “Temos resultados muito positivos com essa rota, que acelera a cicatrização, encurta o tempo de hospitalização e reduz a morbidade dos pacientes.”
Métodos alternativos à experimentação animalUso de tecidos reconstruídos no Brasil depende de um custoso processo de validação
O Brasil é o quarto maior mercado global de produtos de beleza, superado por Estados Unidos, China e Japão. As cerca de 2,5 mil empresas do segmento faturaram R$ 42,6 bilhões em 2015, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). A partir de 2019, qualquer novo produto de beleza deverá obrigatoriamente passar por testes dermatológicos em peles humanas reconstruídas, no Brasil ou no exterior. “Não existem estudos que apontem o tamanho do mercado de pele equivalente no Brasil, mas teoricamente ele deve ser expressivo, já que muitos lançamentos de cosméticos ocorrem todos os anos”, afirma a professora Silvya Maria-Engler, da USP, que integra o Conselho Científico da Abihpec.
A obrigatoriedade de substituição de testes em animais por modelos de pele equivalente foi determinada há dois anos pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), responsável por estabelecer normas para experimentação animal no Brasil. A entidade reconheceu 17 métodos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa, dos quais dois preveem o uso de epiderme humana equivalente para validação de cosméticos. “Um destina-se à verificação do potencial de irritação dos novos produtos e o outro serve para avaliação da corrosão das substâncias testadas”, destaca o ex-coordenador do Concea, José Mauro Granjeiro. Esses dois métodos alternativos foram referendados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), entidade que aprovou os métodos empregados na Europa e que serviram de base para elaboração da norma brasileira.
“A pele 3D que desenvolvemos na USP foi criada para estudos científicos, mas pode ser usada comercialmente, desde que passe por um processo de validação”, conta Silvya. Nesse processo, amostras da pele cultivada in vitro devem ser submetidas a uma extensa bateria de testes, a um custo aproximado de R$ 1 milhão. Em geral, de um a três laboratórios independentes participam da validação, que é coordenada pelo Centro Brasileiro para Validação de Métodos Alternativos (Bracvam) com apoio da Rede Nacional de Métodos Alternativos (Renama), criada em 2012 pelo governo federal. “Por causa do alto custo, ele só é viável com apoio de empresas e laboratórios privados”, ressalta a farmacêutica-bioquímica Silvia Berlanga Barros, professora da FCF-USP. Ela participou da criação da pele artificial no grupo de Silvya Engler.


Projetos

1. Desenvolvimento de pele artificial contendo equivalente dérmico glicado na avaliação da eficácia e toxicidade de compostos antiglicação (nº 2011/14327-6); ModalidadeAuxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Silvya Stuchi Maria-Engler (USP); Investimento R$ 85.925,35.
2. Geração de peles artificiais humanas e melanomas invasivos como plataforma para testes farmacológicos (nº 2008/58817-4); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Silvya Stuchi Maria-Engler (USP); Investimento R$ 165.075,55.
3. Impacto da expressão de reck no controle da invasão de melanoma: Estudo em monocamadas e pele artificial (nº 2010/50157-5); Modalidade Bolsa no País – Pós-doutorado; Pesquisadora responsável Silvya Stuchi Maria-Engler (USP);Bolsista Carla Abdo Brohem (USP); Investimento R$ 32.690,51.
4. Estudo da possível implicação de p53 nos efeitos do fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa) sobre células imortalizadas por papilomavírus humano (HPV) (nº 1998/07087-2); Modalidade Bolsa no País – Regular; Pesquisadora responsávelLuisa Lina Villa/USP; Bolsista Enrique Mario Boccardo Pierulivo (USP);Investimento R$ 104.861,71.
5. Análise da expressão de proteínas de polaridade em processos neoplásicos associados ao papilomavírus humano utilizando culturas organotípicas. (FAPESP-Conicet) (nº 2012/51017-8); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Enrique Mario Boccardo Pierulivo (USP);Investimento R$ 22.988,33.
Fonte: Revista Pesquisa Fapesp