quarta-feira, 12 de junho de 2019

Equipe do Einstein desenvolve técnica minimamente invasiva para tratar bebê dentro do útero da gestante

Cirurgia fetoscópica para mielomeningocele, mais conhecida como espinha bífida, reduz risco de hidrocefalia e paralisia no bebê, além de apresentar menos complicações à mãe

Uma equipe brasileira tem feito escola pelo mundo. Especialistas em Medicina Fetal​ da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein vêm estudando, há mais de cinco anos, uma forma minimamente invasiva de tratar a mielomeningocele, conhecida também como espinha bífida. E, por meio da fetoscopia, espécie de laparoscopia - cirurgia realizada por meio de cânulas em pequenos furos no abdômem -, criaram um procedimento inédito no mundo e que é capaz de corrigir a malformação congênita dos bebês antes do nascimento, dentro do útero da gestante.
 
A mielomeningocele, conhecida também como espinha bífida, é uma malformação que deixa a medula espinhal do bebê exposta ao líquido amniótico dentro do útero da mãe. Essa exposição pode ocasionar lesões aos nervos responsáveis pelo controle de bexiga e ânus, além da musculatura dos membros inferiores.
 
Com o uso de uma câmera endoscópica e instrumentos muito finos, o procedimento desenvolvido pela brasileira consiste em operar o feto ainda no interior da barriga da mãe. Em outras palavras, evita-se a operação aberta, utilizada atualmente na maioria dos casos. “A incidência da espinha bífida se aproxima de um a cada 10.000 nascidos no Brasil e a cirurgia, quando feita após o parto de forma aberta, pode provocar algumas sequelas importantes no bebê, como hidrocefalia, paralisia e falta de controle de bexiga”, afirma Dra. Denise Lapa, especialista em medicina fetal do Einstein e que lidera as cirurgias.
 
A aplicação da técnica vem chamando a atenção da comunidade internacional. Desde 2011, quando foi iniciado o estudo sobre o tema, a utilização da fetoscopia para espinha bífida foi difundida em diversos países, como Chile, Israel, Itália, Inglaterra e Estados Unidos. Agora, após a publicação dos resultados encorajadores dos primeiros casos, o treinamento a cirurgiões fetais para a técnica está com fila de espera.  
 
“O ideal é que a operação seja feita até a 26ª semana de gestação para minimizar os problemas neurológicos. Quanto mais cirurgiões pelo mundo forem treinados, menos bebês com sequelas teremos no futuro”, comenta a médica. Além dos centros de saúde internacionais, um hospital público do Rio de Janeiro também segue em treinamento para poder tratar mães e bebês nessas condições via SUS.

Fonte: www.einstein.br


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